quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O exorcismo ao longo da história e na visão espírita



O exorcismo clássico parte do pressuposto de que existem demônios e como tal precisam ser
 expulsos, diferentemente do que os fatos espíritas vieram demonstrar.

O termo exorcismo (do grego exorkismós, "ato de fazer jurar", pelo latim exorcismu) designa o ritual executado por uma pessoa devidamente autorizada para expulsar Espíritos malignos (ou demônios) de outra pessoa que se encontre num estado considerado de possessão demoníaca. Pode também designar o ato de expulsar demônios por intermédio de rezas e esconjuros(imprecações).
Nas culturas egípcia, babilônica, assíria e judaica, atribuíam-se certas doenças e calamidades naturais à ação dos demônios. Para afastá-los, recorria-se a algum esconjuro ou exorcismo. A cultura ocidental recebeu essas ideias por meio da Bíblia e do Cristianismo primitivo.

No Cristianismo, exorcismo (do grego exorkismós, "ato de fazer jurar", pelo latim exorcismu) é a cerimônia que objetiva esconjurar os Espíritos maus, forçando-os a deixar os corpos possessos, ou eliminar sua influência sobre pessoas, objetos, situações ou lugares. Quando visa à expulsão de demônios, chama-se exorcismo solene e deve fazer-se de acordo com fórmulas consagradas, que incluem aspersão de água benta, imposição das mãos, conjurações, sinais da cruz, recitação de orações, salmos, cânticos etc. Além disso, o ritual católico do exorcismo pode ser executado por sacerdotes somente quando expressamente autorizados por bispos.
São Francisco exorcizando demônios em Arezzo (Itália)

O Antigo Testamento, embora reconheça a atuação do demônio a partir da tentação e da queda de Adão no paraíso, praticamente não alude a uma ação maléfica direta do diabo sobre os homens. Em o Novo Testamento, que não apresenta modificações essenciais no que se refere ao exorcismo, o Evangelho de Marcos é o que insiste de maneira mais realista nos exorcismos supostamente praticados por Jesus e por seus discípulos. Em certos casos, trata-se de expulsar o demônio do corpo de possessos ou lunáticos. Em outros, da cura de enfermidades atribuídas à ação do demônio. Os evangelistas se servem dessas vigorosas ilustrações para demonstrar a vitória de Jesus sobre Satanás e também para mostrar como seu povo se libertou do pecado. "Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso"(João, 12:31). Esses milagres seriam um sinal da instauração do reino de Deus."Se, porém, eu expulso demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós" (Mateus, 12:28).


O exorcismo na igreja primitiva


As curas e os exorcismos foram comuns na igreja primitiva. Com o reconhecimento oficial da Igreja sob o imperador Constantino, os exorcismos carismáticos, realizados informalmente por qualquer cristão, deram lugar à institucionalização da função do exorcista. O Rituale Romanum reuniu mais tarde diversos ritos de exorcismos para situações variadas. Também as igrejas reformadas estabeleceram tais ritos.
O racionalismo do século XVIII conseguiu explicar muitos mistérios supostamente sobre-humanos, o que também sucedeu, de modo ainda mais intenso, com a descoberta do hipnotismo e da psicologia profunda no século XIX.  A  Igreja Católica, como também algumas denominações protestantes, admite os exorcismos ordinários, contidos no rito do batismo, como símbolo da libertação do pecado e do poder do demônio. Pratica-se o exorcismo ordinário na bênção da água batismal e na sagração dos santos óleos. Os exorcismos solenes, que têm por objetivo expulsar o demônio do corpo de um possuído, são práticas raríssimas e só confiadas, mediante permissão episcopal, a sacerdotes muito experientes.
O exorcismo católico inicia-se com a expressão latina "Adjure te, spiritus nequissime, per Deum omnipotentem" (eu te ordeno, espírito maligno, pelo Deus Todo-Poderoso). O processo pode ser longo e extenuante, chegando a se estender por vários dias. A possessão está associada ao mal. O processo de libertação é feito de forma dramática e violenta. Os exorcistas recorrem as preces, água-benta, defumadores, essências de rosas e arruda. O sal que é associado à pureza espiritual também é utilizado.

Os adeptos do Catolicismo mantêm, no entanto, em nossa época, uma atitude dúbia em relação ao exorcismo. Se, por um lado, procuram guardar distância de sua prática, atuando mais próximos a psiquiatras e médicos e autorizando estudos para esclarecer o fenômeno, de outro lado continua a permitir, em certos casos, a prática dos rituais de expulsão. O próprio papa João Paulo II admitiu ter aplicado o ritual do exorcismo no caso de uma jovem, em 4 de abril de 1982. O papa João Paulo II teria, segundo fontes seguras, praticado o exorcismo pelo menos em mais duas ocasiões durante seu pontificado. O primeiro se deu no final dos anos 70, mas dele pouco se sabe. No último, ele atendeu uma jovem de 19 anos que, segundo a Igreja, apresentava sinais de possessão demoníaca.


