terça-feira, 30 de junho de 2015

Por que tanta violência?



Há um aumento significativo da violência nos centros urbanos. Será que a Humanidade está passando por um retrocesso nos caminhos da evolução?
Ninguém retrograda. Apenas revela-se, ou seja, mostra-se quem realmente é. A incidência maior dessas ocorrências decorre da reencarnação de multidões de Espíritos em estágios primários de evolução. Mas não devemos desanimar, porque neste século veio, através da reencarnação, uma grande equipe de espíritos missionários.
Há crimes chocantes, cometidos com requintes de perversidade. A que atribuir esse comportamento?
À ausência do senso moral. São Espíritos ainda dominados por instintos, sem noção razoável do bem e do mal. Obedecem aos seus impulsos, roubando, matando e lesando sem nenhum constrangimento. Desconhecem o que seja sentir culpa ou remorso.
Podemos dizer, então, que parte da população é composta de Espíritos moralmente subdesenvolvidos? Sem dúvida.
A que o Espiritismo atribui o mundo de hoje, as confusões, guerras e outras coisas mais?
A civilização cresceu muito na ordem horizontal do progresso, que é o progresso tecnológico. Mas esqueceu de crescer verticalidade, que são os valores ético-morais. Nesse crescimento avassalador muitos danos aparecem, e volumosamente. Decerto, a Humanidade não está pior do que aquela de épocas recuadas. Ocorre que, com o crescimento demográfico, com a facilidade da Informática, dos meios de comunicação, nós recebemos informações maciças e muito expressivas, que nos dão uma ideia desagregadora do comportamento humano. Isto, porque, lamentavelmente, os valores positivos ainda não tem merecido muito destaque nas programações dos periódicos, na televisão, nas rádios; isso, sem qualquer crítica de nossa parte. O bem não impacta; infelizmente, a tragédia, sim. O amor sensibiliza por um pouco, mas o infortúnio deprime por muito tempo. Nunca houve no mundo tanta bondade como hoje. O mal aparente está, somente, numa minoria. Uma minoria militante do desequilíbrio. Uma minoria que faz muita zoada.
Por que tantas pessoas acham necessária a volta do Cristo?
Porque ainda não entendemos a mensagem por Ele vivida. Se houvéssemos entendido, não entraríamos em conflito com os nossos irmãos que estagiam nas diversas partes do mundo, membros da mesma família Universal. E na verdade, o retorno do Cristo, a Sua segunda vinda já ocorreu, através do Espírito de Verdade, conforme está escrito em o Evangelho de João, quando se refere ao Consolador, que para nós espíritas é a Doutrina Espírita.
Qual a solução que a Doutrina Espírita apresenta para a violência tão crescente nas cidades?
A educação. O Espiritismo, essencialmente educativo, conclama-nos ao amor e à instrução que poderão formar uma nova mentalidade entre os homens. A violência é o fruto espúrio da ignorância humana. Remanescente da agressividade animal explode em a natureza graças às bases do egoísmo, o câncer moral que carcome o organismo social. O antídoto do egoísmo é o altruísmo (amor ao próximo, abnegação). Por consequência, a melhor maneira de tornar uma sociedade justa e altruísta é a educação das gerações novas. Sabendo que, através da educação, formaremos caracteres saudáveis, deveremos investir tudo nesta obra libertadora, que é uma das mais elevadas expressões da caridade.

Nesse quadro mundial de fome e miséria, o que o Espiritismo espera do Terceiro Milênio?
Nós acreditamos que no 3º Milênio haverá uma grande transformação. As pessoas mais apressadas do nosso movimento acreditaram que no dia 1º de janeiro de 2000, os homens e mulheres estariam, todos, se abraçando, fraternalmente. Foi uma utopia. O processo de evolução é muito lento e costumamos dizer que, até o dia 31 de dezembro de 2999, ainda estaremos no 3º Milênio. Então, nós vemos que haverá um contínuo desenvolvimento do sofrimento até que o homem se dará conta de que este caminho não é o melhor, mas ele ainda não sabe, porque seu egoísmo não deixa. Do ponto de vista da reencarnação nós acreditamos que chegará o momento em que esses espíritos indiferentes e perversos já não encarnarão na Terra, irão para mundos inferiores. Então, o progresso se dará, naturalmente, porque, desaparecendo essas lideranças frias, os homens novos, no bom sentido da palavra, idealista e afáveis construirão uma sociedade mais justa porque compreenderão que a sua felicidade é a felicidade do próximo.
Então, a humanidade não está pior?
Fomos criados para evoluir, nunca para retroceder. A Humanidade não está pior do que aquela de épocas recuadas. Ocorre que, com o crescimento demográfico, com a facilidade da Informática, dos meios de comunicação, nós recebemos informações maciças e muito expressivas, que nos dão uma ideia desagregadora do comportamento humano. Isto, porque, lamentavelmente, os valores positivos ainda não tem merecido muito destaque nas programações da televisão, das rádios, etc. O bem não causa impacto; infelizmente, a tragédia, sim. O amor sensibiliza por um pouco, mas o infortúnio deprime por muito tempo. Nunca houve no mundo tanta bondade como hoje. O mal aparente está, somente, numa minoria militante do desequilíbrio. Uma minoria que faz muito barulho. Mas, neste século veio uma grande equipe de espíritos missionários para ajudar.

