domingo, 10 de maio de 2015

O ESPIRITISMO E A PÁSCOA




O Espiritismo não celebra a Páscoa, mas respeita as manifestações de religiosidade das diversas igrejas cristãs, e também não proíbe que seus adeptos manifestem sua religiosidade.
Páscoa, ou Passagem, simboliza a libertação do povo hebreu da escravidão sofrida durante séculos no Egito, mas o Cristianismo comemora a ressurreição do Cristo, que se deu na Páscoa judaica do ano 33 da nossa era, e celebra a continuidade da vida.
O Espiritismo, embora sendo uma Doutrina Cristã, entende de forma diferente alguns dos ensinamentos das Igrejas Cristãs. Na questão da ressurreição, para nós, espíritas, Jesus apareceu à Maria de Magdala e aos discípulos, com seu corpo espiritual, que chamamos de perispírito. Entendemos que não houve uma ressurreição corporal, física. Jesus de Nazaré não precisou derrogar as leis naturais do nosso mundo para firmar o seu conceito de missionário. A sua doutrina de amor e perdão é muito maior que qualquer milagre, até mesmo a ressurreição.
Isto não invalida a Festa da Páscoa se a encararmos no seu simbolismo. A Páscoa Judaica pode ser interpretada como a nossa libertação da ignorância, das mazelas humanas, para o conhecimento, o comportamento ético-moral. A travessia do Mar Vermelho representa as dificuldades para a transformação. A Páscoa Cristã representa a vitória da vida sobre a morte, do sacrifício pela verdade e pelo amor. Jesus de Nazaré demonstrou que pode-se executar homens, mas não se consegue matar as grandes ideias renovadoras, os grandes exemplos de amor ao próximo e de valorização da vida.
Como a Páscoa Cristã representa a vitória da vida sobre a morte, queremos deixar firmado o conceito que aprendemos no Espiritismo, que a vida só pode ser definida pelo amor, e o amor pela vida. Foi por isso que Jesus de Nazaré afirmou que veio ao mundo para que tivéssemos vida em abundância, isto é, plena de amor.

Amílcar Del Chiaro Filho
Este artigo foi publicado na íntegra pela Revista Católica 'Missões' - da Ordem Consolata.
Fonte: Espírita na Net

