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sábado, 18 de maio de 2019



“QUANDO DESENCARNAMOS, DEMORA PARA NOS DESLIGAR? PORQUE? NÃO SÃO TODOS DESLIGAMENTOS IGUAIS?
Morte física e desencarne não ocorrem simultaneamente. O indivíduo morre quando o coração deixa de funcionar. O Espírito Desencarna quando se completa o Desligamento, o que demanda algumas horas ou alguns dias. Basicamente o Espírito permanece ligado ao corpo enquanto são muito fortes nele as impressões da existência física. Indivíduos materialistas, que fazem da jornada humana um fim em si, que não cogitam de objetivos superiores, que cultivam vícios e paixões, ficam retidos por mais tempo, até que a impregnação fluídica animalizada de que se revestem seja reduzida a níveis compatíveis com o desligamento.
Certamente os benfeitores espirituais podem fazê-lo de imediato, tão logo se dê o colapso do corpo.
No entanto, não é aconselhável, porquanto o desencarnante teria dificuldades maiores para ajustar-se às realidades espirituais.
O que aparentemente sugere um castigo para o indivíduo que não viveu existência condizente com os princípios da moral e da virtude, é apenas manifestação de misericórdia.
Não obstante o constrangimento e as sensações desagradáveis que venha a enfrentar, na contemplação de seus despojes carnais em decomposição, tal circunstância é menos traumatizante do que o desligamento extemporâneo.
Há, a respeito da morte, concepções totalmente distanciadas da realidade. Quando alguém morre fulminado por um enfarte violento, costuma-se dizer:
"Que morte maravilhosa! Não sofreu nada!"
No entanto, é uma morte indesejável.
Falecendo em plena vitalidade, salvo se altamente espiritualizado, ele terá problemas de desligamento e adaptação, pois serão muito fortes nele as impressões e interesses relacionados com a existência física.
Se a causa da morte é o câncer, após prolongados sofrimentos, em dores atrozes, com o paciente definhando lentamente, decompondo-se em vida, fala-se:
"Que morte horrível! Quanto sofrimento!"
Paradoxalmente, é uma boa morte.
Doença prolongada é tratamento de beleza para o Espírito. As dores físicas atuam como inestimável recurso terapêutico, ajudando-o a superar as ilusões do Mundo, além de depurá-lo como válvulas de escoamento das impurezas morais.
Destaque-se que o progressivo agravamento de sua condição torna o doente mais receptivo aos apelos da religião, aos benefícios da prece, às meditações sobre o destino humano.
Por isso, quando a morte chega, ele está preparado e até a espera, sem apegos, sem temores.
Algo semelhante ocorre com as pessoas que desencarnam em idade avançada, cumpridos os prazos concedidos pela Providência Divina, e que mantiveram um comportamento disciplinado e virtuoso.
Nelas a vida física extingue-se mansamente, como uma vela que bruxuleia e apaga, inteiramente gasta, proporcionando-lhes um retomo tranquilo, sem maiores percalços.

Richard Simonetti

segunda-feira, 30 de maio de 2016

FÉ ANTE A TEMPESTADE



Então Jesus entrou na barca, e seus discípulos o acompanharam. E eis que houve grande agitação no mar, de modo que a barca estava sendo coberta pelas ondas. Jesus, porém, estava dormindo. Os discípulos  se aproximaram e o acordaram, dizendo:
- Senhor, salva-nos, porque estamos afundando! Jesus respondeu:
- Por que vocês tem medo, homens de pouca fé? E, levantando-se, ordenou os ventos e o mar, e tudo ficou calmo. Os homens ficaram admirados e disseram:
- Quem é esse que até os ventos e o mar lhe obedecem?                               

(Mateus, 8:23-27)

 
Nós podemos dizer que, nossa jornada terrestre é uma longa viagem por mares desconhecidos.
Onde, às vezes, o oceano está belo e calmo, porque seguimos saudáveis e bem dispostos; finanças em ordem; estabilidade no emprego; família em paz; sentimo-nos ajustados e felizes. . .
Mas que, de repente, sopram os ventos, levantam-se ondas que nos ameaçam. É quando uma doença inspira cuidados; somos demitidos do emprego; explode a crise familiar; parte o ente querido. . .
Muitas vezes, experimentamos a dificuldade para lidar com essas situações.
Vai à coragem; chega o pessimismo; nasce o medo; falece a esperança. . .
Manifestando a perturbação, o desencanto, a revolta, a rebeldia. . .
Em casos extremos, há quem caia no álcool, nas drogas, no desatino, na depressão, e até o suicídio, essa falsa porta de fuga que apenas nos precipita em sofrimentos mil vezes maiores. 
Daí perguntamos: “Por que nos comportamos assim?”
A resposta:  “Falta de fé.”
A fé é a bússola, a segurança, o apoio para todas as situações.
Quem conquistou esta fé, nunca se perde nos balanços da vida, mesmo quando sopra o vento da infelicidade.
Porque a fé é uma conquista individual. Geralmente nos enganamos a respeito da fé. Porque julgamos possuí-la. Mas, nosso comportamento sugere o contrário, principalmente nas dificuldades da vida.
Na primeira sacudida em nosso barco, corremos para Jesus e pedimos para que Ele nos socorra, para que Ele solucione nossos problemas, como fizeram os apóstolos. Mas, a fé tem a função essencial de oferecer forças para solucionar problemas ao invés de afastá-los ou libertar o crente (pessoa que crê) dos testemunhos necessários para a nossa evolução.
Nós, dificilmente corremos para uma religião para buscarmos saber “por que sofremos”, “por que estamos aqui”, “o que Deus quer de nós”, etc. Nós não queremos saber, porque quando obtermos as respostas teremos que mudar nosso modo de pensar e agir. E isto dá trabalho. É mais fácil pedir.


