terça-feira, 1 de outubro de 2013

PROTETOR ESPIRITUAL


É o espírito (desencarnado) que se incumbe de um outro espírito na etapa encarnatória – todas as pessoas possuem um.
Geralmente são designados espíritos afins e simpáticos para estabelecerem tal relação. Um protetor espiritual é via de regra, um Espírito mais evoluído que o seu protegido. Não raro se vêem mães guiando filhos ou maridos guiando esposas, e assim por diante.
Um protetor acompanha o seu protegido oferecendo apoio num momento de sofrimento, esclarecendo numa hora de dúvida, ajuda num instante de perigo, etc.

As pessoas mesmo sem perceber estão submetidas a influencia benévola desse protetor constantemente e, ao mínimo pensamento feito a ele, o bondoso espírito se faz presente e exerce sua tarefa caridosa e despretensiosa.
Um protetor está profundamente ligado a seu protegido por motivos de afinidade espiritual e sempre executa sua missão com um sentimento espontâneo de ajuda, porquanto essa ajuda também significa o seu próprio desenvolvimento e evolução.
Esse espírito missionário, consiste no amigo constante e amoroso que Deus proporciona a todos os encarnados na difícil etapa carnal, é comumente chamado de mentor espiritual.

Quando o espírito atinge o ponto de poder, guia-se a si mesmo, deixa de precisar do seu protetor. Isso, porém não se dá na Terra.
Os protetores espirituais não poderão de forma alguma, afastar as dificuldades materiais dos seus caminhos evolutivos sobre a face da terra.

Os maiores obstáculos psíquicos antepostos pelo homem terrestre aos seus amigos e mentores da espiritualidade, são oriundos da ausência de humildade sincera nos corações, para o exame da própria situação de temos como exemplos:

1. O egoísmo
2. A rebeldia
3. E a necessidade de sofrimento

Um protetor espiritual poderá cooperar sempre em vossos trabalhos, seja auxiliando-vos nas dificuldades, de maneira indireta ou confortando-vos na dor, estimulando-vos para a edificação moral, imprescindível para a iluminação de cada um, entretanto não deveis tomar as suas expressões fraternas por promessa formal no campo das realizações do mundo, porquanto essas realizações dependem de vosso esforço próprio e se acham entrosadas no mecanismo das provações indispensáveis ao vosso aperfeiçoamento.

Muitas das nossas queixas são consideradas verdadeiras preces dignas de toda a carinhosa atenção dos amigos desencarnados. A maioria, porém não passa de lamentação estéril, a que o homem se acostumou como a um vício qualquer, porque se tendes nas mãos o remédio eficaz com o Evangelho de Jesus e com os consoladores esclarecimentos da Doutrina dos Espíritos, a repetição de certas queixas traduz má vontade na aplicação legitima do conhecimento espiritista à vós mesmos.

Muitos pensam que seu Espírito Protetor seja um ser elevadíssimo, um Espírito Superior – isso é uma presunção – Temos diversos espíritos que se interessam por nossa proteção e desenvolvimento, não resta dúvida, mas que os mesmos sejam de Ordem Superior é pura vaidade de nossa parte, contudo são melhores do que nós, pois não se justificaria que um inferior protegesse um mais elevado.

Assim sendo todos nós temos os nossos guardiões, segundo as nossas condições evolutivas. Entretanto, é necessário lembrar que há uma hierarquia em todos os planos, tendo em vista que quando o problema escapa a competência do mentor do protegido, ele solicita do seu superior a necessária intervenção. Outro aspecto a ser considerado é o da efetiva e ininterrupta assistência do mentor ao seu pupilo. Quando os espíritos disseram que o protetor espiritual se liga ao seu protegido, não significa uma constante assistência, mas sim um compromisso com aquela criatura, ajudando-a sempre que necessário, seja pela evocação feita pelo tutelado ou pelos vigilantes deste, que são os espíritos familiares ou afins. Caso contrário o protetor não disporia de tempo para os estudos (o espírito evolui eternamente) ou para outras tarefas.

Lembremo-nos também que temos a companhia que estivermos invocando pelas nossas condições mentais as quais variam, segundo as nossas atitudes, se estivermos voltados para os anseios carnais ou violentos, não poderemos ser ajudados pelos nossos benfeitores, porque ao afinar com as entidades inferiores, automaticamente estaremos repelindo, sintomaticamente, aqueles que nos querem ajudar.
 
É oculta a ação dos espíritos sobre a nossa existência e quando nos protegem não o fazem de modo ostensivo. Se vos fosse dado saber sempre com a ação deles, não obraríeis por vós mesmos e o vosso espírito não progrediria. Para que este possa adiantar-se, precisa de experiência, adquirindo-a frequentemente a sua custa.
A ação dos espíritos que nos querem bem é sempre regulada de maneira que não vos tire o livre-arbítrio, porquanto se não tivésseis responsabilidade, não avançaríeis senda que vos há de
conduzir a Deus.

Quando um espírito protetor deixa que seu protegido se transvie na vida, não é porque não possa intervir contra os espíritos maléficos. Mas porque não deve. E não quer porque das provas sai o seu protegido mais instruído e perfeito. Assiste-o sempre com os seus conselhos dando-os por meio dos bons pensamentos que lhe inspira porem que quase nunca são atendidos. A fraqueza, o descuido ou o orgulho do homem são exclusivamente o que empresta força aos maus espíritos, cujo poder todo advém do fato de lhes não opordes resistência.

Quando o espírito protetor consegue trazer ao bom caminho o seu protegido, constitui isso um mérito que lhe é levado em conta, seja para seu progresso, seja para a sua felicidade. Entretanto não é o responsável pelo mau resultado de seus esforços.
Pois fez o que de si dependia.

1. Entre o auxilio e a solução vai sempre alguma distância em qualquer dificuldade, e não podemos esquecer que cada um de nós possui os seus próprios enigmas...

2. Na vida eterna, a existência no corpo físico, por mais longa, é sempre um curto período de aprendizagem. E não nos cabe esquecer que a terra é o campo onde travamos a nossa batalha evolutiva. Dentro dos princípios de causa e efeito, adquirimos os valores das experiências com que estruturamos a nossa individualidade para as esferas superiores. A mente em verdade, em verdade é o viajante buscando a meta da angelitude, contudo não avançará sem auxilio. Ninguém vive só. Os pretensos mortos precisam amparar os companheiros em estagio na matéria densa, porquanto em grande numero serão compelidos a novos mergulhos na experiência carnal. É da Lei que a sabedoria socorra a ignorância, que os melhores ajudem os menos-bons. Os homens cooperando com os espíritos esclarecidos e benevolentes, atraem simpatias para a vida espiritual, e as entidades amigas, auxiliando os reencarnados, estarão construindo facilidades para o dia de amanhã, quando tiverem de voltar à lide terrestre.

