Por:
Janaína Magalhães
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- Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?
Muito
mais do que imaginais. Influem a tal ponto que, de ordinário, são eles que vos
dirigem
(KARDEC,
2022, p. 195)
Podemos
depreender da resposta acima que a influenciação espiritual em nossas vidas é
muito grande e que estamos em constante intercâmbio por meio do pensamento com
o Mundo Espiritual. Através da mente, o Espírito encarnado familiariza-se com
ideias que lhe são afins, positivas ou negativas conforme o estágio vibratório
em que esteja situado.
Se
estes indivíduos são portadores de aspirações nobilitantes, onde se fixem,
haurem maior impulso para o crescimento. Permanecendo na construção do bem,
dificilmente assimilam as induções perversas ou criminosas procedentes dos
estagiários das regiões inferiores. (FRANCO, 2019, P. 18)
Se
interessados, porém, nas colocações da vulgaridade ou do prazer, da impiedade
ou da preguiça, do vício ou da desordem, recebem maior influxo de ondas mentais
equivalentes, resvalando para o despenhadeiro da emoção aturdida, do
desequilíbrio... (FRANCO, 2019, P. 18)
A
obsessão simples atinge a maioria dos encarnados tendo em vista ser um natural
intercurso psíquico existente em todas as partes do Universo.
De
acordo com “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XXVIII, item 81, “a
obsessão é a ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo.
Apresenta caracteres muito diversos, desde a simples influência moral sem
perceptíveis sinais exteriores até a perturbação completa do organismo e das
faculdades mentais”.
Durante
o sono físico, cada ser fixa-se nas ideias mentais que lhe são próprias
vibrando na sintonia da ambição desmedida, dos prazeres desenfreados, dos medos
indiscriminados, nas culpas paralisantes, encontrando-se com seres que se
caracterizam pelas mesmas aspirações e condições fazendo com que essas cargas
emocionais se intensifiquem. Ao despertarem para o novo dia, muitas vezes o
fazem trazendo a mente atribulada pelos resquícios da noite mal dormida e dos
encontros menos felizes prejudicando a execução das tarefas e o enfrentamento
das atividades diárias.
Surgem
como efeito natural, as síndromes da inquietação: as desconfianças, os estados
de insegurança pessoal, as enfermidades de pequena monta, os insucessos em
torno do obsidiado que soma as angústias, dando campo a incertezas, a mais
ampla perturbação interior. (FRANCO, 2019, P. 19)
A
partir daí, o obsidiado se alimenta da psicosfera deletéria que vige em sua
volta por não querer se esforçar em sair dela por meio de diversos recursos
disponíveis como: ouvir as sugestões dos amigos espirituais que nunca nos
abandonam, ler páginas edificantes, auxiliar o próximo, elevar a sintonia por
meio da prece, dentre outros.
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– Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações??
-
Sim, e, frequentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta
é a vontade. Ah! Quão poucos dentre vós fazem esforços! (KARDEC, 2022, p. 325).
Conforme
a constituição temperamental, faz-se apático, tende à depressão, adentrando-se
pela melancolia, em razão da mensagem telepática problemática e dos clichês
mentais pessimistas que ressumam do arquivo da inconsciência. No sentido
oposto, se é dotado de constituição nervosa excitada, torna-se agressivo,
violento, em desarmonia de atitudes expondo a aparelhagem psíquica e os nervos
a altas cargas de energias que danificam os sensores e condutores nervosos, com
singulares prejuízos para a organização fisiopsíquica. (FRANCO, 2019, P. 20)
Assim
sendo, percebe-se pelo desequilíbrio no comportamento da criatura que ora tende
à depressão ora à excitação, a instalação da doença causada pela obsessão.
Não
apenas por processos de desforço pessoal, em que os desafetos se buscam para
produzirem-se males e cobranças injustificáveis, como por fatores de variada
motivação, assimilam-se ideias e pensamentos pela simples sintonia de onda
própria em que se situam as mentes. (FRANCO, 2019, P. 16,17)
Ou
seja, captamos as sugestões vindas da esfera espiritual com as quais
sintonizamos. Por falta de vigilância ou vontade, nos atemos às vibrações
negativas que nos chegam aceitando ou atraindo a sugestão perturbadora que
vitaliza as tendências que já possuímos e relutamos em combater.
Por
estarmos há milênios jungidos ao mal e aos hábitos perniciosos, as ideias
negativas são mais fáceis de serem assimiladas e aceitas encontrando
ressonância com o pensamento do paciente que não reluta e torna-se presa do
monoideísmo que pode produzir quadros de fascinação e subjugação torturantes e
de difícil reversibilidade.
Obsessão
por Fascinação
Com
o processo de obsessão instalado, o obsidiado começa não apenas a compartilhar
suas ideias com o obsessor, como também suas atitudes e formas de ser. Neste
momento a pessoa perde a noção do ridículo e passa a agir guiada pelas
inspirações vindas do obsessor incorporando-as como diretrizes que se
apresentam ilógicas aos outros mas que para ele estão em perfeita coerência e
dentro da normalidade.