Richard Simonetti

quinta-feira, 26 de maio de 2016

ENDEREÇO CERTO


Há dois dias, Lucinha conservava sob sua guarda, para adoção por terceiros, encantadora menina recém-nascida. Três casais que ainda ignoravam sua existência aguardavam por aquela oportunidade, com a ansiedade de quem, após infrutíferos esforços no propósito de ter seus próprios filhos, decidiu acolher filhos alheios. Porem havia um problema: Lucinha não se inclinava por nenhum deles.
Em qualquer daqueles lares, a criança estaria bem. Eram famílias bem constituídas, gente boa, excelente condição financeira, ambiente saudável... Por que, então, a dúvida? Impossível definir. Apenas sentia assim...
O tempo corria célere. Imperioso definir rápido ou teria problemas em sua própria casa, porquanto uma de suas filhas tomara-se de amores pela menina. Pensara em ficar com ela. Adoraria fazê-lo. Mais forte, entretanto, era o sentimento de que era outro o destino daquela criança.
À noite, ao se deitar, alma em conflito, orou pedindo ajuda a Deus. Estava consciente da enorme responsabilidade que tinha em suas mãos. Queria acertar! Para tanto, empenhava-se em apurar a sensibilidade! Era preciso estender antenas espirituais, captar orientação segura!...
Brando sono pôs fim às suas angústias. Em sonho muito nítido, viu-se entregando a menina a Maitê, sua prima, que a recebia emocionada e feliz.
Despertou com a lembrança plena do inesperado contato, guardando a convicção de que o Céu atendera suas rogativas. Mas, por que a prima? Ela e o marido estavam ainda traumatizados com a morte de Pedrinho, o filho mais novo que falecera a alguns meses, vitimado por leucemia no verdor de seus cinco anos. Não cogitavam de uma adoção...
Bem, o jeito era verificar como estavam. Tomou o telefone e fez a ligação.
– Oi, Maitê, tudo bem?
– Muito bem, Lucinha! Bem mesmo, graças a Deus!
– Você está animada! Fico feliz!
– É verdade, estou animadíssima, como não me sentia há anos!
– Ganhou na Loteria?
– Vou ganhar, mas é algo mil vezes mais importante!...
– Quem bom! Posso saber?
– Claro prima! Há várias noites, venho sonhando com o Pedrinho. Ele se aproxima de mim e me entrega um bebê, explicando: "Mamãe, trouxe-lhe uma irmãzinha para você cuidar".
Maitê estabelece pequena pausa, contendo a emoção, e conclui:
— Como sabe Lucinha, não posso mais ter filhos, mas, em face dos sonhos, combinei com o João: vamos adotar uma menina. Daí a minha alegria. Sinto que vai "pintar" uma criança em minha vida!
Pausa mais longa interrompe o diálogo.
— Oi, Lucinha, ainda está aí?
Uma voz trêmula, embargada pela emoção, responde do outro lado:
— Sim, Maitê, estou aqui e tenho uma surpresa para você: a criança já "pintou"! Sua filhinha está aqui comigo!
***
A adoção de filhos não obedece a circunstâncias fortuitas. Há uma ampla mobilização da Espiritualidade no sentido de encaminhar órfãos aos lares a que se destinam.
Ficaríamos surpresos se tivéssemos noção plena do trabalho desenvolvido pelos mentores espirituais nesse sentido. Quando encontram instrumentos dóceis na Terra, eles realizam prodígios para colocar filhos que precisam de pais no endereço certo de pais que precisam de filhos.

Richard Simonetti


sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Reformas Sociais



    O assunto surgiu na reunião de estudos pa­ra a edificação de uma sociedade justa, não seria razoável a participação em movimentos que defen­dem uma mudança nas estruturas sociais?
Várias opiniões foram apresentadas. Houve quem preconizasse um engajamento do Centro, contribuindo até mesmo para a constituição de par­tido político capaz de pugnar pelos ideais espíritas. Outros defendiam uma mobilização popular, se ne­cessário, pressionando os governantes, a fim de que as legítimas aspirações do povo fossem aten­didas.
Terminada a discussão, ofereceu-se a pala­vra a Josefo, dedicado mentor espiritual que, após saudar os presentes pela psicofonia mediúnica, fa­lou:
– O assunto hoje foi empolgante. É louvável o interesse que demonstraram na procura de soluções para os grandes problemas sociais. Conside­rem, entretanto, que todas as mudanças envolven­do a sociedade, para serem legítimas e proveitosas, pedem antes a renovação do Homem, o que não pode ser feito à custa de meras reivindicações, de verbalismo ou do exercício da força, porquanto, para tanto, é preciso entrar em seu coração e não há outro caminho senão o Amor. Pode parecer pie­gas aos doutos, mas é a pura expressão da reali­dade. Jesus o demonstrou incansavelmente em seu apostolado. O Espiritismo faz a mesma proposta, apresentando a caridade como a base da salva­ção humana. Com a caridade desenvolveremos a vocação de servir, que é o Amor em ação, atuan­te, empreendedor, irresistível no apelo à renova­ção.
– No entanto – retrucou Luiz, um dos defen­sores do engajamento político –, o amigo não nega que uma mobilização dos espíritas poderia favore­cer as mudanças pretendidas.
– Sim, todos podem participar de tais inicia­tivas, desde que observem a ordem e a disciplina, com respeito aos poderes constituídos, mas sem envolver a Doutrina Espírita como movimento, a fim de que não tenhamos a reedição dos perigosos en­ganos cometidos pelos líderes religiosos no passa­do, que terminaram por atrelar a religião ao poder, assimilando os males que pretendiam combater.
– Mas o irmão não admite que uma mobili­zação popular, até com eventual exercício de força, apressaria as mudanças pretendidas? — indaga Gabriel, um dos defensores das medidas revolucioná­rias.
– Semelhantes iniciativas realmente promo­vem modificações nas estruturas sociais, mas em nada contribuem para a edificação de um Mundo melhor. Muitos movimentos de força têm sido dis­parados. Sistemas se sucedem, mas perpetuam-se os males humanos... Países desenvolvidos resol­vem transitoriamente os problemas da miséria ma­terial, mas caem na miséria moral, que é muito pior: a primeira é provação para coletividades imensas, funciona como cadinho purificador; a segunda é semeadura de dores... Ocioso pretender-se a refor­ma da sociedade sem a renovação do cidadão. Im­possível construir uma casa sólida com tijolos crus.
Josefo fez pequena pausa, como a esperar que seus conceitos fossem assimilados, concluindo, incisivamente:
– Quando Jesus proclamou que o Reino de Deus está dentro de nós, deixou bem claro que ele não se estenderá sobre o planeta antes dessa glo­riosa conquista. Por isso, meus amigos, o nosso trabalho é junto ao coração humano, sem pressões e sem pressa, com o exemplo de nosso próprio empenho no Bem, a fim de que o Reino Divino se estenda ao nosso redor.
 * * *
 Qualquer sistema de governo funcionará sa­tisfatoriamente se governados e governantes se ajustarem aos princípios da Justiça e da Verdade, da Fraternidade e da Solidariedade, do Trabalho e da Disciplina, do Respeito e da Compreensão.
Semelhantes realizações, que jamais pode­rão ser impostas, se concretizarão na medida em que os homens se dispuserem a seguir o Cristo pelos caminhos do Amor.