3. No mundo, habituamo-nos a esperar do céu uma solução decisiva e absoluta para inúmeros problemas que se nos deparam. Semelhante atitude, porém decorre de antiga viciação mental no planeta.

4. Dentro das leis de cooperação será justo aceitar o abraço amigo que se nos oferece para a jornada salvadora, entretanto é imprescindível não esquecer qual de nós transporta consigo questões essenciais e necessidades intransferíveis.
5. Desencarnados e encarnados, todos caminharemos extenso campo de experimentações e de provas, condizentes com os impositivos de nosso crescimento para a imortalidade (André Luiz).

O espírito protetor se dedica ao individuo desde o seu nascimento até a morte do corpo, e muitas vezes o acompanha na vida espírita, depois da morte e mesmo através de muitas existências corpóreas, que mais não são do que fases curtíssimas da vida do espírito.
Há espíritos que se ligam particularmente a um individuo para protegê-lo. É o irmão espiritual.

O espírito protetor não fica fatalmente preso à criatura confiada a sua guarda. Frequentemente sucede que alguns espíritos protetores deixam suas posições junto ao seu protegido para desempenhar diversas missões. Mas, nesse caso, outros os substituem.
Poderá dar-se que o espírito protetor abandone o seu protegido, por este se lhe mostrar rebelde aos seus conselhos. Afasta-se quando vê que seus conselhos são inúteis e que mais forte é no seu protegido a decisão de submeter-se a influencia dos espíritos inferiores. Mas não o abandona completamente e sempre se faz ouvir. É então que o homem tapa os ouvidos. O protetor volta desde que este o chame.

Não é certo dizer que cada individuo acha-se ligado ao seu protetor, pois além do mentor espiritual sempre há um mau espírito, com o fim de impeli-lo ao erro e de lhe proporcionar ocasiões de lutar entre o bem e o mal.

É certo que os maus espíritos procuram desviar do bem caminho o homem, quando se lhes depara a ocasião. Sempre, porém que um deles se liga a um individuo é porque o mesmo permitiu. Há então uma luta entre o bem e o mal, vencendo aquele por quem o homem se deixe influenciar.

É a de um pai com relação aos filhos, a de guiar o seu protegido pela senda do bem, auxiliá-lo com seus conselhos, consolá-lo nas suas aflições, levantar-lhe o ânimo nas provas da vida.
A missão do espírito protetor é obrigatória. O espírito fica obrigado a vos assistir, uma vez que aceitou esse encargo. Cabe-lhes, porém o direito de escolher seres que lhe sejam simpáticos. Para alguns é um prazer, para outros missão ou dever. Dedicando-se a uma pessoa, o espírito não deixa de proteger a outros indivíduos. Mas protege-os menos exclusivamente.
Todo homem, o selvagem ou de moral inferior e o muito adiantado, tem um espírito que por ele vela, mas as missões são relativas ao fim de que visam. O progresso do espírito protetor guarda relação com o do espírito protegido. Tendo um espírito que vela por vós, podeis tornar-vos a vosso turno, o protetor de outro que vos seja inferior e os progressos que este realiza, com o auxilio que lhe dispensardes, contribuirão para o vosso adiantamento. Deus não exige do espírito, mais do que comportem a natureza e o grau de elevação a que já chegou.

NOME DO PROTETOR

Dai-lhe o nome que quiserdes o de um espírito superior que vos inspire simpatia ou veneração. O vosso protetor acudirá ao apelo que com esse nome lhe dirigirdes, visto que todos os bons espíritos são irmãos e se assistem mutuamente.
Os protetores que dão nomes conhecidos, não são realmente, os espíritos das personalidades que tiveram esses nomes. Muitas vezes os que dão são espíritos simpáticos aos que tais nomes usaram na terra, e a mando destes respondem ao vosso chamamento.

Os espíritos familiares se ligam a certas pessoas por laços mais ou menos duráveis, com o fim de lhe serem úteis, dentro dos limites do poder, quase sempre muito restrito de que dispõe.
São bons, porém muitas vezes poucos adiantados e mesmo um tanto levianos, ocupam-se de boa mente com as particularidades da vida intima e só atuam por ordem ou com permissão dos espíritos protetores.

Os espíritos que se achavam em boa condição ao deixarem a terra, podem proteger os que lhe são caros e que lhes sobrevivem. Mais ou menos restrito é o poder de que desfrutam. A situação em que se encontram nem sempre lhes permite inteira liberdade de ação.
 
Os espíritos simpáticos são os que se sentem atraídos para o nosso lado por afeições particulares e ainda por uma certa semelhança de gostos e de sentimentos, tanto para o bem como para o mal. A duração de suas relações se acha subordinadas as circunstancias. O mau gênio é um espírito imperfeito ou perverso, que se liga ao homem para desviá-lo do bem. Obra, porém por impulso e não no desempenho de missão. A tenacidade de sua ação está em relação direta com a maior ou facilidade de acesso que encontre por parte do homem, que goza sempre da liberdade escutar-lhe a voz ou de cerrar-lhes os ouvidos. Os espíritos preferem estar no meio dos que se lhes assemelham. Acham-se ai mais a vontade e mais certos de serem ouvidos. É pelas suas tendências que o homem atrai os espíritos e isso quer esteja só, quer faça parte de um todo coletivo. Os espíritos imperfeitos se afastam dos que os repelem. O aperfeiçoamento moral do individuo, tende a afastar os maus espíritos e atrair os bons, que estimulam e alimentam nelas o sentimento do bem, como outros lhes podem insuflar as paixões grosseiras.

Não é raro, os espíritos que conosco simpatizam, atuarem em cumprimento de missão. Desempenham missão temporária, porém as mais das vezes são apenas atraídos pela identidade de pensamentos e sentimentos, assim para o bem como para o mal. É lícito dizer que os espíritos a quem somos simpáticos podem ser bons ou maus.


