sábado, 18 de maio de 2019



“QUANDO DESENCARNAMOS, DEMORA PARA NOS DESLIGAR? PORQUE? NÃO SÃO TODOS DESLIGAMENTOS IGUAIS?
Morte física e desencarne não ocorrem simultaneamente. O indivíduo morre quando o coração deixa de funcionar. O Espírito Desencarna quando se completa o Desligamento, o que demanda algumas horas ou alguns dias. Basicamente o Espírito permanece ligado ao corpo enquanto são muito fortes nele as impressões da existência física. Indivíduos materialistas, que fazem da jornada humana um fim em si, que não cogitam de objetivos superiores, que cultivam vícios e paixões, ficam retidos por mais tempo, até que a impregnação fluídica animalizada de que se revestem seja reduzida a níveis compatíveis com o desligamento.
Certamente os benfeitores espirituais podem fazê-lo de imediato, tão logo se dê o colapso do corpo.
No entanto, não é aconselhável, porquanto o desencarnante teria dificuldades maiores para ajustar-se às realidades espirituais.
O que aparentemente sugere um castigo para o indivíduo que não viveu existência condizente com os princípios da moral e da virtude, é apenas manifestação de misericórdia.
Não obstante o constrangimento e as sensações desagradáveis que venha a enfrentar, na contemplação de seus despojes carnais em decomposição, tal circunstância é menos traumatizante do que o desligamento extemporâneo.
Há, a respeito da morte, concepções totalmente distanciadas da realidade. Quando alguém morre fulminado por um enfarte violento, costuma-se dizer:
"Que morte maravilhosa! Não sofreu nada!"
No entanto, é uma morte indesejável.
Falecendo em plena vitalidade, salvo se altamente espiritualizado, ele terá problemas de desligamento e adaptação, pois serão muito fortes nele as impressões e interesses relacionados com a existência física.
Se a causa da morte é o câncer, após prolongados sofrimentos, em dores atrozes, com o paciente definhando lentamente, decompondo-se em vida, fala-se:
"Que morte horrível! Quanto sofrimento!"
Paradoxalmente, é uma boa morte.
Doença prolongada é tratamento de beleza para o Espírito. As dores físicas atuam como inestimável recurso terapêutico, ajudando-o a superar as ilusões do Mundo, além de depurá-lo como válvulas de escoamento das impurezas morais.
Destaque-se que o progressivo agravamento de sua condição torna o doente mais receptivo aos apelos da religião, aos benefícios da prece, às meditações sobre o destino humano.
Por isso, quando a morte chega, ele está preparado e até a espera, sem apegos, sem temores.
Algo semelhante ocorre com as pessoas que desencarnam em idade avançada, cumpridos os prazos concedidos pela Providência Divina, e que mantiveram um comportamento disciplinado e virtuoso.
Nelas a vida física extingue-se mansamente, como uma vela que bruxuleia e apaga, inteiramente gasta, proporcionando-lhes um retomo tranquilo, sem maiores percalços.

Richard Simonetti

quinta-feira, 2 de maio de 2019



Perdão e Reconciliação 
Por Sérgio B. Gregório 

1. INTRODUÇÃO
    O objetivo deste estudo é mostrar que a purificação de uma alma está atrelada ao esquecimento da ofensa. Para tanto analisaremos o problema da ofensa, a reconciliação com os adversários e as implicações suscitadas pela obediência à Lei de Deus.

2. CONCEITO
   Perdoar - do lat. med. perdonare significa “desculpar”, “absolver”, “evitar”. É o estado de ânimo, em que se encontra alguém, agravado por outrem, seu agressor, e sente-se desagravado. O pecado, na Religião, é um agravo a Deus, e o perdão consiste em não considerarse Deus agravado; ou seja, desagravado. (Santos, 1965) O conceito de perdão, segundo o Espiritismo, é idêntico ao do Evangelho, que lhe é fundamento: concessão, indefinida, de oportunidades para que o ofensor se arrependa, o pecador se recomponha, o criminoso se libere do mal e se erga, redimido, para a ascensão luminosa. (Equipe da FEB, 1995) Reconciliação – do lat. reconciliato, de reconciliare, constituído por re = prefixo iterativo + conciliare = conciliar, trazer a um acordo significa restabelecimento de relações ou de acordo entre duas pessoas que se haviam desentendido. (Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo)