Por: Richard Simonetti

sábado, 12 de setembro de 2015

Deus Te Abençoe


Recordemos com Kardec...
Ensinai, pois a caridade! Só ela pode realizar o Reino de Deus, sem ela, por mais que vierdes a fazer, não edificarei senão utopias das quais os resultarão amargas desilusões.
Se o espiritismo é a verdade que deve transformar o mundo é porque tem por base, a caridade.
Com a caridade, abençoamos o próximo.
Com a caridade, somos abençoados por Deus.
DEUS TE ABENÇOE o gesto de ternura, a alma da caridade branda e pura, pela migalha de ventura aos tristes no caminho.
DEUS TE ABENÇOE a refeição sem nome que trazes cada dia, aos cansados viajores da agonia, que esmorecem de fome.
DEUS TE ABENÇOE a roupa restaurada, com que vestes contente a penosa nudez de tanta gente que vagueia na estrada.
DEUS TE ABENÇOE a bolsa de esperança que abres a sós, sem que ninguém te espreite, para a gota de leite destinada à criança.
DEUS TE ABENÇOE o pano do lençol com que envolves em doce cobertura os enfermos que choram de amargura a distância do sol.
DEUS TE ABENÇOE que te conserve as luzes em que extingues, removes e reduzes os problemas, as lagrimas e as dores.
DEUS TE ABENÇOE a fala humilde e santa com que aplacas a ira do escarnio, da calúnia, na frase que perdoa e que levanta.
CARIDADE, que teu nome soe pleno de amor profundo, e por tudo que fazes neste mundo, DEUS TE GUARDE, DEUS TE ABENÇOE...
E que JESUS, nos abençoe!


Autor: Chico Xavier
Declamada por Richard Simonetti

quinta-feira, 23 de abril de 2015

O boneco



Osório, sua esposa Selma e o filho Tiago almoçam tranquilos, quando ouvem gritos. É Carmem, a filha mais nova, nos fundos da casa. Acodem rápido!
– Vejam que horrível! – mostra a jovem, assustada.
Num canto do quintal, perto da piscina, o objeto de tamanho alarido: um boneco de pano, muito estranho, com várias costuras no ventre e na boca, manchas de sangue no tecido surrado, espetado por várias agulhas...
– Não toquem! Cuidado! É um despacho! – adverte Felismina, a serviçal doméstica.
– Não fazemos mal a ninguém! – reclama a dona da casa.
E dirigindo-se ao marido:
– Certamente é arte daquela sirigaita que trabalha em sua repartição! Ela não esconde que o considera um ótimo partido. Seria um viúvo disputado! Valha-me, Jesus amado! Sinto falta de ar!... É para mim essa encomenda das trevas!...
– Ora, querida – responde o esposo, conciliador –, não julgue assim a pobre Anita. Conheço-a bem. Seria incapaz de semelhante maldade! Suspeito antes do Costinha e sua mulher. São invejosos!... Provavelmente estão pretendendo amarrar nossa prosperidade! É preciso fazer algo rápido para neutralizar essa nefasta influência, porquanto também fui atingido... Ah! Minha enxaqueca... Parece que martelam meus miolos!...
– Coisa boa não é! – acrescenta, perturbado, Tiago – As agulhas parecem enterradas em meu próprio corpo. Dói tudo! O despacho é para mim! Quando me apaixonei pela Margarida e rompi o noivado com Júlia, ela jurou que eu pagaria pela desfeita. A família dela mexe com saravá!
– Você, que entende dessas coisas, o que nos diz, Felismina?
A serviçal responde, enfática:
– Não sei quem fez, mas é para prejudicar a família toda. Com a confusão que mora nesta casa, não tenho dúvida de que há males encomendados!...
O grupo assusta-se mais! O medo cresce fermentado pela dúvida! O desajuste encontra portas abertas! Todos tensos e angustiados! Selma está na iminência de um colapso nervoso!...
Batem à porta. É o vizinho que, levado ao quintal, vai dizendo:
– Bom dia! Desculpem importuná-los. Queria pedir licença para levar o boneco de meu filho. O irmão o jogou neste quintal. O garoto está em prantos. Seu sonho é ser médico-cirurgião. O fantoche é seu paciente. Já o operou muitas vezes. Não tem mais onde costurar... Até sangue inventou, usando molho de tomate. E pratica acupuntura, espetando-o com agulhas...
O despacho é devolvido. O visitante retira-se. Olham-se todos, atônitos! Descontraem-se. O riso solto saúda abençoado alívio. Osório comenta, bem humorado:
– Felizmente o vizinho chegou a tempo! Se demorasse um pouco, poderíamos morrer de susto!...

* * *
Ignorância, crendice e superstição são grilhões terríveis que semeiam perturbação.
Tudo será diferente quando compreendermos que nenhum mal tem acesso ao nosso universo íntimo sem transitar pelas vias da aceitação.
Por isso, a melhor defesa exprime-se no empenho por compreendermos melhor a existência humana com os valores do estudo e da meditação, aprendendo sempre.
Era isso que Jesus ensinava ao proclamar: Conhecereis a Verdade e a Verdade vos fará livres.


Richard Simonetti

TEMOS DATA E HORA CERTA PARA DESENCARNAR?