 Pingos de Luz

Sinais de Rumo

Sinais de Rumo

Procure compreender as dificuldades do próximo.
Não conserve ressentimentos.
Desculpe ofensas, sejam quais sejam, colocando os assuntos desagradáveis no esquecimento.
Trabalhe quanto puder, tornando-se útil quanto possível.
Mobilize o tempo de que disponha no serviço aos Semelhantes.
Adote a simplicidade por clima de Paz.
Continue aprendendo sempre.
Esqueça você mesmo, criando alegria para os outros.
Viva em Paz com a própria consciência e deixe que os Companheiros vivam a existência deles próprios.
Cultive a paciência sem ansiedade e, procedendo com os Semelhantes,
como estima que com você procedam, estará sempre no caminho da verdadeira Felicidade.

André Luiz


POR QUE ANDRÉ LUIZ FOI CONSIDERADO UM SUICIDA?


 André Luiz conta seu sofrimento, após sua desencarnação, através da mediunidade de Chico Xavier, no livro "NOSSO LAR", ao ser chamado de suicida por companheiros da zona umbralina. Até que Clarêncio, o mensageiro da luz, o resgatou após 8 anos e explicou que ele era mesmo um suicida. Que todo seu aparelho gástrico foi destruído à custa de excessos de alimentação e bebidas alcoólicas. E a sífilis (consequência de algumas leviandades) devorou energias essenciais para sua recuperação corporal pós-operatória.

Hoje, as propagandas levam multidões a buscar a maneira mais agradável de diminuir as defesas orgânicas com bebidas alcoólicas, cigarros ou excessos à mesa. Há aqueles que buscam a tranquilidade artificial tomando calmantes, ou em busca da euforia ilusória tomam alucinógenos (maconha, cocaína, etc.). Há também os vícios mentais, como os hipocondríacos (que de tanto imaginar doença, ficam doentes); os melancólicos (adoecem porque a parte psicológica está em baixa); os maledicentes (se envenenem com o mal que julgam identificar-nos outros); os rebeldes (os eternos inconformados com a vida); os apegados à família a bens terrenos (passam a vida sobrecarregando o corpo carnal com preocupações injustificáveis, sofrem antes da hora); os irritados (por falta de compreensão, favorecem o distúrbio circulatório, entupindo veias coronárias). Como vemos, muitos são os meios de nos auto-aniquilar lentamente.

Portanto, a roupagem carnal é um presente divino (uma criação de Deus) que nos permite abençoado aprendizado nas asperezas do Mundo, por isso temos que preservá-la.


GRUPO DE ESTUDO ALLAN KARDEC

Irmão Passista




Divaldo Franco, conta que na década de 50, ele e Chico Xavier tinham um amigo em comum. No entanto Divaldo o achava bastante perturbado. Numa certa noite estando em Uberaba se encontrou com esse amigo e disse: Meu irmão, como vai?-O mesmo respondeu sorridente: Bem Divaldo, e com uma grande novidade para te contar: eu agora sou PASSISTA DE CHICO XAVIER.

Divaldo, ainda começando no espiritismo achou estranho e pensou: Como pode uma pessoa tão perturbada como essa dar passe em Chico Xavier?-Oportunamente encontrou o médium de Jesus e perguntou: Chico, nosso irmão está te dando passe?
Chico Respondeu: Sim Divaldo. Ele esteve aqui ,meses atrás desesperado e se maldizendo em relação a vida. No meio da conversa me pediu para que lhe aplicasse um passe e eu respondi: Não meu irmão,me aplique você o passe. Ele se assustou e disse: Eu, Chico?Eu não tenho condições de aplicar um passe em você e eu respondi: Por que não meu irmão? Você também é um filho de Deus. Está passando por uma noite escura na vida, mas é uma pessoa extraordinária e isso logo vai passar. Aplique-me o passe.

Na hora do passe, Chico disse a Divaldo que viu mentalmente vários mentores se aproximando do irmão e como ele estava concentrado com pensamentos elevados, ficou bem mais fácil fazer a limpeza no seu campo vibratório.

Ao término do passe, o irmão “perturbado” disse :Chico, eu lhe apliquei um passe, mas me senti tão bem, e Chico,sorrindo, lhe disse: Pois é meu filho, a partir de hoje, você é o MEU MÉDIUM PASSISTA.

O irmão saiu da casa espírita da prece se sentindo bem e profundamente feliz.

PERTUBAÇÃO ESPIRITUAL


Na questão sobre a consciência que o espírito tem ao deixar o corpo (nº 163), lembro de um caso observado por André Luiz, quando ele estava em um cemitério, no capítulo 15, Aprendendo sempre:

Impressionado com os soluços que ouvia em sepulcro próximo, fui irresistivelmente levado a fazer uma observação direta. Sentada sobre a terra fofa, Infeliz mulher desencarnada, aparentando trinta e seis anos, aproximadamente, mergulhava a cabeça nas mãos, lastimando-­se em tom comovedor. Compadecido, toquei-­lhe a espádua e interroguei

— Que sente, minha irmã?
— Que sinto? — gritou ela, fixando em mim grandes olhos de louca — Não sabe? Oh! O senhor chama­-me irmã... Quem sabe me auxiliará para que minha consciência torne a si mesma? Se for possível, ajude-­me, por piedade! Não sei diferençar o real do ilusório... Conduziram-­me à casa de saúde e entrei neste pesadelo que o senhor está vendo. Tentava erguer­-se, debalde, e implorava, estendendo-­me as mãos: — Cavalheiro preciso regressar! Conduza-­me, por favor, à minha residência! Preciso retornar ao meu esposo e ao meu filhinho!... Se este pesadelo se prolongar, sou capaz de morrer!... Acorde-­me, acorde-­me!...

— Pobre criatura! — exclamei, distraído de toda a curiosidade, em face da compaixão que o triste quadro provocava — Ignora que seu corpo voltou ao leito de cinzas! Não poderá ser útil ao esposo e ao filhinho, em semelhantes condições de desespero.
Olhou-­me, angustiada, como a desfazer-­se em ataque de revolta inútil. Mas, antes que explodisse em rugidos de dor, acrescentei:
— Já orou minha amiga? Já se lembrou da Providência Divina?
— Quero um médico, depressa! Só ouço padres! — bradou irritadiça — Não posso morrer... Despertem-­me! Despertem-­me!...
— Jesus é nosso Médico Infalível — tornei — e indico-­lhe a oração como remédio providencial para que Ele a assista e cure. A infeliz, entretanto, parecia distanciada de qualquer noção de espiritualidade. Tentando agarrar-­me com as mãos cheias de manchas estranhas, embora não me alcançasse, gritou estentoricamente:

— Chamem meu marido! Não suporto mais! Estou apodrecendo!... Oh! Quem me despertará?
[...]

