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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

FÉ E TRABALHO


Na hora difícil em que a provação na Terra se torna mais aguda soam as clarinadas da mensagem evangélica de Jesus, concitando-nos às tarefas de salvação!
Compete-nos, como aprendizes do aperfeiçoamento, o cumprimento dos desideratos inspirados pelas esferas superiores da Espiritualidade Maior.
Em toda parte há dor a reclamar alívio, desespero a reivindicar consolo e trevas a suplicar a luz da orientação espiritual.
Cultivemos a bênção das lições evangélicas, sementes de luz a clarear os caminhos dos trânsfugas da evolução.
No entanto, não entesouremos os dons que nos competem partilhar com os necessitados de todo o jaez, mas, sim, transformemo-nos em celeiros operantes de luz, como a lâmpada sobre o candeeiro, espalhando a consolação espírita em todos os quadrantes do planeta.


Eurípedes Barsanulfo
Psicografia de Pedro Oliveira Mundim

segunda-feira, 28 de julho de 2014

SERENIDADE E PACIÊNCIA





Meus caros amigos:

Em nossa tarefa espiritista é preciso não esquecer o imperativo da tolerância. 
Em muitas ocasiões somos surpreendidos pela tormenta das sombras, induzindo-nos a cair no espinheiro das reações descabidas, que não operaria, ao redor de nós, senão o desequilíbrio e a perturbação que nos cabe evitar. 
Em semelhantes momentos o golpe da perseguição e o brio ultrajado constrangem-nos à defesa aparentemente justa. No entanto, ainda aí é indispensável nossa acomodação com o silêncio e com a prece, para melhor discernir a atitude que nos compete. 
O Senhor, na oração, revelar-nos-á o impositivo da serenidade e da paciência. 
E a verdade cristalina ensinar-nos-á a enxergar o desespero onde prevalece a mentira, a loucura onde surgem o azedume e a condenação. 
No coração governado pelo amor de Jesus, não há lugar para a dignidade ferida, porque a dignidade do discípulo do Evangelho brilha, acima de tudo, no perdão incondicional das ofensas e no serviço incessante à extensão do bem. 
A língua acusadora ou ingrata é bastante infeliz por si mesma e as mãos que apedrejam e dilaceram trazem consigo o suficiente infortúnio.
Abstenhamo-nos, pois, de julgar, não porque nos faleçam conhecimentos ou valor, mas porque somos servidores da causa do Cristo e, somente ao Senhor, cabe à supervisão da obra redentora a que fomos chamados. 
Não vale precipitar ações e conclusões. 
Nem basta simplesmente convencer. 
A tolerância construtiva do bem que não repousa ser-nos-á infatigável guardiã no espaço e no tempo, favorecendo a outros, tanto quanto a nós mesmos, a visão clara da vida. 
Exercê-la é preservar o sublime trabalho que nos foi confiado, aproveitando a dor e obstáculo como recursos preciosos de nossa união fraternal, junto ao tesouro da experiência evangélica. 
Saibamos, assim, desculpar as trevas em suas arremetidas inúteis, valorizando a luz que o Divino Mestre nos concedeu para o caminho de ascensão. 
Recordemos que a Ele próprio não se reservou, na Terra, senão a cruz do supremo sacrifício, da qual endereçou ao mundo inteiro a bênção do silêncio e da humildade, do perdão e da renúncia por mensagem maior. 
Atentos, desse modo, aos nossos compromissos com a verdadeira fraternidade, estejamos vigilantes, entre a riqueza do trabalho e a graça da oração em nossos santuários de serviço, na convicção de que o campo de nossas atividades pertence ao Mestre e Senhor. 
E, na certeza de que, agindo sob as normas do amor de que somos depositários, tê-lo-emos em toda a parte por Advogado infalível a pronunciar-se por nós no momento oportuno.

Eurípedes Barsanulfo
Psicografia de Chico Xavier

OS NOVOS SAMARITANOS




Quem ainda não caiu nos resvaladouros do erro?
Quem ainda não se viu forçado a reerguer-se de muitas quedas?
Tange as fibras do coração e estende a indulgência, servindo aos companheiros que o açoite da provação flagela e vergasta.
Ei-los que surgem por toda parte:
O doente recluso no manicômio, expirando a míngua de luz, no crepúsculo da existência...
A jovem acidentada cujos olhos empalidecem para não mais fitarem o azul do céu.
O moço que ostenta a saúde a brincar-lhe no corpo e a irreflexão a empurrar-lhe a alma para os antros do vício...
A mulher que resume ao mesmo tempo e ternura de mil mãezinhas, ao enlaçar o filhinho amado e enfermo, desfalecente e já sem forças para chorar...
O homem de passo errante que se estira de cansaço sobre passeios e bancos da via pública, tentando conciliar o sono sem sonhos do supremo infortúnio...
O cultivador do solo, preso a dores antigas e que não troca de vestimenta há vários meses de intensa luta...
A dama elegante e bela que traz o coração repleto de enganos sob o colo estrelado de joias...
O ébrio de olhar sem brilho e de lábios sem cor, que avança para o sepulcro, cambaleando aos soluços dos filhos entregues à ignorância e à necessidade...
A velhinha encarquilhada que ainda busca coser farrapos de velhos sonhos...
O sentenciado infeliz cuja consolação é somente ouvir a orquestra dos passarinhos sobre as telhas do cárcere...
Construindo o bem sem alarde, no sublime anonimato do amor fraterno, os espíritas podem e devem ser os novos samaritanos, em plena vida de hoje.
Embora humildes e pequeninos, mas convictos de que desfrutamos a Eternidade, na qual já podemos viver felizes, sigamos Jesus, o Excelso Timoneiro, acompanhando a marcha gloriosa de suor e de luta em que porfiam incansavelmente os nossos benfeitores abnegados – os Espíritos de Escol.

Eurípedes Barsanulfo
O Espírito da Verdade - Chico Xavier