3. HISTÓRICO
3.1. Antiguidade Na Antiguidade clássica grega pouco se escreveu acerca do perdão. Entende-se que esses filósofos estavam mais preocupados com a questão do conhecimento racional e da prática de conduta. Contudo, nas entrelinhas das filosofias de Sócrates e de Platão, considerados os precursores do Cristianismo e das ideias espíritas,
 
O Letra Espírita leva até você oportunidades de renovação interior e, consequentemente, crescimento espiritual....
encontramos muitas acepções sobre as virtudes, a questão do bem e do mal, a justiça e a injustiça etc. “Não é preciso jamais retribuir injustiça por injustiça, nem fazer o mal a ninguém, qualquer mal que se nos tenha feito. Poucas pessoas, entretanto, admitirão este princípio, e as pessoas que estão divididas não devem senão se desprezar umas às outras”. “Não está aí o princípio da caridade, que nos ensina a não retribuir o mal com o mal, e de perdoar aos inimigos?” (Kardec, 1984, p. 29)

3.2. Velho Testamento O Deus do Antigo Testamento é o Deus do perdão. O pecador é um devedor a quem Deus, com seu perdão, perdoa a dívida; o perdão é tão eficaz que Deus já não vê o pecado, o que é como que jogado para trás, tirado, expiado, destruído. A apostasia que se segue após a Aliança e que mereceria a destruição do povo é a ocasião para Deus se proclamar “Deus de ternura e de piedade, lento para se irar, rico em graça e fidelidade... que tolera falta, transgressão, pecado, mas nada deixará impune...” O coração de Deus, longe de querer a morte do pecador deseja a sua conversão para lhe prodigalizar seu perdão. Deus perdoa ao pecador que se acusa; longe de querer perdê-lo, longe de desprezá-lo, reconforta-o, purificando e acumulando de alegria seu coração contrito e humilhado. (Léon-Dufour, 1972)

3.3. Novo Testamento O perdão de Deus no Novo Testamento vem através de Cristo. João Batista pregava o Batismo do arrependimento para a remissão dos pecados. Dizia: “Fazei penitência, senão aquele que virá vos há de batizar no fogo”; para ele este fogo é o da ira e do juízo, aquele que consome a palha depois de separado o trigo. Jesus, porém, não foi enviado pelo Pai como juiz, mas como Salvador. Chama à conversão todos os que dela necessitam e suscita essa conversão revelando que Deus é um Pai cuja alegria consiste em perdoar e cuja vontade é que ninguém se perca. Jesus não só anuncia esse perdão como reivindicava e exercia o poder de perdoar pecados. O perdão da pecadora é um exemplo clássico. O Cristão conhece a salvação através do perdão dos pecados. A diferença entre o VT e NT é que neste último o perdão vem através do Cristo. (Léon-Dufour, 1972)

3.4. Atualidade Huberto Rohden, Pietro Ubaldi, krishnamurti e outros pensadores modernos dão-nos, cada qual na sua maneira de ver o problema, a dimensão do perdão na atualidade. Pietro Ubaldi, por exemplo, faz um relacionamento lógico entre o perdão e a Lei de Deus, mostrando-nos o valor científico de esquecer os ultrajes do nosso próximo. Em termos práticos, não resta dúvida que Allan Kardec, no capítulo X de O Evangelho Segundo o Espiritismo, retrata diversas maneiras de
conceber o perdão das ofensas se realmente quisermos ser perdoados por Deus.

4. O PROBLEMA DA OFENSA
4.1. Caracterização da ofensa Ofensa significa injúria, agravo, ultraje, afronta, lesão, dano. Causar mal físico a; ferir suscetibilidades. Ela depende do grau evolutivo tanto do ofendido quanto do ofensor, pois o ser espiritualizado não se envolve com picuinhas. Há que se considerar ainda a semântica das palavras, pois muitos agravos vêm da má compreensão ou da má interpretação daquilo que se disse. Considerar-se injuriado depende também de nosso estado emotivo, de nossa situação financeira, no nosso estresse. Uma pessoa desempregada pode se sentir ofendido simplesmente porque a outra lhe manda trabalhar. 