Fitei a infeliz e expus meu propósito de auxiliá-­la.
— É inútil — esclareceu o prestimoso guarda, equilibrado nos conhecimentos de justiça e seguro na prática, pelo convívio diário com a dor —, nossa desventurada irmã permanece sob alta desordem emocional. Completamente louca. Viveu trinta e poucos anos na carne, absolutamente distraída dos problemas espirituais que nos dizem respeito. Gozou, à saciedade, na taça da vida física. Após feliz casamento, realizado sem qualquer preparo de ordem moral, contraiu gravidez, situação esta que lhe mereceu menosprezo integral. Comparava o fenômeno orgânico em que se encontrava a ocorrências comuns, e, acentuando extravagâncias, por demonstrar falsa superioridade, precipitou-­se em condições fatais. 

Chamada ao testemunho edificante da abelha operosa, na colmeia do lar, preferiu a posição da borboleta volúvel, sequiosa de novidades efêmeras, O resultado foi funesto. Findo o parto difícil, sobrevieram infecções e febre maligna, aniquilando-­lhe o organismo. Soubemos que, nos últimos instantes, os vagidos do filhinho tenro despertaram-­lhe os instintos de mãe e a infortunada combateu ferozmente com a morte, mas foi tarde. Jungida aos despojos por conveniência dela própria, tem primado aqui pela inconformação. Vários amigos visitadores, em custosa tarefa de benefício aos recém­-desencarnados, têm vindo à necrópole, tentando libertá­-la. A pobrezinha, porém, após atravessar existências de sólido materialismo, não sabe assumir a menor atitude favorável ao estado receptivo do auxilio superior. Exige que o cadáver se reavive e supõe-­se em atroz pesadelo, quando nada mais faz senão agravar a desesperação.


Fonte: Estudando o 'Livro dos Espíritos'

PERISPÍRITO


Perispírito é invólucro semi-material do Espírito. Nos encarnados serve de laço intermediário entre o Espírito e a matéria. É por seu intermédio que o espírito encarnado se acha em relação contínua com os desencarnados; é por seu intermédio, que se operam no homem fenômenos especiais, cuja causa fundamental não se encontra na matéria tangível e que, por essa razão, parecem sobrenaturais para alguns.

O perispírito é o órgão sensitivo do Espírito, por meio do qual este percebe coisas espirituais que escapam aos sentidos corpóreos.
O Espírito Emmanuel, designa o Perispírito como “campo eletro-magnético, em circuito fechado, composto de gases rarefeitos” (gases que se desfazem ou diminuem de intensidade).
O Espírito é envolvido por uma substância que é vaporosa para os encarnados, mas ainda bastante grosseira para os desencarnados; suficientemente vaporosa, entretanto, para que ele possa elevar-se na atmosfera e transportar-se para onde quiser. Como a semente de um fruto é envolvida pelo perisperma, o Espírito propriamente dito é revestido de um envoltório que, por comparação, se pode chamar Perispírito.

O Perispírito é o princípio intermediário entre a matéria e o Espírito, cuja finalidade é tríplice: — manter indestrutível e intacta a individualidade; — servir de substrato ao corpo físico, durante encarnação ; — constituir o laço de união entre o Espírito e o corpo físico, para a transmissão recíproca das sensações de um e das ordens do outro.


A origem do perispírito está no fluido universal. O ponto de partida do fluido universal é a pureza absoluta, da qual nada nos pode dar idéia; o ponto oposto é a sua transformação em matéria tangível, adquirindo diversos graus de condensação. O perispírito é uma dessas transformações, mas sob a forma de matéria quintessenciada, ou seja, não perceptível aos olhos carnais. Assim, o perispírito, ou corpo fluídico dos Espíritos, é um dos mais importantes produtos do fluido cósmico; é uma condensação desse fluido em torno de um foco de inteligência ou alma. O corpo carnal também tem seu princípio de origem nesse mesmo fluido condensado e transformado em matéria tangível. No perispírito, a transformação molecular se opera diferentemente, porquanto o fluido conserva a sua imponderabilidade e suas qualidades etéreas. A natureza do envoltório fluídico está sempre em relação com o grau de adiantamento moral do Espírito.


NATUREZA E CONSTITUIÇÃO DO PERISPÍRITO

A natureza do perispírito está sempre em relação com o grau de adiantamento moral do Espírito. Os Espíritos inferiores não podem mudar de envoltório a seu bel-prazer, pelo que não podem passar, à vontade de um mundo para o outro. Os Espíritos superiores, ao contrário, podem vir aos mundos inferiores, e, até, encarnar neles. Quando o Espírito encarna em um globo, ele extrai do fluido cósmico desse globo os elementos necessários para a formação do seu perispírito. Assim, conforme seja mais ou menos depurado o Espírito, seu perispírito se formará das partes mais puras ou das mais grosseiras do fluido peculiar ao mundo onde ele encarna. Resulta disso que a constituição íntima do perispírito não é idêntica em todos os Espíritos encarnados e desencarnados que povoam a Terra ou o espaço que a circunda. O mesmo já não se dá com o corpo carnal, que se forma dos mesmos elementos, qualquer que seja a superioridade ou inferioridade do Espírito.


PROPRIEDADES DO PERISPÍRITO

plasticidade, densidade, ponderabilidade,luminosidade, penetrabilidade, visibilidade, tangibilidade, sensibilidade global, sensibilidade magnética, expansibilidade, biocorpereidade, unicidade, perenidade, mutabilidade, capacidade refletora, odor, temperatura.

Flexibilidade e expansibilidade são as duas principais propriedades do perispírito. O perispírito não está preso ao corpo, sem poder desprender-se. Em Obras Póstumas, no capítulo sobre manifestações dos Espíritos, 1.ª parte, item 11, lemos: "O Perispírito não está encerrado nos limites do corpo como numa caixa. É expansível por sua natureza fluídica; irradia-se e forma, em torno do corpo, uma espécie de atmosfera que o pensamento e a força de vontade podem ampliar mais ou menos".


Plasticidade

– O perispírito sendo o espelho da alma e eterno extensão da mente, molda-se de acordo com seu comando plastizante, pois como já dissemos é formado também por fluidos ainda que não sejam totalmente eterizados, também não são totalmente materiais. De fato o corpo espiritual mostra um extremo poder plástico, como assinala EMMANUEL, adaptando-se automaticamente às ordens mentais que brotam continuadamente da alma.