O papa João Paulo II como exorcista


O cardeal Jacques Martin relatou da seguinte forma o exorcismo de 4 de abril de 1982, no qual João Paulo II atendeu uma mulher italiana de nome Francesca: “Ela rolava pelo chão, berrando. O papa começou a rezar, pronunciando em vão vários exorcismos, e disse à mulher: ‘Amanhã rezarei uma missa por ti’. Repentinamente, Francesca voltou ao normal e pediu desculpas ao pontífice. Um ano depois, perfeitamente curada, compareceu com o marido a outra audiência com o papa”.

O caso da jovem de 19 anos, supostamente possessa por um demônio, não teve o mesmo final feliz. A jovem urrava palavras estranhas e dizia-se agredida por símbolos cristãos. João Paulo a abraçou e rezou para livrá-la da influência maligna,  sem  chegar  a  cumprir  os  rituais  do  exorcismo,  que são bastante longos e cansativos. A garota se acalmou, mas horas depois mergulhou em nova crise, sem ficar curada. A jovem, que vive na região da Úmbria, Itália, tem tido surtos desde os 12 anos. Antes de ser atendida pelo papa, foi tratada por médicos psiquiatras e também pelo padre Gabriele Amorth(foto), exorcista-chefe de Roma, sem reagir aos rituais. O padre Amorth disse, em entrevista publicada pela revista Época, ter realizado aproximadamente 50.000 exorcismos ao longo da vida,   embora   considere  que  somente  84  foram possessões autênticas. Segundo ele, os sintomas da possessão incluem força física sobre-humana, xenoglossia (a fala espontânea em língua que não foi previamente aprendida) e revelações de segredos sobre as pessoas.

No Brasil, as permissões no seio católico para realização de exorcismo têm sido ultimamente raríssimas e há mesmo nesse meio os que pensam como o polêmico padre Oscar Quevedo, que diz: “Exorcismo não existe”. “Os demônios não atacam ninguém. Exorcismo é curandeirismo. É exercício ilegal da medicina.”


A prática do exorcismo nas diferentes religiões


Católicos - O manual do exorcismo aprovado pelo Vaticano indica como sinais da possessão demoníaca: falar línguas estrangeiras, exibir força descomunal e desproporcional ao físico do indivíduo, referir-se a coisas e lugares que o indivíduo jamais viu e repudiar Deus, Maria, os santos, a cruz e as imagens sacras. Conforme os ensinamentos divulgados pela Igreja, o ritual prescrito pela Santa Sé começa com a aspersão de água benta sobre o possuído, seguida de orações de leitura de textos bíblicos. Em seguida, o exorcista põe as mãos sobre a pessoa e invoca o Espírito Santo para que o demônio saia do corpo. A cerimônia é encerrada com a apresentação da cruz, símbolo do poder de Cristo sobre o diabo. O cânone dominicano Walker, de Brighton, que coordena o Grupo de Estudos do Exorcismo Cristão, afirma: "Normalmente, tudo que é preciso são conselhos e rezas".


Anglicanos – O demônio, segundo os anglicanos, pode ser combatido em orações, hinos e leituras da Bíblia, mas não existe uma cerimônia específica. Os casos de exorcismo são muito raros. Quando ocorrem, o possuído é "tratado" num grupo de orações, que lhe recomenda jejum, abstinência sexual e adoração a Deus. Não existe na Igreja Anglicana um ritual específico de exorcismo; segundo a doutrina anglicana o demônio pode ser combatido com orações, hinos e leitura da Bíblia.


Judeus - A literatura rabínica clássica não prevê a existência do demônio, por isso a religião não reconhece rituais de exorcismo. Nos séculos XVI e XVII, surgiu a figura do dibuk, Espírito perverso que podia ser expulso em ritos de oração. Para a maioria dos judeus, porém, isso é considerado apenas folclore.


Evangélicos pentecostais e neopentecostais - Todos os males, dizem eles, são causados pelo demônio. Há tipos de possessão que estragam a vida amorosa, provocam miséria, perturbam a família. Nos cultos, os endemoninhados são conduzidos ao altar. O pastor grita com Satanás e exige que abandone o corpo em nome de Jesus. A fórmula utilizada pelas outras igrejas evangélicas é simples e, segundo eles, eficiente, baseando-se na utilização de "O nome de Jesus". A pessoa que apresenta sintomas de possessão ou infestação por demônios ou Espíritos imundos fica imediatamente libertada após a imposição de mãos e declaração verbal por parte do pastor ou autoridade equivalente na igreja, para que as entidades estranhas à pessoa se retirem.


O que diz o Espiritismo


O exorcismo parte da ideia de que existem demônios, mas os demônios não existem. Esses a quem a Igreja chama demônios são Espíritos inferiores e que chegam às vezes a praticar muito mal, mas são seres perfectíveis que podem ser demovidos de seus intentos negativos por força da persuasão e da prece.