Divaldo, você poderia dar-nos uma mensagem de paz e esperança com extensão a todos os nossos leitores?

Nunca houve tanto amor na Terra, como hoje, embora as aparências informem o contrário. Jamais, na Terra, tantos se preocuparam com outros tantos, como agora. Os laboratórios de pesquisa, na área da saúde, estão repletos de missionários do amor, procurando debelar males que afligem centenas de milhões de indivíduos. Missionários da caridade e do conhecimento proliferam em todo lugar, conhecidos uns, anônimos outros, proclamando a excelência do Bem. Jamais houve tantos Organismos Internacionais preocupados com o bem das criaturas e da Humanidade, multiplicando-se, cada vez mais. A juventude, ainda aturdida pelo desequilíbrio dos adultos, caminha buscando afirmações e espaços para realizar-se. A promiscuidade e o despautério que nos visitam, chocam-nos, parece-me que são efeitos dos nossos atos anteriores de hipocrisia. Saturados de prazeres, logo mais, seremos convidados a uma revisão de conteúdo dos nossos anseios e voltaremos algo arrebentados, ao equilíbrio e a buscas mais preciosas. Assim, confiemos no amor, amando a todos, indistintamente, mesmo aqueles que, por prazer mórbido e vitimados por psicopatologias que fingem ignorar, nos perseguem, caluniam, impossibilitados de superar-nos. Consideremo-los nossos irmãos necessitados e, sem revidar, espalhemos a simpatia, o otimismo e a esperança que dominarão a Terra, logo mais. Vale a pena confiar no Bem e vivê-lo, conforme a Doutrina Espírita: “Fora da caridade não há salvação”.

O que dizer às pessoas que estão sofrendo muito, em certos casos curtindo amargas provas cármicas que as induziram à desesperança?

Tudo na vida é transitório, só o Espírito é eterno. No amor, no sofrimento edificante, entrosamo-nos com a obra da criação. O amor, sendo “hálito de Deus”, é a alma da vida e a vida da alma. Através dele iremos minimizar nossos padecimentos pela prática das diversas formas de caridade, pulverizando nossas dívidas acumuladas em vidas passadas. Tenhamos paciência para com tudo o que, apesar de nossos esforços, não pôde ou não pode ser edificado, conscientizando-nos, sempre mais, de que nossa vida não começou no berço e não findará no túmulo. Peçamos a Deus discernimento em nossas horas de turvação para que não agravemos nossos males. Aprendamos a ver na fé e no ato de conviver, harmoniosamente, com o próximo, principalmente com nossos familiares e consanguíneos, uma graça do amparo de Deus. O ato de servir ao nosso semelhante é para o que serve um privilégio ofertado pela Divina Providência. A estrada é estreita, larga deve ser a nossa fé. Reacendamos luzes de esperança nos recantos sombreados da alma. Vençamos o desespero com a prece e a vigilância, reparando mais nas coisas eternas que nas imediatas, convictos, sempre, de que não há, não pode haver injustiça nas Oniscientes Leis Divinas. 

(Respostas de Divaldo Franco e Richard Simonetti).



Decisão de ser Feliz



“(...) A vida é bênção e deve ser mantida saudável, alegre, promissora, mesmo quando sob a injunção libertadora de provas e expiações.
Tornando tua vida agradável, serão frutíferos e enso­larados todos os teus dias.”