Q
uando encarnamos, recebemos uma carga de fluido vital (fluido da vida).
Quando este fluido acaba, morremos. Somos como a pilha que com o tempo vai descarregando.
Chegamos ao ponto que os remédios já não fazem mais efeito. Daí não resta outra alternativa senão trocar de “roupa” e voltar para a escola planetária.
Mas a quantidade de fluido vital não é igual em todos seres orgânicos. Isso dependerá da necessidade reencarnatória de cada um de nós.
Quando chegamos á Terra cada um tem uma "estimativa de vida". Vai depender do que viemos fazer aqui. A pessoa que está estimado viver em torno de 60 anos receberá mais fluido que a pessoa que está estimado viver 20 anos.
André Luiz, através da psicografia de Chico Xavier, explica que poucos são completistas, ou seja, nascemos com uma estimativa de vida e, com os abusos, desencarnamos antes do previsto, não completamos o tempo estimado, isso chama-se suicídio indireto.
Se viemos acertar as pendências biológicas por mau uso do corpo, como o suicídio direto ou indireto, nós vamos ficar aqui pouco tempo. É só para cobrir aquele buraco que nós deixamos. Exemplo: Se nossa estimativa de vida é 60 anos e nós, por abusos, desencarnamos aos 40 anos, ficamos devendo 20 anos. Então, na próxima encarnação viveremos somente 20 anos.
Mas há outros indivíduos que vem para uma tarefa prisional. E daí vai ficar, 70, 80, 90, 100 anos. Imaginamos que quem vira os 100 anos está resgatando débitos. Porque vê as diversas gerações que já não são as suas. E o indivíduo vai se sentindo cada vez mais um estranho no ninho. Os jovens o olham como se ele fosse um dinossauro. Os da sua idade já não se entendem mais porque já faltam certos estímulos (visuais, auditivos, etc.). Já não podem visitar reciprocamente, com raras exceções. Tornam-se pessoas dependentes dos parentes, dos descendentes para levar aqui e acolá. Até para cuidar-se e tratar-se. Então, só pode ser resgate para dobrar o orgulho, para ficar nas mãos de pessoas que nem sempre gostam dela. Alguns velhos apanham, outros são explorados na sua aposentadoria, outros são colocados em asilos onde nunca recebem visitas.
Em compensação, outros vêm, cuidam da família, educam os filhos em condição de caminhar, fecham os olhos e voltam para a casa com a missão cumprida com aqueles que se comprometeu em orientar, impulsionar, a ajudar.
Por isso, precisamos conversar com os jovens. Dizer a eles que é na juventude que a gente estabelece o que quer na velhice, se chegar lá. E que vamos colher na velhice do corpo o que tivermos plantado na juventude. Se ele quiser ter um ídolo, que escolha alguém que esteja envolvido com a paz, com a saúde, a ética, ao invés de achar ídolos da droga, do crime, das sombras.
E aqueles que não tem jovens para orientar e que estão curtindo a própria maturidade, avaliar o que fizeram da vida até agora. Se a morte chegasse hoje, o que teriam para levar? Se chegarem a conclusão que não tem nada para levar lembrem que: HÁ TEMPO.
Enquanto Deus nos permitir ficar na Terra, HÁ TEMPO, para fazermos algum serviço no Bem seja ao próximo ou a nós mesmos: estudar, aprender uma língua, uma arte, praticar um esporte. Enquanto respirarmos no corpo perguntemos: “O QUE DEUS QUER QUE EU FAÇA?” Usemos bem o fluido que nos foi disponibilizado.
ATENÇÃO: a vida bem vivida pela causa do Bem pode nos dar “MORATÓRIA”, ou seja, uma sobrevida, uma dilatação do tempo de permanência do Espírito no corpo de carne. Por isso vemos muitos trabalhadores do BEM desencarnando com idade bem avançada. Estes receberão uma carga extra de fluido vital para estender seu tempo no corpo físico.
Então, há idosos em caráter expiatório e em caráter de moratória.


Rudymara compilou este texto da palestra de José Raul Teixeira e de Richard Simonetti

CARIDADE


Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?
Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.
Questão n° 886 (Das Leis Morais, em O Livro dos Espíritos).

Muitos centros espíritas levam o nome Amor e Caridade. Evidentemente não imaginavam seus fundadores tivessem o mesmo significado, algo como Luz e Claridade ou Paz e Tranquilidade.
Caridade seria na ótica de O Livro dos Espíritos:
Benevolência, que se exprime na boa vontade e na disposição para praticar o Bem;
Indulgência, que é clemência e misericórdia para com as imperfeições alheias;
Perdão, que é o ato de desculpar ofensas.
Exercício de benevolência: Trabalho em favor do semelhante.
Exercício de indulgência: Solidariedade em face das limitações e fraquezas do próximo, evitando discriminá-lo.
Exercício de perdão: Esquecimento do mal que se tenha sofrido de alguém, num ato de tolerância esclarecida que se exprime na compreensão.
Talvez tenhamos aí a origem da máxima de Kardec Trabalho, Solidariedade e Tolerância, a orientar a ação espírita. Sem tais princípios não há a possibilidade de um entendimento perfeito entre os homens na construção de um mundo melhor.
E o Amor?
Amor é afeição profunda. É gostar muito. Ê, em sua acepção mais nobre, querer o bem de alguém na doação de si mesmo.
Decantado pelos poetas e exaltado pelos sonhadores, o Amor é abençoado sol que ilumina e aquece os escabrosos caminhos humanos.
Só há um problema: é impossível sustentá-lo, torná-lo operoso e produtivo sem o combustível da caridade.
No passado muitos religiosos instalavam-se em lugares ermos, impondo-se privações e flagícios como sacrifício em favor da Humanidade. Em sua maioria apenas comprometeram-se em excentricidades e desequilíbrios. Sem caridade o amor pelo semelhante pode converter-se em perturbadora paixão por nós mesmos...
O apóstolo Paulo vai bem mais longe ao assunto (I Coríntios 13:1-3), quando destaca que ainda que detenhamos o verbo mais sublime, a mediunidade mais apurada, o conhecimento mais profundo, a convicção mais poderosa, o desapego mais amplo e inabalável destemor da morte, isso tudo pouco valerá se faltar a caridade, isto é, se não estivermos imbuídos do desinteresse pessoal, no desejo sincero de servir o semelhante.
E Kardec nos oferece a mesma visão da inutilidade de todas as iniciativas em favor da redenção humana, se faltar o componente básico, ao proclamar,
Fora da Caridade não há Salvação.



Richard Simonetti

terça-feira, 18 de novembro de 2014

VISITAR CEMITÉRIO


O hábito de visitar os mortos, como se o cemitério fosse sala de visitas do Além, é cultivado desde as culturas mais remotas. Mostra a tendência em confundir o indivíduo com seu corpo. Há pessoas que, em desespero ante a morte de um ente querido, o "VISITAM" diariamente. Chegam a deitar-se no túmulo. Desejam estar perto do familiar. Católicos, budistas, protestantes, muçulmanos, espíritas - somos todos espiritualistas, acreditamos na existência e sobrevivência do Espírito. Obviamente, o ser etéreo não reside no cemitério. Muitos preferem dizer que perderam o familiar, algo que mostra falta de convicção na sobrevivência do Espírito. Quem admite que a vida continua jamais afirmará que perdeu alguém. Ele simplesmente partiu. Quando dizemos "perdi um ente querido", estamos registrando sérios prejuízos emocionais. Se afirmarmos que ele partiu, haverá apenas o imposto da saudade, abençoada saudade, a mostrar que há amor em nosso coração, o sentimento supremo que nos realiza como filhos de Deus. Em datas significativas, envolvendo aniversário de casamento, de morte, finados, Natal, Ano Novo, dia dos Pais, dia das Mães, sempre pensamos neles.