Por
conhecerem o caráter e as imperfeições morais do ser que perturbam, os
Espíritos querem insuflá-lo em seu orgulho para que se distancie das pessoas ou
recursos que possam de alguma forma ajudá-lo, fazendo-lhe crer que são seres em
missões especiais e tornando joguetes de fácil manipulação desses Espíritos.
Lembremos
aqui que em toda obsessão ou sofrimento é levado em conta o merecimento da
criatura e a disposição de que esta se reveste na tentativa de se livrar de tal
mal. Por mais injusto que possa parecer, no sofrimento do indivíduo, existe
sempre a lei de ação e reação no cerne de todo o problema, juntamente com
resquícios de orgulho, egoísmo e personalismo exacerbado que são brechas para a
aproximação do antagonista espiritual.
Obsessão
por Subjugação
No
painel das obsessões, à medida que se agrava o quadro da interferência, a
vontade do hospedeiro perde os contatos de comando pessoal, na razão direta em
que o invasor assume a governança. Assim, a subjugação pode ser física,
psíquica e simultaneamente fisiopsíquica. (FRANCO, 2019, P. 23)
No
primeiro caso, não há perda da lucidez intelectual e dá-se diretamente sobre os
centros motores podendo causar enfermidades orgânicas, advindas da contaminação
por vírus e bactérias, ou mesmo sob a vigorosa ação fluídica dilacerarem-se os
tecidos fisiológicos ou perturbar-se o metabolismo geral, causando enormes
prejuízos físicos...
No
segundo caso, o paciente chega a perder totalmente a lucidez pelo estado de
passividade e dominação mental em que se encontra perdendo temporária ou
definitivamente a área da consciência durante sua atual encarnação.
O
espírito encarnado movimenta-se num labirinto que o atemoriza, algemado a um
adversário que lhe é impenitente, maltratando-o, aterrando-o com ameaças
cruéis, em parasitose firme na desconcertada casa mental.
Por
fim, assenhoreia-se, simultaneamente dos centros do comando motor e domina
fisicamente a vítima, que lhe fica inerte, subjugada, cometendo atrocidades sem
nome.
Não
podemos deixar de afirmar que juntamente com o paciente estão incursas na Lei
as pessoas que constituem seu grupo familiar e social, aí situados por
necessidade evolutiva e de resgate para todos. Reunidos ou religados pelo
parentesco sanguíneo ou através das conjunturas da afetividade, da afinidade,
formam os grupos em que são alcançados pelos processos reeducativos, no tentame
do progresso. (FRANCO, 2019, P. 24)
Necessário
considerar que não nos referimos aqui, àqueles seres que são portadores de
patogenias mais imperiosas em razão de enfermidades graves, da hereditariedade,
de distúrbios glandulares e orgânicos, de traumas cranianos e de sequelas de
inúmeras doenças outras...
Queremos
deter-nos nas psicogêneses espirituais, sejam as de natureza emocional, pelas
aptidões e impulsos que procedem das reencarnações transatas, de que os
enfermos não se liberam; sejam pelo impositivo das obsessões infelizes,
produzidas por encarnados ou por Espíritos que já se despiram da indumentária
carnal, permanecendo, no entanto, nos propósitos inferiores a que se aferram...
Dando
gênese a enfermidades várias, inicialmente imaginárias, que recebe por via
telepática, pode transformar-se em males orgânicos de consequências
insuspeitadas, ao talante do agente perseguidor que induz a vítima que o
hospeda a situações lamentáveis. (FRANCO, 2019, P. 8)
Recursos
terapêuticos como tratamento à obsessão
· Tratar
o Espírito desencarnado como um enfermo que necessita de ajuda e não como um
inimigo ferrenho, auxiliando-o na sua renovação íntima mesmo não concordando
com suas atitudes e buscando à luz do Evangelho demovê-lo da ação no mal.
(FRANCO, 2019, P. 25)
· Paralelamente,
estimular junto ao ser encarnado que sofre a injunção obsessora o hábito da
oração e da leitura edificante, ao mesmo tempo em que trabalha seu caráter
tornando-o maleável ao bem e refratário ao vício.
·
Aplicação
dos recursos fluídicos, seja através do passe ou da água magnetizada, da ação
intercessória com que se vitalizam os núcleos geradores de forças, estimulantes
da saúde com o poder de desconectarem a ligação entre obsessor e obsidiado e
fazer com que possam se reabilitar perante a Consciência Cósmica pela aplicação
de valores e serviços dignificadores. (FRANCO, 2019, P. 26)
Referências:
1-
FRANCO, Divaldo. Nas fronteiras da loucura. Ditado
pelo espírito Manoel Philomeno de Miranda. 16 ed. Salvador: LEAL, 2019)
2-
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo.
14. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002.
3
- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, tradução de Guillon Ribeiro.
Campos dos Goytacazes: Letra Espírita, 2022.