Forma essa que assume, pode, às vezes, e em certos limites, dizer muito a capacidade do próprio ser em intelectualidade, com o desenvolvimento da vontade, com o treino mental próprio, enfim, independentemente do aperfeiçoamento moral. O crescimento intelectual da criatura, com intensa capacidade de ação, pode pertencer a inteligências de mentes perversas. Daí a razão de encontrarmos, em grande número, compactas falanges de entidades libertas dos laços fisiológicos, operando nos círculos da perturbação e da crueldade, com espetaculares recursos de modificação nos aspectos em que se exprimem para causar suas influencias malévolas.

Tal fato, também poderá explicar o rejuvenescimento que experimentam os Espíritos desencanados, conscientes de seu estado. Mesmo tendo desencarnado com idade física avançada, sentindo-se mais jovens, apresentam-se com tal, totalmente livre dos condicionamentos humanos do corpo físico, o espírito humano não sofre o envelhecimento corporal, assim como não morre. Quando se manifestam envelhecidos, o fazem artificialmente por poder mental, para a comprovação de sua identidade terrena, quando ainda estava encarnado.

Contudo, tal possibilidade de alterar a indumentária perispiritual é limitada ao padrão evolutivo, intrínseco a cada alma. A depender em profundidade de sua, poderíamos dizer, “organização interna”, emocional. Pois, muitas vezes o espírito mergulha em tão severo desequilíbrio afetivo que, imerso em um monoideísmo avassalador, chega a entrar em processo de retração das tessituras perispirituais, comprometendo assim, dolorosamente suas funções e potencialidades.

Poderíamos aqui falar dos casos de zoantropia (capacidade ideoplástica em feições animalescas que o perispírito se reveste, devido às condições mentais dos Espíritos envolvidos em tal processo, passando por enormes transformações morfológicas do veículo perispiritual, porquanto, os órgãos psicossomáticos retraídos, por falta de funções benéficas, assemelham-se a ovóides.

É essa propriedade do perispírito que explica diversas manifestações que ocorrem tanto na dimensão espiritual, como física, dentre os quais, adaptação perispiritual, comumente utilizada pelos Espíritos Superiores, os quais, alteram a forma de sus corpos espirituais, reduzindo a própria luminosidade e assumindo aspectos que possam com as regiões e as almas que merecem seus serviços socorristas, moldando dessa forma, suas condições vibracionais. O contrário ocorre com aqueles Espíritos que envolvidos com o mal são socorridos e necessitam de uma modificação ou minorização de suas dificuldades para serem melhor atendidos, nesse caso, sendo o Espírito ainda incapaz de modificar seu tônus vibratório, Mentes Superiores, ostentam um alto poder, que possibilitam maiores operações de adaptação plástica.

Já nos processos reencarnatórios, o perispírito em um processo de modelagem, molda a organização física, informam os Mestres Espirituais, que aproximando o momento da reencarnação, o Espírito reencarnante, comumente, entra em gradativo processo de redução psicossômica, o qual acontece simultaneamente com a diminuição da consciência de si, então, até nos processos acima citados o perispírito demonstra seu poder de plasticidade.


Densidade

– Como dissemos no início, o perispírito é formado também por fluidos ainda que não sejam totalmente eterizados, também não são totalmente materiais. E não deixando de ser matéria, ainda que quintessenciado, e como tal apresenta em si uma densidade, que se relaciona com o grau de evolução da alma.
A variedade de densidade do perispírito varia também de indivíduo para indivíduo, em Espíritos Moralmente adiantados, é mais sutil e se aproxima da dos Espíritos Elevados; nos espíritos inferiores, ao contrário, aproxima-se da matéria e é o que faz os Espíritos inferiores de baixa condição conservam por muito tempo as ilusões da vida terrestre. A densidade psicossômica varia, de acordo com a evolução do Espírito, ditando, então, seu peso e, também, sua luminosidade, pois quanto menor a densidade do perispírito, menor seu peso e maior a luminosidade.


Ponderabilidade


– Sob os aspectos físicos a matéria sutil, o corpo espiritual, em si, não apresentaria um peso possível de ser detectado por meio de qualquer instrumentação até agora conhecida.
Não obstante, na dimensão espiritual, cada organização perispirítica tem seu peso específico, que varia de acordo com sua densidade, ditada, sobretudo, como visto, pelo estado de moralidade do Espírito.

Nossa posição determina o peso específico do nosso envoltório espiritual e, conseqüentemente, o habitat que lhe compete. Significa que, embora possa parecer fisicamente imponderável – porque não é matéria densa -, não deixa de apresentar certo peso, variável em cada região ou esfera, visto que, de qualquer forma, sendo matéria, ainda que tênue, submete-se aos princípios gravitacionais imperantes no meio em que se situa e do qual se nutre.

Luminosidade

- Como muitas outras características assim como a luminosidade, também desponta como característica particular de cada Espírito e seus condicionamentos morais evolutivos. A intensidade da Luz está na razão da pureza do Espírito: as menores imperfeições morais atenuam e enfraquecem a condição de luminosidade do Espírito. Sabemos que quando o Espírito mais evolui, mais etérea e pura transforma-se naturalmente sua condição vibracional energética, e sabendo que energia em diversos níveis vibracionais ou velocidade de movimento, produzem luminosidade a depender da freqüência em que se encontram operando, quando mais evoluído a entidade maior freqüência vibracional e por conseguinte maior luminosidade e tanto menos evoluído a criatura, menor freqüência vibracional e luminosidade.

A luz irradiada por um Espírito será, tanto mais viva, quanto maior o seu adiantamento. Assim, sendo o Espírito, de alguma sorte, é o seu próprio farol luminescente, verá proporcionalmente à intensidade da luz que produz, do que resulta que os Espíritos que não a produzem em grande capacidade acham-se na obscuridade.
Note-se que a luz espiritual nada tem com a luz conhecida em Física – radiação eletromagnética, pois, luz emitida por fontes como lâmpada fluorescente ou de mercúrio, por exemplo, chega a parecer, diante de uma presença espiritual superior, mera claridade emitida por uma vela.

Penetrabilidade

– Volvendo nossa atenções a natureza etérea do perispírito que permite ao Espírito, caso presente as necessárias condições mentais, atravessar qualquer barreira física, pois matéria alguma lhe opões obstáculo, ele atravessa todos, assim como a luz atravessa os corpos transparentes. Todavia, verifiquemos que existem Espíritos que não conseguem atravessar alguns obstáculos, pelo simples motivo de não saberem que podem fazê-lo. A ignorância ou até mesmo a incerteza diminuem suas aptidões e potenciais, e, conseqüentemente seu poder de ação nas mais diversas áreas. “Todos os corpos são porosos; não se tocando, suas moléculas podem dar passagem a um corpo estranho.