Joanna de Ângelis
Divaldo P. Franco
Livro – Momentos de Saúde e de Consciência


Degraus da vida


Comparamos o mundo a grande instituto de ensino.
Aceita a existência no Planeta, por estágio educativo de que necessitas, ainda mesmo quando te reconheças na condição de doente, sob regime de internação em alguma das enfermarias da escola.
Nasceste no lugar mais indicado aos ensinamentos de que precisas e no grupo familiar que mais se te aconselha ao currículo de lições.
O corpo físico é a carteira de recursos a que te prendes, para efeito de preparo e burilamento.
A religião do teu clima doméstico é a classe de iniciação na Espiritualidade Maior, da qual podes seguir indefinidamente para diante, no rumo dos mais elevados conhecimentos... Faze, pois, da ideia de Deus que já possuas o caminho da própria ascensão.
Elege no trabalho a tua bênção de cada dia.
Compreendamos que o bem é a execução da Lei Divina, a estabelecer a felicidade dos outros, com a mesma justiça com que a estabelece para cada um de nós. E o mal é a tribulação que, porventura, estejamos impondo à existência do próximo.
Dever é rotina de instrução.
Disciplina é condição de êxito.
Dificuldade é exercício de aperfeiçoamento.
Conflito é aula de reequilíbrio.
Tentação é repetência de testes nos quais já falimos, em nos referindo às reencarnações passadas.
Obstáculo é desafio para a melhora de resistência.
Solidão é pausa de reajuste.
Menosprezo de pessoas queridas é convite ao aprendizado do amor genuíno.
Contratempos se definem por avisos salutares no serviço a fazer.
A não ser para auxiliar desinteressadamente, não procures tanto saber o que sucede no curso dos colegas e dos vizinhos, porque, de volta ao Lar Maior, responderás essencialmente por ti. A vista disso, não olvides que ninguém se eleva sem elevar-se na vida pelos degraus da lei de elevação.

EMMANUEL


CALMA E AUXÍLIO


Trabalha sempre, mas não desprezes a calma em que te retomes a fim de pensar com acerto.
Isso é da própria natureza.
O rio para mover a usina do progresso exige a represa em que as águas estacionam no impacto de forças tecnicamente organizadas.
Conserva a entrada do coração acessível a todos os companheiros que te cerquem, tantos deles agoniados, a te rogarem concurso e consolação.
Que o teu sorriso seja o porteiro dos teus sentimentos, encorajando-lhes as energias.
Em torno de ti, enxameiam os tristes, os torturados, os infelizes, os desorientados e todos aqueles que, por falta de fé, se transviaram no torvelinho do desespero.
Repontam de tua própria casa do teu grupo de serviço, do bairro em que reside e da cidade em que te situas.
Sê para eles um refúgio de paz e de esperança.
Aprende a ouvir com paciência para que possas esclarecer com discernimento e serenidade.
Se te afliges com o problema que te trazem, entrega a questão a Deus e mantém-te disponível, para que não te prives da oportunidade de auxiliar.
Guarda a diligência sem pressa e oferece a todos os que te busquem o reconforto de que necessitem, a fim de seguirem adiante.
Assim compreenderás, com a bênção da calma em ti mesmo, que prosseguirás com o ensejo de construir incessantemente no bem dos semelhantes, reconhecendo que o tempo, na vida de cada um de nós, é uma doação preciosa de Deus.
Se aceitaste Jesus por mestre da vida, trazes contigo a chama capaz de acender a fé nos companheiros que vagueiam no mundo, à maneira de lágrimas apagadas.
Prossegue amando.

MEIMEI

CHICO XAVIER

HIGIENE ESPIRITUAL



        Ante os detritos da maledicência, usemos a vassoura das boas palavras.
        Ante o lixo do sarcasmo, cavemos a fossa do silêncio.
        Ante os vermes da crueldade, mobilizemos os antissépticos do socorro cristão.
        Ante o vírus da cólera ou da irritação que nos defrontam nas frases ou nas atitudes alheias, pratiquemos a profilaxia da prece.
        Ante os tóxicos do pessimismo negrejante, acendamos a claridade do bom ânimo.
        Ante o veneno da ociosidade, mobilizemos os nossos recursos de serviço.
        Ante as serpes da incompreensão, realizemos mais vasto plantio de caridade.
        Ante os micróbios da desconfiança, incentivemos a nossa sementeira de boa-vontade e fé.
        Ante a erva sufocante dos conflitos de opinião, refugiemo-nos na boa vontade para com todos, que procura garantir o bem, acima de tudo.
        Ante as perigosas moléstias do amor próprio ferido, a expressar-se no corpo e na alma, através de mil modos,  pratiquemos o perdão
incondicional e incessante.
        Jesus não é somente o nosso Divino Orientador.
        É também o Divino Médico de nossa vida.
        Procuremos, pois, no Evangelho, as justas instruções para a nossa higiene espiritual e alcançaremos a harmonia para sempre.