PODEMOS CHORAR? Podemos chorar, é claro. Mas saibamos chorar. Que seja um choro de saudade e não de inconformação e revolta. O choro, a lamentação exagerada dos que ficaram causam sofrimento para quem partiu, porque eles precisam da nossa prece, da nossa ajuda para terem fé no futuro e confiança em Deus. Tal comportamento pode atrapalhar o reencontro com os que foram antes de nós. Porque se eles nos visitarem ou se nós os visitarmos (através do sono) nosso desequilíbrio os perturbará. Se soubermos sofrer, ao chegar a nossa vez, nos reuniremos a eles, não há dúvida nenhuma.

ENTÃO OS ESPÍRITAS NÃO VISITAM O CEMITÉRIO? Nós espíritas não visitamos os cemitérios, porque homenageamos os “vivos desencarnados” todos os dias. Mas a posição da Doutrina Espírita, quanto às homenagens (dos não espíritas), prestadas aos "MORTOS" neste Dia de Finados, ao contrário do que geralmente se pensa, é favorável, DESDE QUE SINCERAS E NÃO APENAS CONVENCIONAIS.


Compilação de Rudymara retirada de respostas de Richard Simonetti / Divaldo Franco
GRUPO DE ESTUDO ALLAN KARDEC

DEUS AJUDA QUEM SE AJUDA


(...) Pedir nas orações sucesso, uma vida melhor, passar em concurso, tirar boa nota na prova, ganhar uma competição, etc., como fruto de dádivas divinas, sem empenho de nossa parte, seria pretender que Deus tivesse preferências. Se nós, que somos infinitamente inferiores a Deus não desprivilegiamos um filho para ajudar outro, imaginemos Deus.
É importante saber que os bons espíritos (trabalhadores de Deus) procuram nos ajudar, atendendo nossas orações, dando-nos condições para enfrentarmos nossas dificuldades e resolvermos nossos problemas. Eles apenas nos inspiram, dão força, acalmam, mas o restante fica por nossa conta. Então, podemos dizer que Deus interfere em nossa vida de maneira indireta. Se fosse de maneira direta, nós ficaríamos ociosos, preguiçosos, omissos, esperando que tudo venha de mãos beijadas do Céu.

“Deus ajuda aos que se ajudam a si mesmos, e não aos que tudo esperam do socorro alheio, sem usar as próprias capacidades: AJUDA-TE, E O CÉU TE AJUDARÁ”


Richard Simonetti

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

COM QUE OBJETIVO REENCARNAMOS?


No livro "Vida Antes da Vida", a Dra. Helen Wambach, psicóloga norte-americana, reporta-se à experiência de regressão de memória que fez com centenas de voluntários, levando-os ao limiar da presente existência.
Dentre variadas perguntas apresentadas, uma foi fundamental: "Com que objetivo você reencarnou?"
25% reencarnaram para desenvolver experiências de aprendizado sobre si mesmo e sobre a vida.
18% reencarnaram para se harmonizar com seus familiares.
18% reencarnaram para cultivar os valores do amor, aprendendo a se doar em favor dos semelhantes.
27% reencarnaram para crescer espiritualmente vinculando-se à orientação das pessoas.
Os restantes 12% tinham objetivos variados:
- Reencarnei para vencer o medo. . .
- Reencarnei para livrar-me do materialismo. . .
- Reencarnei para cultivar a humildade. . .
- Reencarnei para exercitar uma liderança construtiva. . .
- Reencarnei para treinar o contato com os irmãos do espaço. . .
Diz a psicóloga: “Em síntese, as razões para as pessoas escolherem esta vida na Terra não foram especificamente, com vistas ao desenvolvimento de seus talentos. Ao invés disso, os objetivos consistiam em aprender a se relacionarem com outros e a amarem sem exigências ou possessividade.”
Outro aspecto muito interessante:
Quase todos traziam uma orientação básica para que pudessem cumprir sua programação - fazer ao semelhante o bem que gostariam de receber dele.
A regra áurea de Jesus surge como a suprema orientação do Espírito ao reencarnar.
Assim como as pessoas pesquisadas por Helen Wambach, muitos de nós reencarnamos com propósitos edificantes, relacionados com nosso progresso, o combate aos vícios e às paixões, o domínio sobre nós mesmos, a prática do Bem, o empenho de renovação.
Uma perguntinha: “Estamos cumprindo essa programação?”
E mais: “Não serão nossas angústias e inquietações, desajustes e perturbações, dores e enfermidades, a mera consequência do descompasso entre o que planejamos e o que fazemos?”
Um bom assunto para conversar com nossos botões. . .


Richard Simonetti

COMO NOS SINTONIZAR COM OS BONS ESPÍRITOS?


No livro “Sexo e Destino”, André Luiz relata o caso de uma jovem que havia marcado um encontro amoroso que poderia ter consequências fatais. Benfeitores desencarnados procuraram desviar o rumo dos acontecimentos. Mas ainda aqui é importante a questão sintonia. SE OS ESPÍRITOS NÃO ENCONTRAM INSTRUMENTOS EM CONDIÇÕES DE AJUDÁ-LOS A SUA AÇÃO É LIMITADA. Diz André Luiz: “Necessitava desdobrar medidas de proteção; entender-me com algum amigo encarnado, em ligação com o grupo; sugerir providências que evitasse a consumação do projeto; criar circunstâncias em que o socorro chegasse em nome do acaso, entretanto... Em vão, girei da pensão alegre ao Banco, do Banco ao apartamento no Flamengo... Ninguém estendendo antenas espirituais, com possibilidades de auxílio, ninguém orando, ninguém refletindo... Em todos os lugares, pensamentos enraizados de sexo e finanças, configurando cenas de prazeres e lucros, com receptividade frustrada para qualquer interesse de outro tipo...”
Sem encontrar apoio no plano físico não foi possível evitar o encontro que, como temiam os amigos invisíveis, teve lamentável desfecho.