Os acadêmicos de Florença tinham demonstrado este ponto, fazendo violenta pressão sobre a água encerrada em uma esfera de ouro; ao fim de pouco tempo via-se o líquido transudar por pequenas gotas, na superfície da esfera. Verificamos, por esses diferentes exemplos, qual a matéria pode atravessar a matéria. É preciso empregar a pressão ou calor para dilatar as substâncias que se quer fazer atravessar outras. Isso é possível e necessário, porque as moléculas do corpo que atravessa, não adquirindo o grau suficiente de dilatação, ficam encerradas uma contras as outras. Mas, se pusermos um estado da matéria em que as moléculas sejam muito menos aproximadas e eminentemente tênues, poderá ela atravessar toas as substâncias, sem necessidade de manipulação.

É o que acontece com o perispírito que, formado de moléculas menos condensadas que a matéria que conhecemos, não pode ser detido por nenhum Obstáculo”. (Gabriel DELANNE) Compreensível, assim, a inexistência de barreiras físicas para o espírito fato que, como visto, poderia ser explicado pelo princípio da porosidade, observável em toda estrutura material, embora, nos dias atuais, também possa ser entendido pelo princípio da incompatibilidade de freqüências, segundo o qual, por exemplo, um raio luminoso azul e outro amarelo, ainda que se incidirem, simultaneamente, sobre uma superfície branca, façam com que esta se torne verde -, se se cruzarem, interpenetrando-se, não mostrarão qualquer alteração, permanecendo, cada qual em sua freqüência e com sua coloração.


Visibilidade

- Aos olhos físicos o perispírito é totalmente invisível, todavia não o é para os Espíritos, nos casos dos menos evoluídos só percebem os seus pares, captando-lhes o aspecto geral. Já os Espíritos Superiores, podem perscrutar a intimidade perispiritual de desencarnados de menor grau de elevação, bem como a dos encarnados, observando-lhes as desarmonias e as necessidades. Mostram-no bem, por exemplo, os trabalhos de esclarecimento espiritual, em que os Espíritos Superiores responsáveis revelam, por meio dos dialogadores encarnados, a realidade do sofredor conduzindo ao entendimento, auscultado seu perispírito,e, também, as sessões de cura, em que os médicos espirituais detectam os sinais patológicos presentes no psicossoma do enfermo. Finalmente, quanto à possibilidade de alguns médiuns videntes verem o perispírito, muito raro são os que, em verdade, possuem as necessárias condições para distingui-lo, ainda, que eventualmente, entre as projeções que formam a aura.


Tangibilidade

– Sendo o perispírito também matéria, poderá com o devido apoio ectoplásmico, tornar-se materialmente tangível, no todo ou em parte. Sendo também esse fenômeno, chama do de teleplastia, onde o perispírito do desencarnado ou até mesmo do encarnado, envolve-se por assim dizer com as condições energéticas do ambiente e de algum médium capaz de emprestar recursos energéticos através do duplo etérico, fomentando matéria necessária para revestir o perispírito na energia necessária para o aparecimento.


Sensibilidade Global


– Quando encarnado o Espírito registra impressões exteriores por meio de vias especializadas identificadas no corpo somático e que compõem os órgãos dos sentidos, sem o corpo físico, sua capacidade de perceber amplia-se extraordinariamente, pois livre das peias somáticas, a percepção do meio que o envolve já não depende dos canais nervosos materiais, acontecendo como um registro global do perispírito, ou seja, uma percepção, que o Espírito realiza com todo o seu ser. Assim, vê, ouve, sente, enfim, com o corpo espiritual inteiro, uma vez em que as sedes dos sentidos não se encontram numa localização específica e limitada, que se observa no estado de encarnação, os sentidos e capacidades ampliam-se.

Neste capítulo, ganham destaques os fenômenos chamados por nós de – transposição de sentidos - , que mostram a possibilidade de algumas pessoas mais sensíveis, perceberem os estímulos por vias físicas totalmente impróprias para isso, explicando, assim, que a sensibilidade global do perispírito pode exteriorizar-se mesmo estando o Espírito encarnado, ainda que em casos excepcionais.


Sensibilidade Magnética

– Sendo o perispírito um campo de força que é, a sustentar uma estrutura semimaterial, apresenta-se impressionável pela ação magnética, pois sendo ele mesmo uma criação vibratória do Espírito. Sabemos que somos criados pela mesma matéria, no seu sentido original e, essa matéria que em diferentes estados dá origem a tudo, é energia pura, e sendo o perispírito também oriundo dessa matéria que é o Fluido Cósmico Universal ( FCU ), torna-se o Espírito suscetível às influências da energia ambiental que o envolve (psicosfera) e é essa propriedade que lhe permite absorver, assimilar e, também transmitir a energia espiritual que capta ou recebe. A exemplo disso, temos o precioso processo do passe: o Espírito, acumulando energias e estimulando a sensibilidade do médium, conjuga suas forças com a deste, psíquicas e vitais, para a transmissão dos recursos de cura.


Expansibilidade

– Já nos diz Kardec em O Livro do Espíritos na questão 400 – que o “Espírito aspira incessantemente a libertação.”
O perispírito pode, entretanto, conforme suas condições, expandir-se, aumentando, inclusive, o campo de percepção sensorial. É a expansibilidade do perispírito que faculta, a processo de emancipação da alma. Expandindo-se, o perispírito pode chegar a um estado inicial de desprendimento, em que a percepção se torna acentuadamente mais aguda, podendo, a partir daí, se for o caso, evoluir para o desdobramento, a envolver, uma outra propriedade do perispírito, que é a biocorporeidade.

A expansibilidade perispirítica, aliás, está na base dos principais processos mediúnico; haja vista, por exemplo, que ‘a exteriorização do psicossoma que permite ao vidente a captação da realidade espiritual e que, também, graças a essa propriedade, é que se torna possível o contato perispírito a perispírito, que marca o fenômeno chamado de incorporação, seja psicofonia ou psicografia.