4.2. Mahatma Ghandi nunca foi ofendido Mahatma Ghandi, grande líder indiano da não-violência, no fim de sua vida, pôde responder à pergunta se perdoou todas as ofensas recebidas com a declaração sincera: “Nada tenho que perdoar a ninguém, porque nunca ninguém me ofendeu”. De acordo com as explicações de Rohden, o Ego é ofensor e ofendido, mas quando o ego humano é substituído pelo Eu divino, não pode mais haver ofensor nem ofendido. A ofensa é objetiva, considerar-se ofendido ou não subjetivo. Ghandi simplesmente não considerou a ofensa como ofensa. (ROHDEN, 1982, p. 159-161)

4.3. O perdão das ofensas Já no Antigo Testamento, a Lei não só estabelece um limite à vingança pela lei de talião, mas ainda proíbe o ódio ao irmão, a vingança e rancor contra o próximo. No Novo Testamento Jesus completa esse pensamento dizendo que Deus não pode perdoar a quem não perdoa. Por isso reitera que deveríamos perdoar não sete, mas setenta vezes sete vezes, ou seja, indefinidamente. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo vamos encontrar diversos pensamentos acerca do perdão das ofensas. O principal de tudo isso é não guardar rancor no coração, de espécie alguma.

5. RECONCILIAÇÃO COM OS ADVERSÁRIOS
5.1. O texto evangélico “Reconciliai-vos, o mais depressa, com vosso adversário, enquanto estais com ele a caminho, a fim de que vosso adversário não vos entregue ao juiz, e que o juiz não vos entregue ao ministro da justiça, e que não sejais aprisionado. Eu vos digo, em verdade, que não saireis de lá, enquanto não houverdes pago até o último ceitil”. (Mateus, cap. V., 25,26)

5.2. Reconciliação como experiência de vida Cristã O Cristianismo centra-se na experiência do amor entre os homens como fato fundamental de aproximação a Deus. Entretanto o ser humano é ser egoísta por natureza e se encontra submerso na estrutura da injustiça e opressão que o cercam e o impulsionam para o mal. Há assim contradição entre o ensinamento de Jesus e o seu interior. Nesse sentido, a reconciliação ou perdão mútuo entre os irmãos deve ser uma tarefa constante tendo em vista a realização do amor. Lembremo-nos de que toda a Bíblia é uma história de reconciliação. Os próprios mitos dos primeiros capítulos do Gênesis pretendem mostrar que ao dar as costas para Deus, Adão e Eva também romperam com a própria harmonia da Lei, a qual deve ser retomada novamente. (Idígoras, 1983)

5.3. A morte não nos livra dos inimigos De acordo com os pressupostos espíritas, a morte não nos livra dos nossos inimigos, pois eles continuam vivos além-túmulos. Acontece que a ausência da vestimenta física é um elemento de maior facilidade para o ataque mental, isto é, através das interferências em nossos mais secretos pensamentos.  Observe que as obsessões surgem deste funesto sentimento de vingança e de ódio de quem se foi para outra vida. Descuidando-nos da oração e da vigilância, seremos vítimas fáceis do assédio deles.

6. LEI DE DEUS:
A NÃO-RESISTÊNCIA
6.1. A lei de Deus está escrita na consciência do ser Allan Kardec, na questão 621 de O Livro dos Espíritos, diz-nos que a Lei de Deus está escrita na consciência do ser. O que significa? Significa que é uma ideia inata que cada um de nós traz no seu bojo desde o nascimento. A revelação da mesma tem origem no esquecimento e no desprezo que lhe imputamos. Para isso, Deus, na sua infinita bondade, deu a alguns Espíritos superiores a missão de revelar a sua Lei, no sentido de fazer progredir a humanidade. Disto resulta que tudo o que fizermos devemos prestar contas à Lei. Ela é o móvel que dispões todas as nossas atividades neste planeta, tanto as de ordem material quanto as de ordem espiritual. É a ela que devemos obedecer e não aos homens que a malbaratam por interesse ou ignorância. Na resposta à pergunta 617A do mesmo livro, os Espíritos afirmam: “Entre as leis divinas, umas regulam o movimento e as relações da matéria bruta: são as leis físicas; seu estudo pertence ao domínio da Ciência. As outras concernem especialmente ao homem e às suas relações com Deus e com os seus semelhantes. Compreendem as regras da vida do corpo e as da vida da alma: são as leis morais”.