OBSERVAÇÃO: "Vejam que André Luiz não conseguiu ajudá-la porque não encontrou ninguém que estivesse com o pensamento voltado a coisas mais elevadas. Somos como um rádio emitimos ondas de nossos pensamentos que poderão ser captados pelos espíritos. Se for pensamento elevado nos conectaremos com bons espíritos. Se for pensamentos inferiores nos conectaremos com espíritos inferiores." (Rudymara)

"Quantas vezes os Espíritos nos terão procurado, pelos condutos da mediunidade, para atender a casos talvez não tão graves como o relato acima, mas em que a nossa atuação poderia significar conforto para um coração atribulado, ou socorro para o necessitado?
Para que colhamos plenamente os benefícios do contato com os amigos espirituais não podemos esquecer um detalhe: É PRECISO QUE FAÇAMOS NOSSA PARTE. Algo fundamental em relação aos anjos de guarda:

• estão perto de nós e nos inspiram para que busquemos a razão nos valores espirituais e que nos desapeguemos aos vícios e paixões da vida material.
• Aproximam-se quando cultivamos o bem e a verdade.
• Afastam-se quando nos prendemos a interesses rasteiros.
• Instrumento de nossa comunhão com eles: a oração.
Os Espíritos jamais deixarão de nos ajudar, desde que, ligados a eles pela oração, pelos bons pensamentos, pelas boas atitudes, disponhamo-nos a fazer nossa parte. Pois, eles não interferem em nosso livre-arbítrio e não são nossas babás.
Isto está bem claro na máxima enfatizada por Kardec, em "O Evangelho Segundo o Espiritismo":
 “Ajuda-te que o Céu te ajudará".
Não imaginemos o anjo da guarda como um pajem a nos acompanhar nas 24 horas do dia, como se fôssemos criancinhas. Essencialmente ele é o mentor que, pelos condutos da inspiração, busca nos orientar nos momentos mais importantes, estimulando-nos ao bem."


Richard Simonetti

GRUPO DE ESTUDO ALLAN KARDEC 

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Nascimento dos espíritos



PINGA-FOGO


Diríamos que há uma “gestação” no ventre da Natureza, com prolongado estágio entre os seres inferiores, envolvendo milhares de anos, sob orientação de técnicos da espiritualidade e os estímulos do instinto.

3 – Isso significa que animais e vegetais têm Espírito?

Possuem um princípio espiritual. Ao perpassar de longas eras ele desenvolve-se em complexidade, até atingir o estágio que lhe permita exercitar a razão. Paralelamente, conquista o livre arbítrio e passa a desdobrar suas experiências evolutivas não mais sob o domínio dos instintos, mas a partir de suas próprias iniciativas.

4 – Um rato, um cachorro, um inseto, uma ave, um peixe ou qualquer vegetal, todos possuem um princípio espiritual em evolução? E todos serão um dia Espíritos?

Exatamente. Não há vida sem a contraparte espiritual. O princípio espiritual, que a todos anima, será Espírito, o ser pensante, um dia. Há uma unidade de vistas na obra da Criação. Deus não admite privilégios. Estamos todos a caminho de gloriosa destinação.

5 – Isso explica por que há indivíduos que guardam um jeito animalizado, agressivos como um leão, covardes como uma hiena, venenosos como uma cobra… Estagiaram por lá há pouco?

Comportamentos dessa natureza revelam nossa natureza ainda mais próxima da animalidade, distante da angelitude. Todavia, não revelam uma influência próxima, porquanto a transição do princípio espiritual, a alma dos seres inferiores, para o ser pensante, não ocorre na Terra, mas em outros planos do Infinito, demandando largo tempo.

6 – Há uma escala a ser observada pelo princípio espiritual em evolução, envolvendo espécies e raças, no reino vegetal e animal? Arbusto, árvore, inseto, peixe, ave, mamíferos…

A lógica nos diz que existe esse escalonamento, mas não sabemos como se opera e não deve envolver todas as espécies e todas as raças, mesmo porque, no dinamismo da evolução, surgem e desaparecem espécies ao longo de milhões de anos que sustentam os processos evolutivos.

7 – Se o princípio espiritual passa por vários estágios nos reinos inferiores, isso significa que ele está submetido à reencarnação?

Sim, faz parte do processo. O princípio espiritual desdobra experiências reencarnatórias, sempre conduzido pelo instinto, desenvolvendo-se em complexidade, conquistando estágios superiores, até atingir condições para transformar-se num Espírito.

8 – Se o princípio espiritual que anima um cachorro é imortal e irá para a espiritualidade quando morrer seu corpo, isso significa que poderemos reencontrar animais de estimação, quando partirmos para o Além?

É possível, mas improvável, já que, normalmente, a “alma” dos animais permanece pouco tempo na espiritualidade, logo sendo reconduzida à vida física.


Autor: Richard Simonetti
Livro Espiritismo, Tudo o que Você Precisa Saber


segunda-feira, 7 de julho de 2014

UM CORPO PARA O ALÉM



O Homem é um Espírito encarnado em um corpo material.
O perispírito é o corpo semimaterial que une o Espírito ao corpo material.
Allan Kardec define o corpo espiritual como perispírito, composto a partir do prefixo grego peri, em torno. Seria, portanto, como que o “revestimento” do Espírito.
O perispírito é o elo de ligação entre o Espírito e a carne.
Daí dizer-se que o homem é composto de três partes distintas:
Espírito, perispírito e corpo físico.
Como o perispírito é uma espécie de fôrma da forma física, ao desencarnar o Espírito tende a conservar a morfologia humana. Em condições especiais pode tornar-se visível aos homens, como nos casos citados.
Há múltiplas funções exercidas pelo corpo espiritual.
Está sempre presente nos fenômenos mediúnicos. É a natureza de sua ligação com o corpo físico que vai determinar se o indivíduo terá maior ou menor sensibilidade, se terá determinada faculdade a desenvolver.
Quando alguém está extremamente debilitado fisicamente, afrouxam-se os laços perispirituais, facultando-lhe visões do mundo espiritual. Esta a razão pela qual os moribundos parecem ter alucinações, reportando-se à presença de familiares e amigos desencarnados.
Realmente os vêem.