Os bastidores do livro dos espíritos



Na sala principal de uma mansão em Paris, um grupo de senhores elegantes observa em silêncio a garota de 14 anos. Julie Baudin está sentada em frente a uma mesa redonda e segura um estranho objeto – uma cesta com um lápis encaixado na borda, que risca letras em espiral. Cada palavra é analisada atentamente por um dos homens. A garota parece não saber por que os adultos olham para ela tão concentrados – volta e meia ela ri e faz algum comentário engraçado. Suas mãos, porém, desenham no papel frases que em poucos meses irão fundar uma religião: o espiritismo.
Publicado pela primeira vez em 1857, o Livro dos Espíritos foi organizado em cerca de 20 meses pelo professor francês Allan Kardec, que coordenou longas reuniões com médiuns, fazendo perguntas a eles e colhendo respostas que acreditava vir dos espíritos. Dos vários médiuns que contribuíram para o livro, 3 garotas se destacam. Julie e Caroline Baudin, de 15 e 18 anos, e Ruth Japhet, de 20. Organizando as respostas para 501 perguntas sobre o Universo, Kardec criou a doutrina e visão de mundo do espiritismo, fazendo dele muito mais que uma diversão da burguesia parisiense.
Na época, os fenômenos mediúnicos serviam como passatempo nos salões de Paris, que começava a ganhar ares cosmopolitas. A partir de 1850, a cidade passou por uma grande reforma. Ruelas medievais e casebres deram lugar a avenidas largas e bulevares que convergiam no Arco do Triunfo, símbolo da força da modernidade e da nova burguesia francesa. Com novos parques, a cidade se preparava para virar o século como a Cidade das Luzes. Era tempo de revolução industrial e descobertas científicas, que tornavam o homem capaz de explicar e interferir nos fenômenos ao seu redor. Ou em quase todos.
Porque no meio de toda essa modernidade, as mesas girantes eram uma febre que assolava a Paris de 1850. Eram comuns as reuniões em salões culturais ou mansões de senhoras da sociedade, nos quais as pessoas iam para girar mesas apenas com o poder da concentração. “Toda a Europa tem o espírito voltado para uma experiência que consiste em fazer girar uma mesa”, afirmou o jornal L’Illustration do dia 14 de maio de 1853. “Ide por aqui, ide por ali, nos grandes salões, nas mais humildes mansardas, no atelier do pintor – e vereis pessoas gravemente assentadas em torno de uma mesa vazia, que elas contemplam à semelhança daqueles crentes que passam a vida a olhar seus umbigos.” Nas reuniões, havia poetas, intelectuais e nobres. O poeta Victor Hugo era frequentador assíduo das reuniões e chegou a escrever que “negar a atenção a que tem direito o espiritismo é desviar a atenção da verdade”.
Numa noite de maio de 1855, a reunião das mesas girantes aconteceu na casa de uma senhora chamada Plainemaison. Uma das pessoas que compareceu à reunião foi Hippolyte Léon Denizard Rivail, um professor de ciências de 50 anos. Mais tarde, ele contaria como a visita o deixou impressionado. As mesas, segundo ele, não só giravam como batiam no chão e se moviam “em condições que não deixam margem a qualquer dúvida”. A reunião na casa da Sra. Plainemaison deixou Rivail aturdido. “Entrevi naquelas aparentes futilidades, no passatempo que faziam daqueles fenômenos, qualquer coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei, que tomei a mim investigar a fundo”, escreveria o professor, anos depois.
Começam as sessões
Rivail passou meses observando o fenômeno naquela e em outras casas da cidade, como a dos Boudin, que tinham duas filhas que acreditavam ser médiuns. O mais estarrecedor era que as mesas pareciam não só rodar como também falar. Isso mesmo: pareciam indicar letras com pancadas no chão e, quando interrogadas, moviam-se para a direita ou esquerda, tentando comunicar “sim” ou “não”. “Se as pessoas viam o fenômeno como uma diversão, Rivail ia às reuniões de mesas girantes como um cientista. Fazia perguntas sérias e anotava as respostas que obtinha”, diz o médium e jornalista Jorge Rizzini. Em abril de 1856, 11 meses depois da primeira visita a uma daquelas reuniões, a mensagem da mesa perturbou ainda mais aquele professor de ciências. Um espírito teria escolhido Rivail para reunir e publicar os ensinamentos que ele obtinha nas mesas. Rivail não acreditou e pediu que o espírito repetisse a mensagem. “Confirmo o que foi dito, mas recomendo discrição, se quiser se sair bem. Tomará mais tarde conhecimento de coisas que agora o surpreendem”, foi a mensagem que ele recebeu como resposta.