6.2. O evangelho e a regra da não-resistência Recebida uma ofensa temos duas soluções: a do mundo e a do Evangelho. A solução do mundo prende-se à superfície do problema, pois induz-nos a cometer um mal para reparar o mal que nos
tenha sido feito. Isto acaba gerando um ciclo vicioso do mal que nunca terá fim, pois um mal estimula a cometer outro mal e assim sucessivamente. A solução evangélica é mais profunda, porque vai à essência do problema, da questão, porque estimula-nos a não revidar o mal com o mal, mas com o bem, ou seja, o perdão das ofensas. (Ubaldi, 1982, p. 188-195)

6.3. As razões lógicas para o exercício do perdão Em virtude de uma ofensa, lembremo-nos: 1) a reação é um direito que não pertence ao homem, mas só à Lei de Deus; 2) se desejamos justiça, estejamos certos: a reação da Lei é muito mais poderosa que as nossas. 3) com nossa reação humana não afastamos e nem apagamos o mal, a não ser na aparência e provisoriamente, porque não eliminada a sua causa ele voltará para nós. O correto seria agir da seguinte forma: 1) renunciar à vingança; 2) perdoar a ofensa; e, 3) esquecer de exigir justiça. Se esquecermos de exigir justiça para o nosso caso particular, ele acabará pertencendo à Lei e ficaremos livres de qualquer dívida. (Ubaldi, 1982, p. 196-204)

7. CONCLUSÃO
Humilhemo-nos, renunciemos à nossa personalidade, culpemo-nos antes de culparmos o próximo e suportemos as injunções do destino, sem reclamações. Estes são os verdadeiros exercícios do perdão incondicional, os que realmente fortalecem a nossa alma para a subida pedregosa nos horizontes da perfeição do ser.

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
ÁVILA, F. B. de S.J. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. Rio de Janeiro: M. E. C.,1967. EQUIPE DA FEB. O Espiritismo de A a Z. Rio de Janeiro: FEB, 1995. IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983. KARDEC, A.. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo: IDE, 1984. KARDEC, A.. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo: FEESP, 1995. LEON-DUFOUR, X. e OUTROS. Vocabulário de Teologia Bíblica. Rio de Janeiro: Vozes, 1972. ROHDEN, H. Mahatma Gandhi - Ideias e Ideais de um Político Místico. 6. ed., São Paulo: Alvorada, 1982. SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3. ed., São Paulo: Matese, 1965. UBALDI, P. A Lei de Deus. 2. ed., Rio de Janeiro: Fundação Pietro Ubaldi, 1982.

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sexta-feira, 19 de abril de 2019



Os Bastidores de “O Livro dos Espíritos”

Na sala principal de uma mansão em Paris, um grupo de senhores elegantes observa em silêncio a garota de 14 anos. Julie Baudin está sentada em frente a uma mesa redonda e segura um estranho objeto – uma cesta com um lápis encaixado na borda, que risca letras em espiral. Cada palavra é analisada atentamente por um dos homens. A garota parece não saber por que os adultos olham para ela tão concentrados – volta e meia ela ri e faz algum comentário engraçado. Suas mãos, porém, desenham no papel frases que em poucos meses irão fundar uma religião: o espiritismo.
Publicado pela primeira vez em 1857, o Livro dos Espíritos foi organizado em cerca de 20 meses pelo professor francês Allan Kardec, que coordenou longas reuniões com médiuns, fazendo perguntas a eles e colhendo respostas que acreditava vir dos espíritos. Dos vários médiuns que contribuíram para o livro, 3 garotas se destacam. Julie e Caroline Baudin, de 15 e 18 anos, e Ruth Japhet, de 20. Organizando as respostas para 501 perguntas sobre o Universo, Kardec criou a doutrina e visão de mundo do espiritismo, fazendo dele muito mais que uma diversão da burguesia parisiense.
Na época, os fenômenos mediúnicos serviam como passatempo nos salões de Paris, que começava a ganhar ares cosmopolitas. A partir de 1850, a cidade passou por uma grande reforma. Ruelas medievais e casebres deram lugar a avenidas largas e bulevares que convergiam no Arco do Triunfo, símbolo da força da modernidade e da nova burguesia francesa. Com novos parques, a cidade se preparava para virar o século como a Cidade das Luzes. Era tempo de revolução industrial e descobertas científicas, que tornavam o homem capaz de explicar e interferir nos fenômenos ao seu redor. Ou em quase todos.
Porque no meio de toda essa modernidade, as mesas girantes eram uma febre que assolava a Paris de 1850. Eram comuns as reuniões em salões culturais ou mansões de senhoras da sociedade, nos quais as pessoas iam para girar mesas apenas com o poder da concentração. “Toda a Europa tem o espírito voltado para uma experiência que consiste em fazer girar uma mesa”,afirmou o jornal L’Illustration do dia 14 de maio de 1853. “Ide por aqui, ide por ali, nos grandes salões, nas mais humildes mansardas, no atelier do pintor – e vereis pessoas gravemente assentadas em torno de uma mesa vazia, que elas contemplam à semelhança daqueles crentes que passam a vida a olhar seus umbigos.” Nas reuniões, havia poetas, intelectuais e nobres. O poeta Victor Hugo era frequentador assíduo das reuniões e chegou a escrever que “negar a atenção a que tem direito o espiritismo é desviar a atenção da verdade”.
Numa noite de maio de 1855, a reunião das mesas girantes aconteceu na casa de uma senhora chamada Plainemaison. Uma das pessoas que compareceu à reunião foi Hippolyte Léon Denizard Rivail, um professor de ciências de 50 anos. Mais tarde, ele contaria como a visita o deixou impressionado. As mesas, segundo ele, não só giravam como batiam no chão e se moviam “em condições que não deixam margem a qualquer dúvida”. A reunião na casa da sra. Plainemaison deixou Rivail aturdido. “Entrevi naquelas aparentes futilidades, no passatempo que faziam daqueles fenômenos, qualquer coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei, que tomei a mim investigar a fundo”, escreveria o professor, anos depois.