***

A saúde subordina-se estreitamente às condições do perispírito. Grande parte dos males físicos e psíquicos que nos afetam reflete seus desajustes.
A fluidoterapia ou a aplicação do passe magnético, prática comum nos Centros Espíritas, é uma transfusão de energias que tonificam o corpo celeste, com excelentes resultados.
Melhor ainda são os cuidados profiláticos – evitar o desajuste para não se perder tempo, nem desgastar-se com ele.
O perispírito reflete a vida íntima.
Consciência tranquila, deveres cumpridos, virtude cultivada – perispírito saudável.
Consciência culpada, irresponsabilidade, envolvimento com o vício, pensamento desajustado – perispírito comprometido.
Alguns casos ilustrativos.

• A mulher que pratica o aborto habilita-se à esterilidade, tumores e infecções renitentes.

• O alcoólatra terá problemas no sistema digestivo, particularmente no fígado.

• O fumante experimentará dificuldades respiratórias, envolvendo enfisema pulmonar, bronquite, asma…

• O suicida terá desajustes e enfermidades relacionados com a natureza do suicídio, a maneira que escolheu para furtar-se aos desafios da vida.

• O maledicente experimentará limitações no exercício da palavra – distúrbios vocais, dificuldade de raciocínio.

As consequências de nossas ações gravam-se no corpo etéreo a cada gesto, a cada má palavra, a cada pensamento negativo, refletindo-se em nossos estados emocionais, a gerar variados problemas físicos e psíquicos.
Por isso, se queremos cultivar a saúde e sustentar a harmonia, é preciso que observemos preciosa orientação do apostolo Paulo (Epístola aos Filipenses, 4:8):

Tudo o que é verdadeiro,
Tudo o que é honesto,
Tudo o que é justo,
Tudo o que é puro,
Tudo o que é amável,
Tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.


Richard Simonetti

Livro Espiritismo, Uma Nova Era para a Humanidade.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

QUEM TEM MEDO DA MORTE?


A Terra é uma oficina de trabalho para os que desenvolvem atividades edificantes, em favor da própria renovação; um hospital para os que corrigem desajustes nascidos
de viciações pretéritas; uma prisão, em expiação dolorosa, para os que resgatam débitos relacionados com crimes cometidos em existências anteriores; uma escola para os que já compreendem que a vida não é mero acidente biológico, nem a existência humana uma simples jornada recreativa; mas não é o nosso lar.
Este está no plano espiritual, onde podemos viver em plenitude, sem as limitações impostas pelo corpo carnal.
Compreensível, pois, que nos preparemos, superando temores e dúvidas, inquietações e enganos, a fim de que, ao chegar nossa hora, estejamos habilitados a um retorno equilibrado e feliz.


Richard Simonetti

terça-feira, 13 de maio de 2014

PARCEIROS INVISÍVEIS


Um tipo de obsessão muito comum relaciona-se com os vícios.
O fumo, o álcool, as drogas, não produzem apenas condicionamentos físicos. Atingem também o Espírito, que ao desencarnar vê-se atormentado por irrefreável desejo.
Na impossibilidade de satisfazerem-se no Plano Espiritual, os viciados do Além procuram viciados da Terra, a fim de atender suas necessidades por um processo de associação psíquica.
É como uma manifestação mediúnica às avessas.
Ao transmitir o pensamento do Espírito que se comunica, o médium experimenta algo de seus sentimentos e sensações.
Se o comunicante está empolgado por impressões relacionadas com um acidente que o vitimou, sentindo-se traumatizado e dolorido, o mesmo ocorrerá com o médium.
Idêntico mecanismo permite ao desencarnado desfrutar das sensações de alguém que se serve de um cigarro, de uma bebida alcoólica, de uma dose de cocaína ou similar.
Assim, todo viciado é um obsidiado em potencial, facilmente envolvido por Espíritos que acentuam seu condicionamento a fim de que possam satisfazer-se também.
Geralmente o viciado sente-se nervoso, irritado, exasperado, por passar algum tempo sem atender ao vício. Trata-se de uma reação do próprio condicionamento orgânico, mas é também fruto da influência dos parceiros invisíveis, que lhes cobram a satisfação de suas necessidades.
***
E se pedirmos ajuda?
“Jesus, permita, por favor, que eu fume meu cigarro sossegado, sem parceiros indesejáveis..."
Certamente Jesus não nos atenderá, já que tem assuntos mais importantes do que favorecer nosso autoenvenenamento. O melhor mesmo é não ter vícios, isentando-nos das pressões de viciados do Além.

Richard Simonetti

Trecho do livro: UMA RAZÃO PARA VIVER 

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Manifestações de Crianças


1 – Como encarar a manifestação de uma criança apavorada, que se diz num lugar escuro, onde apanha muito?

Há três possibilidades: trata-se de uma mistificação do Espírito, com a intenção de envolver o grupo; uma fantasia anímica do médium, que guarda afinidade com crianças, ou um desajuste do comunicante, que regrediu a um comportamento infantil, como acontece, não raro com doentes mentais.

2 – E quando se trate de Espírito imaturo, desencarnado na infância, não seria interessante o esclarecimento que poderia receber?

Seria totalmente ocioso. Geralmente o adulto recém-desencarnado, sem nenhuma noção sobre a vida espiritual, enfrenta dificuldades de adaptação em virtude de seus comprometimentos com os vícios, as paixões, as ambições do mundo. A criança não tem esse problema.

3 – Por quê?

Ao reencarnar o Espírito adormece e somente começará a acordar para a vida física a partir dos sete anos, quando se completa a reencarnação. Até então não detém o comando de sua existência, nem a possibilidade de envolvimento com as seduções da vida física. Embora possa trazer tendências inferiores cultivadas em existências pretéritas, elas ainda não se manifestaram e nem o comprometeram, razão pela qual a criança é considerada o símbolo da inocência.

4 – E o que acontece com as crianças recém-desencarnadas?

São imediatamente recolhidas por familiares ou mentores, que lhes darão ampla assistência. Se forem Espíritos evoluídos, retomam a personalidade anterior. Se de mediana evolução, conservam a condição infantil, que será superada com o tempo, como ocorre com as crianças na Terra. Podem, também, retornar à reencarnação.

5 – Isso significa que crianças nunca se manifestam em reuniões mediúnicas?

Pode acontecer, mas em caráter de exceção. Um Espírito evoluído que desencarnou em tenra infância, atendendo à sua programação evolutiva, já reintegrado na vida espiritual, poderá manifestar-se como criança, com o propósito de consolar seus pais.