Assim o trabalho começou. Todas as terças-feiras, Rivail frequentava a casa da senhora Boudin. Julie, a moça de 14 anos, e sua irmã Caroline, de 16, psicografaram quase todas as questões do Livro dos Espíritos. Como a identidade das duas foi mantida em segredo por muitos anos, sabe-se pouco sobre elas. O que se sabe é que Julie era uma médium passiva, inconsciente do que escrevia. Somente achava divertido as pessoas lhe darem tanta importância. As reuniões, dirigidas pelos pais delas, não eram secretas, mas restritas a poucos convidados. Para escrever as mensagens, Julie e Caroline usavam uma cesta-de-bico, feita de vime, com 15 a 20 centímetros de diâmetro e uma espécie de bico com um lápis na ponta. “Pondo o médium os dedos na borda da cesta, o aparelho todo se agita e o lápis começa a escrever”, contou Kardec em O Livro dos Médiuns. Com o tempo, as garotas passaram a usar a psicografia direta, mesmo método usado mais tarde pelo brasileiro Chico Xavier.
Diante delas, Rivail fazia perguntas que nós, mortais, sempre quisemos fazer a quem passa pela morte e volta para contar. A 4ª pergunta do Livro dos Espíritos, por exemplo, é “Poderíamos dizer que Deus é infinito?” E a resposta: “Definição incompleta. Pobreza da linguagem dos homens, insuficiente para definir coisas acima de sua inteligência”. A 150ª é “A alma, após a morte, conserva sua individualidade? Sim, nunca a perde. O que seria ela se não a conservasse?”
As respostas que Caroline e Julie psicografavam eram revistas, analisadas e muitas vezes comparadas a outras mensagens. Na fase de revisão, a médium que mais contribuiu foi Ruth Japhet, uma médium sonâmbula que tinha mais de 50 cadernos com mensagens que psicografava à noite. Para Rivail, a revisão era necessária, primeiro, por causa da dificuldade em se entender o que os espíritos diziam. Segundo, porque, para ele, os espíritos não eram donos de toda a sabedoria do Universo. “Um dos primeiros resultados das minhas observações foi que os espíritos, não sendo senão as almas dos homens, não tinham nem a soberana sabedoria nem a soberana ciência; que seu saber era limitado ao grau de adiantamento; e que a opinião deles não tinha senão o valor de uma opinião pessoal”, escreveu ele em O Livro dos Médiuns. Por isso, Kardec afirmava que muitas mensagens de entidades eram ignoradas, ou por terem gracejos ofensivos ou por não fazerem sentido. Também por esse motivo, quanto mais médiuns participassem da composição do livro, melhor. Segundo ele, mais de 10 deles contribuíram na 1ª edição da obra.
Quando Rivail acabou de editar as perguntas, surgiu um problema: qual seria o título e quem deveria assinar a obra? Como não se considerava autor, e sim um organizador, deu o nome óbvio: O Livro dos Espíritos. Mas alguém precisava assiná-lo. “Rivail consultou os espíritos e uma entidade deu a ele o nome de Allan Kardec, porque esse tinha sido o nome que ele teve numa vida passada, como um sacerdote druida.” Assim surgiu o nome do pai do espiritismo.
Em 18 de abril de 1857, os primeiros exemplares sairiam da Tipografia de Beau, em Saint-Germain-en-Laye, cidade vizinha a Paris. O livro rapidamente correu o mundo e criou polêmica, provocando protestos de padres e cientistas céticos, mas atraindo a atenção de outros médiuns, que entraram em contato com Kardec. O pai do espiritismo viu que seu trabalho ainda não estava terminado. Eram tantas novas revelações que ele decidiu revisar mais uma vez e estender o livro. A 2ª edição, definitiva, contém 1 019 perguntas. A última delas é “O reino do bem poderá um dia realizar-se na Terra?” Parte da resposta é: “O bem reinará na Terra quando, entre os espíritos que vêm habitá-la, os bons predominarem sobre os maus; então eles farão reinar na Terra o amor e a justiça, que são a fonte do bem e da felicidade”. Estava criado o livro e, com ele, uma nova religião para os homens.