Começam as sessões
Rivail passou meses observando o fenômeno naquela e em outras casas da cidade, como a dos Boudin, que tinham duas filhas que acreditavam ser médiuns. O mais estarrecedor era que as mesas pareciam não só rodar como também falar. Isso mesmo: pareciam indicar letras com pancadas no chão e, quando interrogadas, moviam-se para a direita ou esquerda, tentando comunicar “sim” ou “não”. “Se as pessoas viam o fenômeno como uma diversão, Rivail ia às reuniões de mesas girantes como um cientista. Fazia perguntas sérias e anotava as respostas que obtinha”, diz o médium e jornalista Jorge Rizzini. Em abril de 1856, 11 meses depois da primeira visita a uma daquelas reuniões, a mensagem da mesa perturbou ainda mais aquele professor de ciências. Um espírito teria escolhido Rivail para reunir e publicar os ensinamentos que ele obtinha nas mesas. Rivail não acreditou e pediu que o espírito repetisse a mensagem. “Confirmo o que foi dito, mas recomendo discrição, se quiser se sair bem. Tomará mais tarde conhecimento de coisas que agora o surpreendem”, foi a mensagem que ele recebeu como resposta.
Assim o trabalho começou. Todas as terças-feiras, Rivail frequentava a casa da senhora Boudin. Julie, a moça de 14 anos, e sua irmã Caroline, de 16, psicografaram quase todas as questões do Livro dos Espíritos. Como a identidade das duas foi mantida em segredo por muitos anos, sabe-se pouco sobre elas. O que se sabe é que Julie era uma médium passiva, inconsciente do que escrevia. Somente achava divertido as pessoas lhe darem tanta importância. As reuniões, dirigidas pelos pais delas, não eram secretas, mas restritas a poucos convidados. Para escrever as mensagens, Julie e Caroline usavam uma cesta-de-bico, feita de vime, com 15 a 20 centímetros de diâmetro e uma espécie de bico com um lápis na ponta. “Pondo o médium os dedos na borda da cesta, o aparelho todo se agita e o lápis começa a escrever”, contou Kardec em O Livro dos Médiuns. Com o tempo, as garotas passaram a usar a psicografia direta, mesmo método usado mais tarde pelo brasileiro Chico Xavier.
Diante delas, Rivail fazia perguntas que nós, mortais, sempre quisemos fazer a quem passa pela morte e volta para contar. A 4ª pergunta do Livro dos Espíritos, por exemplo, é “Poderíamos dizer que Deus é infinito?” E a resposta:“Definição incompleta. Pobreza da linguagem dos homens, insuficiente para definir coisas acima de sua inteligência”. A 150ª é “A alma, após a morte, conserva sua individualidade? Sim, nunca a perde. O que seria ela se não a conservasse?”
As respostas que Caroline e Julie psicografavam eram revistas, analisadas e muitas vezes comparadas a outras mensagens. Na fase de revisão, a médium que mais contribuiu foi Ruth Japhet, uma médium sonâmbula que tinha mais de 50 cadernos com mensagens que psicografava à noite. Para Rivail, a revisão era necessária, primeiro, por causa da dificuldade em se entender o que os espíritos diziam. Segundo, porque, para ele, os espíritos não eram donos de toda a sabedoria do Universo. “Um dos primeiros resultados das minhas observações foi que os espíritos, não sendo senão as almas dos homens, não tinham nem a soberana sabedoria nem a soberana ciência; que seu saber era limitado ao grau de adiantamento; e que a opinião deles não tinha senão o valor de uma opinião pessoal”, escreveu ele em O Livro dos Médiuns. Por isso, Kardec afirmava que muitas mensagens de entidades eram ignoradas, ou por terem gracejos ofensivos ou por não fazerem sentido. Também por esse motivo, quanto mais médiuns participassem da composição do livro, melhor. Segundo ele, mais de 10 deles contribuíram na 1ª edição da obra.
Quando Rivail acabou de editar as perguntas, surgiu um problema: qual seria o título e quem deveria assinar a obra? Como não se considerava autor, e sim um organizador, deu o nome óbvio: O Livro dos Espíritos. Mas alguém precisava assiná-lo.
“Rivail consultou os espíritos e uma entidade deu a ele o nome de Allan Kardec, porque esse tinha sido o nome que ele teve numa vida passada, como um sacerdote druida.” Assim surgiu o nome do pai do espiritismo.
Em 18 de abril de 1857, os primeiros exemplares sairiam da Tipografia de Beau, em Saint-Germain-en-Laye, cidade vizinha a Paris. O livro rapidamente correu o mundo e criou polêmica, provocando protestos de padres e cientistas céticos, mas atraindo a atenção de outros médiuns, que entraram em contato com Kardec. O pai do espiritismo viu que seu trabalho ainda não estava terminado. Eram tantas novas revelações que ele decidiu revisar mais uma vez e estender o livro. A 2ª edição, definitiva, contém 1 019 perguntas. A última delas é “O reino do bem poderá um dia realizar-se na Terra?” Parte da resposta é: “O bem reinará na Terra quando, entre os espíritos que vêm habitá-la, os bons predominarem sobre os maus; então eles farão reinar na Terra o amor e a justiça, que são a fonte do bem e da felicidade”. Estava criado o livro e, com ele, uma nova religião para os homens.