6 – Como deve o doutrinador agir quando lidando com suposta manifestação de criança?

Conversar normalmente, mas com a sutileza de quem sabe que está lidando com uma das três situações a que nos referimos, dispondo-se a abordar o assunto com o grupo, após a reunião, para os esclarecimentos necessários.

7 – Há grupos espíritas que se dizem especializados em doutrinar crianças desencarnadas. Como situá-los?

Provavelmente estão sendo envolvidos por Espíritos mistificadores, que exploram a ingenuidade dos participantes. As pessoas emocionam-se quando um Espírito situa-se como uma criança que estava sendo judiada num antro escuro da espiritualidade, sem considerar o absurdo de semelhante ideia. 
E onde estavam os mentores e familiares desencarnados, a permitir que isso acontecesse com um inocente?

8 – Além dos argumentos apresentados, que mais se poderia dizer para os que têm dificuldade em aceitar que crianças desencarnadas não precisam de reuniões mediúnicas para receber ajuda?

É significativo considerar que não há uma única manifestação de criança nas obras de Allan Kardec, principalmente em O Livro dos Médiuns, o grande manual de intercâmbio com o Além, nem nos livros de André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, onde temos a mais clara e objetiva visão do relacionamento entre o plano físico e espiritual.



Richard Simonetti

domingo, 20 de abril de 2014

DIREITOS E FUNÇÕES DAS MULHERES E DOS HOMENS SÃO IGUAIS?


Por isso, Allan Kardec perguntou na questão 822-a: “... uma legislação, para ser perfeitamente justa, deve consagrar a igualdade dos direitos do homem e da mulher?” E os mentores responderam: “Dos direitos sim; das funções, não. Preciso é que cada um esteja no lugar que lhe compete.”

Pretender absoluta igualdade envolvendo as funções é contrariar a própria biologia. O homem foi estruturado para o trabalho mais pesado; a mulher é convocada às responsabilidades do lar, particularmente no cuidado dos filhos. Não pretendemos reinstituir as Amélias, o retorno da mulher à condição de escrava do lar. Ela tem o direito e, mais que isso, a necessidade de desenvolver atividades na comunidade. Mas é preciso reconhecer que acima dos sucessos no campo social e profissional, está a suprema realização feminina como esposa e mãe, sustentando o lar, que é reconhecidamente a célula básica da civilização. A família pode transformar a casa de tijolos em lar, quando os membros desenvolvem os valores éticos, as responsabilidades morais.
É dentro dos lares que saem as pessoas que irão compor a sociedade. Os futuros médicos, professores, engenheiros, políticos, pais, mães, funcionários públicos, profissionais em geral. Portanto, lares equilibrados, sociedade equilibrada; lares desequilibrados, sociedade desequilibrada. A sociedade é o reflexo de nossos lares.
A renovação das criaturas se fará através da “educação”. Não da educação instrução, que recebemos nos bancos escolares, mas da educação moral, que recebemos dentro do lar. Através, principalmente, do exemplo. 
Mas, como espíritos imperfeitos podem ser bons educadores? Reconhecemos as verdadeiras educadoras não pela santidade, mas pelo “esforço” e pela “disciplina” que trouxerem como bagagem, os quais serão os alicerces firmes e sólidos da “educação”. São valores reconhecidos pelos que buscam acertar na tarefa. Então, devemos ter sempre conosco a legenda “educar-se para educar”, a fim de não esquecermos nossa necessidade de progresso. E, a cada avanço na jornada evolutiva, melhoramos nossa condição de educadores. O espírito eminentemente feminino, na sua maioria, já adquiriu na esteira das encarnações sucessivas enormes cabedais de afetividade e sensibilidade, amor e ternura, carinho e delicadeza, devido muito especialmente à doação incessante à maternidade e aos membros da família.
O aperfeiçoamento moral de todo espírito reencarnado passa inevitavelmente pelo trabalho amoroso e educativo de toda mãe terrestre, como afirma e espírito Agostinho no O Evangelho Segundo o Espiritismo cap. XIV, item 9:

“Merecei as divinas alegrias que Deus concede à maternidade, ensinando a essa criança que ela está na Terra para se aperfeiçoar, amar e abençoar.”


Richard Simonetti.

JEJUM NA VISÃO ESPÍRITA


 

 "Quando jejuarem, não mostrem uma aparência triste como os hipócritas, pois eles mudam a aparência do rosto a fim de que os outros vejam que eles estão jejuando. Eu digo verdadeiramente que eles já receberam sua plena recompensa. Ao jejuar, arrume o cabelo e lave o rosto, para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que vê em secreto. E seu Pai, que vê em secreto, o recompensará." (Mateus 6:16-18)



Moisés instituiu a prática de jejuar, e disse que era pedido divino, proclamando que Jeová castigaria aqueles que não a observassem.
Como acontece com todo culto exterior, em breve o jejum deixou de servir à religião para servir ao religioso. Os judeus submetiam-se ao jejum, não por empenho de purificação, mas apenas para mostrar que observavam com rigor os pedidos divinos.
Os fariseus, por exemplo, jejuavam duas vezes por semana. Nesses dias, para evidenciarem que isto representava sacrifício para eles, apresentavam as vestes mal arrumadas, barba e cabelos em desalinho, expressão torturada. . . É provável que nem mesmo estivessem jejuando, já que o importante era a aparência.
Jesus combate o comportamento hipócrita, recomendando que o jejuante se mantenha sereno, dentro da normalidade, em sua apresentação pessoal, buscando não a apreciação dos homens, mas a aprovação de Deus.
Jejum não se trata da mera abstenção de alimentos. Algumas horas ou todo um dia ingerindo apenas líquidos é prática saudável que desintoxica o organismo, se bem orientada, mas não tem nada a ver com nossa edificação espiritual. Se fosse assim, multidões que estão abaixo da linha da pobreza, submetidas a um jejum permanente, não por opção, mas por carência, seriam criaturas santas. Pelo contrário, fome e agressividade, geralmente, dão-se as mãos. O jejum a que se refere Jesus é de ordem MORAL. Se quisermos nos renovar, é necessário combater nossas mazelas, cultivando a Virtude e o Bem.
Então, nos períodos de jejum é preciso seguir a recomendação de Jesus: erguer a cabeça, mantendo expressão serena, calando a própria dor, confiantes em Deus. E Ele, que tudo vê, encontrará em nós a posição ideal para que nos possa ajudar.

RICHARD SIMONETTI