Biocorporeidade

– Termos este criado pelo grande codificador Kardec, relacionando-o ao fenômeno de desdobramento, embora, de certa forma, expressão mais adiantada da expansibilidade, define-se, particularmente, como notável faculdade do perispírito, que possibilita, em condições especiais, o seu desdobramento, poderíamos dizer com muita cautela “fazer-se em dois”, no mesmo lugar ou em lugares diferentes. Processo que ainda chegaremos a descobrir com mais claridade, mas graças a essa propriedade, o perispírito pode apresentar-se biocorpóreo, ou seja, com um corpo, de igual ao físico da atualidade, fluídico, com maior ou menor densidade, mas suscetível de ser visto e, até tocado, como sói acontecer em muitos casos.

Fenômeno absolutamente natural, nos dizeres de Kardec: “tal fenômeno, como todos os outros, se compreende na ordem dos fenômenos naturais, pois que decorre das propriedades do perispírito e de uma lei natural.”( Obras Póstumas, pp. 56 e 57).


Unicidade

– A estrutura perispirítica, como reflexo da alma que é, não é igual a outros perispíritos, como a rigor não existem almas idênticas.
Obviamente, no decorrer do processo evolutivo diminuem as diferenças e cresce a harmonização entre as almas, sem que entretanto a individualidade, deixe de ser preservada.
“A idéia do grande todo não implica, necessariamente, a fusão dos seres em um só. Um soldado que volta ao seu regimento, entra em um todo coletivo, mas não deixa, por isso, de conservar sua individualidade. O mesmo se dá com as almas que entram no mundo dos espíritos, que para elas é, igualmente um todo coletivo: o todo universal.” (Kardec, Allan. Iniciação Espírita. 13 Ed., Sobradinho, DF: Edicel, 1995, p 213. Trad. Caibar Schutel)
Nessa direção, registrado esta em O Livro dos Espíritos nas questões 149 a 152, mostrando que a alma sempre conserva sua individualidade, a refletir em seu perispírito.


Mutabilidade

– O perispírito, no decorrer do processo evolutivo, se não é suscetível de modificar-se no que se refere à sua substância, o é com relação à sua estrutura íntima e forma. Sabemos que, por meio da ação plastizante, pode o Espírito mudar, por exemplo, seu aspecto, porém, tal fenômeno envolve, apenas, modificação transitória e superficial, sustentada transitoriamente pela mente.
Desde as formas dos seres antigos, até o homem e o anjo, uma longa escala é percorrida. E quanto mais progride a alma, através das sucessivas transformações, mais apurado vai se tornando seu veículo espiritual e, conseqüentemente, mais delicada a sua forma.
Poder-se-ia assentar que o desenvolvimento do perispírito, através dos milênios incontáveis, passa, como formação rudimentar, pelo estágio vegetal, viaja pelo reino animal, como uma proto-estrutura psicossômica, chegando, então, à dimensão hominal como veículo elaborado, sensível e complexo, a refletir as próprias condições da alma que surge vitoriosa, tocada pelo Pensamento Divino.
O tempo, pois, constrói, com a evolução da alma, neste e em outros mundos, a própria eterização do perispírito. O item 186 de O Livro dos Espíritos, nos esclarece a respeito da condição do perispírito mais aperfeiçoado que chega a confundir-se com a própria alma, como segue:

“Haverá mundos onde o Espírito, deixando de revestir corpos materiais, sé tenha por envoltório o perispírito?”.
- “Há e mesmo esse envoltório se torna tão etéreo que para vós é como se não existisse. Esse o estado dos Espíritos puros.”


Capacidade Refletora

– O corpo espiritual, extensão da alma que é, reflete contínua e instantaneamente os estados mentais.
O perispírito, é suscetível de refletir, a glória ou viciação da mente. Por isso, a atividade mental nos marca o perispírito, identificando nossa real posição evolutiva.

Todo pensamento encontra imediata ressonância na delicada tessitura perispiritual, produzindo os tipos de efeitos:
Gera na aura a sua imagem, conhecida hoje, como forma-pensamento – variável, de acordo com a carga emocional, inclusive sob o aspecto cromático, como demonstram técnicas e testemunhos incontestáveis e, também, na dimensão física, influindo na fisiologia dos centros vitais, repercute nos sistemas nervoso, endócrino, sangüíneo, e demais vias de sustentação do edifício celular, marcando-lhe o desempenho regular ou não, na economia vital.


Odor

– O perispírito, a refletir-se na aura, caracteriza-se, também por odor particular, facilmente perceptível pelos Espíritos.
Contém a literatura mediúnica, com particularidade , as obras de ANDRÉ LUIZ, descrição de regiões infestadas de miasmas pestilentos, a exalarem odores tão fétidos que se tornam quase insuportáveis para os Espíritos mais sensíveis. Tais odores brotariam da podridão fluídica características desses ambientes e, ao que se sabe, dos próprios perispíritos de seus habitantes. Todas as criaturas vivem cercadas pelo seu próprio halo vital das energias que lhes vibram no íntimo do ser e esse halo é constituído por partículas de força a se irradiarem por todos os lados e direções de si para o ambiente, impressionando-nos o olfato, de modo agradável ou desagradável, segundo a natureza do indivíduo que as irradia, cada criatura se caracteriza pela vibração, exalação que lhe é peculiar, aqui e em todos os mundos.


Alguns trabalhos, no campo do labor mediúnico e da fluidoterapia, que, no decorrer médiuns chegam a captar odores, agradáveis ou não, indicativos, inclusive, da evolução dos Espíritos presentes. Odores esses que não se confundem com aqueles oriundos da manipulação ectoplásmica e que chegam a impressionar uma assistência por inteiro, característica essa que nós mesmos já experimentamos na presença de Dr. Bezerra de Menezes, em momentos de suas comunicações.


Temperatura

– Como, no desenvolvimento da atividade mediúnica, certos médiuns registram, por exemplo, uma espécie de gélido torpor, com a avizinhação de alguma alma sofredora, ou, ao contrário, uma cálida sensação de bem-estar, quando da aproximação de um Espírito superior, é lícito cogitar-se da possibilidade de que o Espírito também mostre através de seu perispírito uma espécie de temperatura própria, relacionada, naturalmente, com o grau de evolução do Espírito.

FUNÇÕES DO PERISPÍRITO ORGANIZADOR BIOLÓGICO

O perispírito é o molde fluídico, a "idéia diretriz" , o "esqueleto astral" ou o "modelo organizador biológico" do corpo carnal.
Sabemos que o Espírito acompanhado de seu perispírito começa a se ligar ao corpo físico do reencarnante desde o começo da vida embrionária. Como esboço fluídico que é, o Perispírito vai orientando a divisão celular, ou seja, a sua união com o princípio vito-material do germe. Como campo eletromagnético que é, pode, por isso, ser comparado ao campo do ímã, quando orienta a disposição da limalha de ferro.