Fonte: Letra Espírita

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

O Bem é Incansável


"E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem." - Paulo. (II Tessalonicenses, 3:13.)

É muito comum encontrarmos pessoas que se declaram cansadas de praticar o bem. Estejamos, contudo, convictos de que semelhantes alegações não procedem de fonte pura.
Somente aqueles que visam determinadas vantagens aos interesses particularistas, na zona do imediatismo, adquirem o tédio vizinho da desesperação, quando não podem atender a propósitos egoísticos.
É indispensável muita prudência quando essa ou aquela circunstância nos induz a refletir nos males que nos assaltam, depois do bem que julgamos haver semeado ou nutrido.
O aprendiz sincero não ignora que Jesus exerce o seu ministério de amor sem exaurir-se, desde o princípio da organização planetária. Relativamente aos nossos casos pessoais, muita vez terá o Mestre sentido o espinho de nossa ingratidão, identificando-nos o recuo aos trabalhos da nossa própria iluminação; todavia, nem mesmo verificando-nos os desvios voluntários e criminosos, jamais se esgotou a paciência do Cristo que nos corrige, amando, e tolera, edificando, abrindo-nos misericordiosos braços para a atividade renovadora.
Se Ele nos tem suportado e esperado através de tantos séculos, por que não poderemos experimentar de ânimo firme algumas pequenas decepções durante alguns dias?
A observação de Paulo aos tessalonicenses, portanto, é muito justa. Se nos entediarmos na prática do bem, semelhante desastre expressará em verdade que ainda nos não foi possível a emersão do mal de nós mesmos.