 André Luiz
Francisco Cândido Xavier

Livro: Relicários de Luz

sexta-feira, 26 de junho de 2015

D e s a f i o s


Divaldo Franco, Professor, médium e conferencista
Nunca antes o ser humano enfrentou tantos desafios quanto na atualidade. Os avanços tecnológicos e todas as comodidades, que possibilitam a facilidade de comunicação, a aquisição de conhecimentos complexos e refinados, não conseguiram tornar o ser humano mais pacífico e mais fraterno. Em alguns casos, deu-se exatamente o contrário, por estimular-lhe os valores negativos que permaneciam ocultos nos conflitos e que agora explodem com mais facilidade. As ambições tornaram-se-lhe maiores, as falsas necessidades impuseram-se como primordiais e a busca de distrações incessantes tem-no afastado dos deveres que devem viger na sua agenda de realizações.
Nesse báratro, a insatisfação e o vazio existencial assumem proporções imprevisíveis, dando lugar ao crescimento da violência de todo jaez, que ameaça as estruturas sociais, e da indiferença por si mesmo, assim como pela sociedade. O ego exorbita e o individualismo alucina. Quanto mais se tem, mais se deseja, numa sofreguidão sem precedentes, como se o significado da existência fosse o prazer, o divertimento, o gozo momentâneo, que não preenchem as necessidades emocionais da harmonia íntima.
Hipnotizado pela ilusão, transita na incessante busca das satisfações pessoais, sem qualquer respeito pelas lutas empreendidas pelo seu próximo, não se importando com os embaraços que tal comportamento propicia aos demais. Certamente há exceções valiosas, que são a esperança de um futuro melhor, com mais segurança e equilíbrio.
Não obstante essa correria desesperada para lugar nenhum, quando já não se acredita nos valores éticos-morais, vale a pena a permanência nos ideais de enobrecimento e de dignidade, que são alicerces para a estruturação da existência feliz. Os descalabros e escândalos, que se sucedem e desanimam aqueles que confiam no direito e no dever, são transitórios e assinalam o estágio de atraso espiritual em que ora transitamos, valendo porfiar no bem sem receio.

Divaldo Franco escreve quinta-feira, quinzenalmente.

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 21-05-2015.

A outra janela


A menina, debruçada na janela, trazia nos olhos grossas lágrimas e o peito oprimido pelo sentimento de dor, causado pela morte do seu cão de estimação.
Com pesar, observava atenta o jardineiro a enterrar o corpo do amigo de tantas brincadeiras. A cada pá de terra jogada sobre o animal, sentia como se sua felicidade estivesse sendo soterrada também.
O avô, que observava a neta, aproximou-se, envolveu-a num abraço e falou-lhe com serenidade: Triste a cena, não é verdade?
A netinha ficou ainda mais triste e as lágrimas rolaram em abundância.
No entanto, o avô, que sinceramente desejava confortá-la, chamou-lhe a atenção para outra realidade. Tomou-a pela mão e a conduziu até uma janela opostamente localizada na ampla sala.
Abriu as cortinas e permitiu que ela visse o imenso jardim florido à sua frente, e lhe perguntou carinhosamente: Está vendo aquele pé de rosas amarelas, bem ali à frente? Lembra-se de que me ajudou a plantá-lo? Foi num dia de sol como o de hoje, que nós dois o plantamos.
Era apenas um pequeno galho cheio de espinhos, e hoje... Veja como está lindo, carregado de flores perfumadas e botões como promessa de novas rosas!
A menina enxugou as lágrimas que ainda teimavam em permanecer em suas faces e abriu um largo sorriso.
Mostrou as abelhas que pousavam sobre as flores e as borboletas que faziam festa entre uma e outra e as tantas rosas de variados matizes, que enfeitavam o jardim.
O avô, satisfeito por tê-la ajudado a superar o momento de dor, falou-lhe com afeto: Veja, minha filha, a vida nos oferece sempre várias janelas. Quando a paisagem de uma delas nos causa tristeza, sem que possamos alterar-lhe o quadro, voltemo-nos para outra, e certamente nos depararemos com uma paisagem diferente.
* * *
Tantos são os momentos felizes que se desenrolam em nossa existência. Tantas oportunidades de aprendizado nos visitam no dia-a-dia, que não vale a pena chorar e sofrer diante de quadros que não podemos alterar.
São experiências valiosas das quais devemos tirar as lições oportunas, sem nos deixar tragar pelo desespero e pela revolta, que só infelicitam e denotam falta de confiança em Deus.
A nossa visão do mundo ainda é muito limitada, não temos a capacidade de perceber os objetivos da Divindade, permitindo-nos momentos de dor e sofrimento.
Mas Deus tem sempre objetivos nobres e uma proposta de felicidade a nos aguardar.
* * *
Se hoje você está a observar um quadro desolador, lembre-se de que existem outras tantas janelas, com paisagens repletas de promessas de melhores dias.
Não se permita contemplar a janela da dor. Aproveite a lição e siga em frente com ânimo e disposição.
O sofrimento que hoje nos parece eterno, não resiste a força das horas que a tudo modifica.
A luz sempre vence as trevas, basta que tenhamos disposição íntima e coragem de voltar-nos para ela.
Agindo assim, o gosto amargo do sofrimento logo cede lugar ao sabor agradável de viver, e saber que Deus nos ampara em todos os momentos da nossa vida.

Redação do Momento Espírita.