INTERMEDIÁRIO ENTRE O CORPO E O ESPÍRITO

O Perispírito é órgão transmissor, funcionando como um transformador elétrico, no qual a corrente entra com certa voltagem e sai com voltagem diferente. O corpo recebe a impressão, o Perispírito a transmite e o Espírito, sensível e inteligente, a recebe, analisa e incorpora. Mas podemos ter um trajeto inverso. Quando há iniciativa que vem do Espírito, como ordem para o corpo executar, o Perispírito a transmite para o sistema nervoso, que a define como um impulso motor. Essa ordem vai, através dos nervos motores, aos músculos, que se contraem, obedecendo à ordem recebida. Surgem, assim, os movimentos: locomoção, fala, gestos da mímica, canto, salto etc. Alguns movimentos são automáticos, como os da respiração, do bombeamento do sangue pelo coração e, mais profundamente inconscientes, as contrações peristálticas do intestino. Também, nesse caso, a atuação do Perispírito é inegável.


ATUAÇÃO NAS COMUNICAÇÕES MEDIÚNICAS


As bilocações dos Espíritos são os fatos marcantes que atestam o desprendimento do Perispírito. Kardec, em Obras Póstumas, diz: "Fica, pois, demonstrado que uma pessoa viva pode aparecer simultaneamente em dois pontos diferentes; num, com o corpo real; em outro, com o Perispírito condensado, momentaneamente, sob a aparência de suas formas materiais".

Em todo o ato mediúnico, o Espírito aproxima-se do médium e o envolve nas suas vibrações espirituais. Essas vibrações irradiam-se do seu corpo espiritual, atingindo o corpo espiritual do médium. A esse toque vibratório semelhante a um brando choque elétrico reage o perispírito do médium



O HOMEM NOVO


    Para construir um mundo novo precisamos de um homem novo. O mundo está cheio de erros e injustiças porque é a soma dos erros e injustiças dos homens. Todos sabemos que temos de morrer, mas só nos preocupamos com o viver passageiro da Terra. Por isso, a humanidade desencarnada que nos rodeia é ainda mais sofredora e miserável que a encarnada a que pertencemos. "As filas de doentes que eu atendia na vida terrena — diz a mensagem de um espírito — continuam neste lado."
    Muita gente estranha que nas sessões espíritas se manifestem tantos espíritos sofredores. Seria de estranhar se apenas se manifestassem espíritos felizes. Basta olharmos ao nosso redor — e também para dentro de nós mesmos — para vermos de que barro é feita a criatura humana em nosso planeta. Fala-se muito em fraude e mistificação no Espiritismo, como se ambas não estivessem em toda parte, onde quer que exista uma criatura humana. Espíritos e médiuns que fraudam são nossos companheiros de plano evolutivo, nossos colegas de fraudes cotidianas.
    O Espiritismo está na Terra, em cumprimento à promessa evangélica de Consolador, para consolar os aflitos e oferecer a verdade aos que anseiam por ela. Sua missão é transformar o homem para que o mundo se transforme. Há muita gente querendo fazer o contrário: mudar o mundo para mudar o homem. O Espiritismo ensina que a transformação é conjunta e recíproca, mas tem de começar pelo homem. Enquanto o homem não melhora, o mundo não se transforma. Inútil, pois, apelar para modificações superficiais. Temos de insistir na mudança essencial de nós mesmos.
    O homem novo que nos dará um mundo novo é tão velho quanto os ensinos espirituais do mais remoto passado, renovados pelo Evangelho e revividos pelo Espiritismo. Sem amor não há justiça e sem verdade não escaparemos à fraude, à mistificação, à mentira, à traição. O trabalho espírita é a continuação natural e histórica do trabalho cristão que modificou o mundo antigo. Nossa luta é o bom combate do apóstolo Paulo: despertar as consciências e libertar o homem do egoísmo, da vaidade e da ganância.
    "Os anos não nos dão experiência nem sabedoria — dizia o vagabundo de Knut Hamsun — mas nos deixam os cabelos horrorosamente grisalhos." É o que vemos no final desse poema bucólico da Noruega que é "Um Vagabundo Toca em Surdina". Knut Hamsun era um individualista e, sobretudo um lírico do individualismo. Mas o homem que se abre para o altruísmo sabe que as verdades do indivíduo são geralmente moedas falsas, de circulação restrita. A verdade maior — ou verdadeira — é a que nasce do contexto social, da usina das relações, onde o indivíduo se forma pelo contato com os outros.
    Os anos não trazem apenas os cabelos brancos — trazem também a experiência, mestra da vida, e com ela a sabedoria. E no dia a dia da existência que o homem vai modelando aos poucos a sua própria argila, o barro plástico de que Deus formou o seu corpo na Terra. Cada idade, afirmou Léon Denis, tem o seu próprio encanto, a sua própria beleza. É belo ser jovem e temerário, mas talvez seja mais belo ser velho e prudente, iluminado por uma visão da vida que não se fecha no círculo estreito das paixões ilusórias. O homem amadurece com o passar dos anos.
    A vida tem as suas estações, já diziam os romanos. À semelhança do ano, ela se divide nas quatro estações da existência que são: a primavera da infância e da adolescência, o verão da mocidade e outono da madureza e o inverno da velhice. Mas também à semelhança dos anos, as vidas se encadeiam no processo da existência, de maneira que as estações se renovam em cada encarnação. Viver, para o individualista, é atravessar os anos de uma existência. Mas viver, para o altruísta, é atravessar as existências palingenésicas, as vidas sucessivas, em direção à sabedoria. O branquear dos cabelos não é mais do que o início das nevadas do inverno. Mas após cada inverno voltará de novo à primavera.
    A importância dos anos é, portanto, a mesma das léguas numa caminhada em direção ao futuro. Cada novo ano que surge é para nós, os caminheiros da evolução, uma nova oportunidade de progresso que se abre no horizonte. Entremos no ano novo com a decisão de aproveitá-lo em todos os seus recursos. Não desprezemos a riqueza dos seus minutos, das suas horas, dos seus dias, dos seus meses. Cada um desses fragmentos do ano constitui uma parte da herança de Deus que nos caberá no futuro.
     (Pires, J. Herculano. Do Livro O  Homem Novo)