Francisco Cândido Xavier

Pelo Espírito Emmanuel

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Seis Encarnações De Allan Kardec


Algumas pessoas acham que Allan Kardec foi “apenas” o codificador da Doutrina Espírita, que apenas serviu de  intermediário para copilar as informações que deram origem aos estudos da doutrina. No entanto, o que muitos não sabem, é que há muito tempo, ou melhor dizendo, há muitos milênios Kardec já vem servindo a Terra, como grande Espírito de Luz.

Conta o Plano Espiritual que Kardec teria sido:

AMENOPHIS (Cerca de 3.300 anos a.C.)
Ilustre e sábio sacerdote da casa do Faraó Seti I..

PLATÃO (Atenas 427-347 a.C.)
Filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga, fundador da Academia em Atenas, a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental. Juntamente com seu mentor, Sócrates, e seu pupilo, Aristóteles, Platão ajudou a construir os alicerces da filosofia natural, da ciência e da filosofia ocidental. Acredita-se que seu nome verdadeiro tenha sido Arístocles.
► Fontes revelam que essa informação foi encontrada em anotações do próprio Kardec que diz “depois que Zéfiro (um respeitado Espírito) me contou que eu (Kardec) fui Platão é que pude compreender melhor a minha missão”.

ALLAN KARDEC (Cerca de 50 a.C.)
Foi um sacerdote Druida da civilização Celta. Os druidas não limitavam sua ação apenas à religião, acumulavam também a função de juízes, professores, médicos, conselheiros militares e guardiões da cultura céltica. Adotou posteriormente o mesmo nome, Allan Kardec, para publicar a Codificação Espírita, nome esse que ficou perpetuado para identificá-lo como Espírito.
► Quem transmitiu essa informação também foi o Espírito Zéfiro, dizendo que ambos (Kardec e Zéfiro) teriam sido companheiros na mesma época (58 a.C.) ocasião da invasão da Gália pelo Imperador Júlio César.

QUIRÍLIUS CORNÉLIUS (Durante a passagem de Jesus Cristo)
Centurião romano. Foi designado pelo governador da Judéia para vigiar Jesus. Ficou tão surpreso com tantos ensinamentos do Mestre que passou de observador a seguidor. Mais tarde, quando Jesus foi preso, foi designado para tomar conta de sua cela, ocasião em que teria oferecido sua armadura para que Jesus pudesse fugir. Mas Jesus não aceitou e teria dito que “chegaria a hora em que o centurião daria a vida por ele” (O que se concretizou na encarnação seguinte). Após a crucificação de Jesus, Quirílius se retirou para uma montanha e tornou-se um eremita, adotando o nome de Pai João. Muitas pessoas o teriam procurado durante dificuldades para ouvir um pouco de sua sabedoria e ensinamentos do Mestre.

JAN HUS  (Husinec, 1369 - Constança, 6 de Julho de 1415)
Sacerdote, mártir e reformador Tcheco. Pregava que os documentos sagrados pudessem ser traduzidos para a língua local para que todos pudessem entender. Da mesma forma, que as missas pudessem ser rezadas na língua local. Que as pessoas pudessem se dirigir a Deus diretamente, não sendo apenas privilégio da Igreja. Era veementemente contra a venda de indulgências, em especial, o perdão de todos os pecados mediante a um pagamento em dinheiro estipulado pela Igreja. Por essas razões, foi ao Concílio de Constantinopla, e lá foi acusado de heresia. Como não aceitou pedir perdão, foi condenado a fogueira, juntamente com todas as suas obras traduzidas. Já na fogueira teria dito “De bom grado vou confirmar com meu sangue a verdade sobre a qual tenho escrito e pregado”
◙◄ John Huss – O Filme (54 min.) http://www.youtube.com/watch?v=YZglUlGs6ac

HIPPOLYTE LÉON DENIZARD RIVAIL
(Lyon, 3 de outubro de 1804 — Paris, 31 de março de 1869)
Educador, escritor e tradutor francês. Sob o pseudônimo de Allan Kardec  notabilizou-se como o codificador do espiritismo (neologismo por ele criado). Desde tenra idade já se mostrava notável. Ensinava os garotos menos favorecidos o que aprendia nas melhores escolas. Formou-se em diversas áreas. Tornou-se especialista em fenômenos magnéticos. Quando ouviu falar sobre as casas de mesas girantes e falantes, foi até elas acreditando se tratar apenas de manipulação de fluidos magnéticos. Mas se surpreendeu ao constatar que pessoas simples eram porta vozes de informações extremamentes sábias e concluiu que essas informações realmente eram provenientes de Espíritos. A partir daí passou a dedicar-se totalmente a esses contatos, escrevendo diversas obras fundamentais para o estudo da Doutrina Espírita, tais como: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo O Espiritismo, O Céu E O Inferno, A Gênese, etc.
FILME COMPLETO: O Espiritismo De Kardec Aos Dias De Hoje (53 minutos)