FONTE: http://super.abril.com.br/religiao/bastidores-livro-espiritos-447680.shtml

Pornografia na visão espírita



DEFINIÇÃO: Figuras, fotografias, filmes, espetáculos, obras literárias ou de arte, etc., relativos à, ou que tratam de coisas ou assuntos obscenos ou licenciosos, capazes de motivar ou explorar o lado sexual do indivíduo. devassidão – libidinagem. Há algumas décadas, as produções pornográficas limitavam-se a pequenos “guetos”, onde as pessoas vinculadas a desvios sexuais, buscavam os espetáculos de sexo explícito, filmes e revistas.
Com o desenvolvimento tecnológico atual, a exploração do lado negativo da sexualidade rompeu fronteiras e através dos meios de comunicação, atingiu nossos lares sem qualquer dificuldade ou pudor. Nas novelas, o talento artístico e a trama envolvendo os personagens, cederam lugar à exibição de corpos desnudos e relacionamentos carregados de sensualidade, que dão a conotação de cenas de sexo explícito; nos programas vespertinos, destinados a um público entre infantil e adolescente, a expressão “ficar”, substituiu outras como namorar e noivar.
Os comerciais, ao invés de ressaltarem as qualidades ou vantagens do produto, exibem mulheres seminuas; os jornais, inclusive os mais conceituados, publicam em seus classificados, ofertas de homens e mulheres que mercadejam o sexo; nas TV’s a cabo existem canais que exibem filmes de sexo explícito 24 horas por dia.
Navegando pela INTERNET, não é incomum sermos surpreendidos, na tela em utilização, por anúncios pornográficos; além do que, convém ressaltar o enorme perigo das salas de batepapo, onde práticas de pedofilia e o chamado sexo virtual já causaram a morte de jovens, atraídos pelos maníacos que por lá “navegam”. No desfile de carnaval das escolas de samba do Rio de Janeiro, exibiu-se recentemente um Carro Alegórico cujos componentes simulavam a prática sexual, fato que criou polêmica e foi veiculado também em horários diurnos (o que nos reporta às descrições contidas no livro “Sexo e Obsessão” de Divaldo Pereira Franco – págs. 38 a 40).
A nossa intenção ao fazer as descrições acima, não foi a de trazer alguma novidade, ou fazer proselitismo ao falso pudor, mas a de convidar o leitor a uma reflexão em torno das causas e consequências e apresentar meios de combate a tão ignominiosa invasão em nossas mentes e lares. Qualquer medida nesse sentido deve antes passar pela visão que a doutrina espírita nos oferece em torno do sexo.
O sexo não deve ser analisado sob a ótica daqueles que o consideram pecaminoso e proibitivo, nem tampouco sob as impressões dos que desejam religá-lo ao plano da vulgaridade como mero atrito de células geradoras de prazer. O sexo é de origem divina e suas potentes energias que derramam no ser sob a forma instintiva não devem ser bloqueadas mas sim educadas no sentido de atingirem suas finalidades como força criadora que engendra o progresso espiritual da individualidade e o crescimento coletivo.
Não a castração mas sim a sublimação. Todos nós criaturas divinas, somos saturados desse potencial e convidados a aprender a administrá-lo. Já superamos as fases primárias, onde pela força bruta o homem das cavernas submetia a Pornografia êmea às suas necessidades; passamos pelas bacanais romanas, pelas “iniciações viris” dos gregos, pela poligamia e poliandria, pelos bordéis europeus, pelas proibições da religião e celibato tormentoso e porque não, pela hipocrisia da falsa virtude, até os dias atuais, onde se prega o “amor livre”.
Todas essas experiências reencarnatórias deixaram marcas incontestáveis em nosso ser e hoje se traduzem no nosso comportamento sexual.
Em matéria de sexo toda indulgência é necessária, pois nenhum de nós está em condições de atirar a primeira pedra. Porém, o momento é de finalizarmos as experiências negativas e acelerarmos o nosso crescimento espiritual, pois a carga de informações, vindas do alto, o relato de experiências de espíritos desencarnados infelicitados pelos desregramentos sexuais e o conhecimento das consequências dos nossos atos insanos não nos permite mais o adiamento da correta aplicação de nossas energias genésicas.
Essa transformação passa pelo dever de rejeitarmos todo e qualquer material pornográfico. De prepararmos aqueles espíritos que estão reencarnados sob os nossos cuidados, para modificarem as posturas de reencarnações anteriores. Sabemos que entre as funções da glândula pineal está a de bloquear os impulsos do subconsciente até determinada faixa etária, contendo também aqueles relacionados à sexualidade, o que nos permite a moldagem de uma nova visão. (vide A. Luiz – “Missionários da Luz” – Cap. 2 – pág. 20) Ideias como a de afirmação da masculinidade, geralmente passadas aos filhos por pais despreparados, devem ser combatidas e abolidas.
Nossos filhos devem crescer respeitando as mulheres, enxergando nelas, a própria mãe ou irmãs. Mais que isso, devem respeitar a si mesmos, vivendo cada fase da reencarnação e as experiências que elas oferecem, seguros de que a felicidade não está na busca incessante do prazer, mas nos ideais de amor, fraternidade, caridade e paz de espírito.
Nossas filhas devem ser educadas não segundo padrões castradores, mas conscientes dos ideais de amizade e respeito que devem ter por si, pelos pais e principalmente pelos dons divinos de que todo ser feminino foi saturado para que, através do sentimento enobrecido, possam mover as barreiras da força e do preconceito, exemplificando amor no exercício da maternidade e do sexo sadio.
Os jovens devem ser instruídos a não ceder às pressões exercidas pelas alterações hormonais ou pelas ilusões da atração física e promessas vazias, antes devem conhecer os infortúnios gerados pelo sexo extemporâneo. A realidade espiritual deve ser descortinada, as finalidades da existência, os compromissos que assumimos com os nossos atos, as companhias espirituais a que faremos jus, os processos obsessivos e vampirescos devem ser objeto de discussão no lar.
O nosso exemplo como pais, é de fundamental importância, pois jamais aconselharemos com autoridade se a nossa conduta for diversa daquilo que pregamos. Esse conhecimento não deve ser entesourado dentro de nossos lares, mas divulgado sempre que a situação permitir, respeitadas as convicções alheias.
Quanto à pornografia, é nosso dever sermos indulgentes com aqueles que a preconizam, entendendo que cada ser é criatura divina e seus potenciais de amor certamente desabrocharão no momento propício, sendo que essas manifestações de imperfeição são características do mundo de expiação e provas em que vivemos.
Devemos procurar orientar aqueles que nos buscam, mostrando as consequências infelizes do sexo em desvario, conforme nos mostra o espírito Manoel P. de Miranda através da psicografia de Divaldo Pereira Franco no livro “Sexo e Obsessão” que relata as condições do espírito que foi conhecido como Marquês de Sade, um dos precursores das práticas pornográficas.
Deve-se ressaltar que a pornografia não traz consequências apenas para aqueles que a professam, mas se constitui em fator de influenciação e causa para muitos dramas como a desagregação da família através das deserções, prostituições e vícios de toda sorte, levando os responsáveis, muitas vezes, a renascimentos em matéria disforme originados pelas lesões espirituais produzidas em seus perispíritos, como resultado dos danos causados a outrem.
E, como encerramento desse nosso artigo, pedimos licença para transcrever a primeira estrofe da oração contida no Capítulo I do livro “Sexo e Evolução” de Walter Barcelos, que exprime com fidelidade as nossas necessidades diante do sexo:

“SENHOR! EDUCA NOSSA SEXUALIDADE! Senhor Jesus! Mestre do Amor Perfeito Auxilia-nos, Na educação gradativa Do instinto sexual, Para que nós, humanos, Sejamos realmente felizes.” Roberto Lima


Oração do Lar




Mãezinha querida.
Sei que hoje serás reverenciada, com todas as Mães, em palácios festivos. Tribunas luminosas serão erguidas para elogios públicos. Entretanto, ansiava reencontrar-te, no templo do lar, que sustentaste com sacrifícios mudos.
Ouvi cânticos de profunda beleza, em louvor de teu nome, e atravessei larga fila de cartazes que te recordam na rua, mas venho rogar-te a canção de simplicidade e doçura com que me embalaste o berço.
Árvore generosa, que me abrigaste o ninho de esperança, ensina-me como pudeste resistir às tempestades que te sacudiram os ramos! Estrela, que me clareaste os passos primeiros, entre as sombras do mundo, conta-me o que fizeste para brilhar sem fadiga, na longa noite do sofrimento!...
Escutei muitos mestres e folheei muitos livros, no entanto, nenhum deles me falou tão intensamente de Deus quanto à linguagem silenciosa dos teus beijos de ternura e as letras divinas a transparecerem, inexplicadas, dos calos de trabalho que te marcam as mãos.
Associando-me às homenagens com que te honram lá fora, procuro inutilmente exprimir o amor que me inspiras e busco, em vão, externar reconhecimento e alegria, porque as palavras me desfalecem na boca... Quero proclamar que és a rainha, de nossa casa e tento envolver-te a cabeça cansada com as flores de meu carinho, contudo, vejo-te a coroa de lágrimas em forma de fios brancos e nada mais consigo dizer senão que sinto remorso, pensando nas dores e nas aflições que te dei.

Por: Meimei

Psicografia: Francisco Cândido Xavier