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Decisão e Vontade


Incerteza parece coisa de pouca monta, mas é assunto de importância fundamental no caminho de cada um.
*
As criaturas entram na instabilidade moral, habituam-se a ela, e passam ao domínio das forças negativas sem perceber.
Dizem-se confiantes pela manhã e acabam indecisas à noite.
Frequentemente rogam em prece:
- Senhor! Eis-me diante de tua vontade!...
Mostra-me o que devo fazer!...
E quando o Senhor lhes revela, através das circunstâncias, o quadro de serviço a expressar-se, conforme as necessidades a que se ajustam, exclamam em desconsolo:
- Quem sou eu para realizar semelhante tarefa?
Não tenho forças.
Ai de mim que sou inútil!...
Sabem que é preciso servir para se renovarem, mas paradoxalmente esperam renovar-se sem servir.
Dispõem de verbo fácil e muitas vezes se proclamam inabilitadas para falar auxiliando a alguém nas construções do Espírito.
Possuem dedos ágeis, quais filtros inteligentes engastados nas mãos; entretanto, costumam asseverar-se inseguras na execução das boas obras.
Ouvem preleções edificantes ou mergulham-se na assimilação de livros nobres, prometendo heroísmo para o dia seguinte, mas, passada a emoção, volvem à estaca zero, à maneira de viajante que desiste de avançar nos primeiros passos de qualquer jornada.
Louvam na rua o equilíbrio e a serenidade e, às vezes, dentro de casa, disputam campeonatos de irritação.
O dever jaz à frente, a oportunidade de elevação surge brilhando, os recursos enfileiram-se para o êxito e realizações chamam urgentes, mas preferem a fuga da obrigação sob o pretexto de que é preciso cautela para evitar o mal, quando o bem francamente lhes bate à porta.

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Trabalho, ação, aprendizado, melhoria!...
Não te ponhas à espera deles sob a imaginária incapacidade de procurá-los, à vista de imperfeições e defeitos que te marcaram ontem.
Realização pede apoio da fé.
Mãos à obra.
Tudo o que serve para corrigir, elevar, educar e construir, nasce primeiramente no esforço da vontade unida à decisão.
 
Emmanuel
Francisco Cândido Xavier


Perante a Dor


“A dor é uma bênção que Deus nos envia” — diz-nos o verbo iluminado da Codificação Kardequiana, e ousaríamos acrescentar que é também o remédio que solicitamos no limiar da existência terrestre.
Espíritos enfermos e endividados, rogamos, antes do berço, os problemas e as provações suscetíveis de propiciar-nos a alegria da cura e a bênção do resgate.
Entre votos de esperança e lágrimas de angústia, pedimos em prece o reencontro com antigos desafetos de nossa estrada, pedimos as deformidades orgânicas, as moléstias ocultas, as mutilações dolorosas, o pauperismo inquietante, os golpes de calúnia, as desilusões afetivas, a incompreensão dos mais amados e os enigmas do sofrimento junto daqueles que se erigem à posição de nossos credores na Contabilidade Divina; entretanto, em plenitude das energias físicas, quase sempre recuamos ante os cálices de amargura, exigindo conforto imediatista e vantagens materiais, à feição de doentes enceguecidos recusando o medicamento que lhes prodigalizará a recuperação, ou à maneira de alunos preguiçosos e imprudentes fugindo sistematicamente à lição...
Lembremo-nos, pois, de que a luta é concessão celeste e de que a dificuldade é benfeitora do coração.
Aceitamo-las no caminho, não apenas com a noção da justiça que, por vezes, exageramos até a flagelação da secura, nem somente com o bordão da coragem que, em muitas ocasiões, transformamos em perigosa temeridade, mas, acima de tudo, com a humildade da paciência que tudo compreende para tudo ajudar e purificar, na jornada de nossa cruz redentora, pela qual, entre a serenidade e o amor, encontraremos por fim a imortalidade vitoriosa.


Emmanuel