Satanás ou o diabo – que segundo a crença popular seria o chefe dos demônios – é, na realidade, um ser alegórico que resume em si todas as paixões más dos Espíritos imperfeitos. Seus chifres e a cauda são o emblema da bestialidade, da brutalidade e das paixões animais.
Nas obsessões e na possessão, a causa é externa e tem-se necessidade de libertar o doente de um inimigo invisível, não por meio de remédios, mas por uma força moral superior à dele. Ambos, aquele que perturba e o indivíduo perturbado pelo processo obsessivo, precisam de amparo e, por isso, o objetivo da desobsessão é atender os dois, para que se reconciliem e voltem a ter uma convivência pacífica, como filhos de Deus que são. Os passes magnéticos, a doutrinação e os esforços do obsidiado por se modificar moralmente são os recursos espíritas, conforme Kardec preceitua em suas obras, sobretudo em O Evangelho segundo Espiritismo, cap. 28, itens 81 a 84.


Sobre o assunto escreveu o Codificador do Espiritismo:


“A cura das obsessões graves requer muita paciência, perseverança e devotamento. Exige também tato e habilidade, a fim de encaminhar para o bem Espíritos muitas vezes perversos, endurecidos e astuciosos, porquanto há-os rebeldes ao extremo. Na maioria dos casos, temos de nos guiar pelas circunstâncias. Qualquer que seja, porém, o caráter do Espírito, nada se obtém, é isto um fato incontestável, pelo constrangimento ou pela ameaça.
Toda influência reside no ascendente moral. Outra verdade igualmente comprovada pela experiência tanto quanto pela lógica, é a  completa ineficácia dos exorcismos, fórmulas, palavras sacramentais, amuletos, talismãs, práticas exteriores, ou quaisquer sinais materiais.

A obsessão muito prolongada pode ocasionar desordens patológicas e reclama, por vezes, tratamento simultâneo ou consecutivo, quer magnético, quer médico, para restabelecer a saúde do organismo. Destruída a causa, resta combater os efeitos.” (Obra citada, cap. 28, item 84, “Observação”.)

Fonte: O Consolador

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

PRECE


Senhor, ensina-nos a oferecer-te o coração puro e o pensamento elevado na oração.
Ajuda-nos a pedir, em Teu Nome, para que a força de nossos desejos não perturbe a execução de teus desígnios.
Ampara-nos, a fim de que o nosso sentimento se harmonize com a tua vontade e que possamos, cada dia, ser instrumentos vivos e operosos da paz e do amor, do aperfeiçoamento e da alegria, de acordo com a tua Lei.
Assim seja!


(Do livro “Pai Nosso”, Meimei, Francisco Cândido Xavier, FEB)
NOTA: O link abaixo contém a relação de livros publicados por Chico Xavier e suas respectivas editoras:
http://www.institutoandreluiz.org/chicoxavier_rel_livros.html


SINTONIA ESPIRITUAL



A questão de como nos manter receptivos às inspirações que recebemos dos Espíritos protetores e familiares relaciona-se à questão da sintonia espiritual.
Temos a faculdade de escolher com que faixa desejamos sintonizar, através da escolha de nossos pensamentos. Dessa forma, se escolhemos e mantemos pensamentos de tristeza e desânimo, Espíritos na mesma faixa vibratória sintonizarão conosco, dificultando-nos a recepção de outra faixa, a dos Espíritos protetores que desejam nos animar e incentivar ao bem. Por outro lado, quando escolhemos pensamentos de paz, de alegria, de esperança e otimismo, juntamo-nos, por sintonia, a outros pensamentos semelhantes, e colocamo-nos em faixa apropriada para a recepção dos bons conselhos e orientações daqueles que nos protegem.
Emmanuel, na obra “Roteiro” [1], esclarece que: “Somos obsidiados por amigos desencarnados ou não e auxiliados por benfeitores, em qualquer plano da vida, de conformidade com a nossa condição mental. Daí, o imperativo de nossa constante renovação para o bem infinito.”
O benfeitor finaliza a mensagem, lembrando-nos da importância de trabalhar, servir, aprender e amar, iluminando, assim, a nossa vida íntima.
Entendendo o mecanismo em que se processa o fenômeno da sintonia espiritual, cabe a nós, para que estejamos receptivos às boas orientações, buscá-las, através dos meios disponíveis para tanto, que são: a prece, a boa leitura, a música harmoniosa, a conversa que edifica, a ação no bem, entre outros.

Carla e Hendrio

Referência:
1. XAVIER, Francisco Cândido. “Roteiro”. Pelo Espírito Emmanuel. 7.

Ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB. 1986. Capítulo 26 – Finalidades.

Fonte: Lições dos Espíritos

Caráter da Revelação Espírita



Relembrando Allan Kardec 

A primeira revelação teve a sua personificação em Moisés, a segunda no Cristo, a terceira não a tem em indivíduo algum. As duas primeiras foram individuais, a terceira coletiva; aí está um caráter essencial de grande importância. Ela é coletiva no sentido de não ser feita ou dada como privilégio à pessoa alguma; ninguém, por consequência, pode inculcar-se como seu profeta exclusivo; foi espalhada simultaneamente, por sobre a Terra, a milhões de pessoas, de todas as idades e condições, desde a mais baixa até a mais alta da escala, conforme esta predição registrada pelo autor dos Atos dos Apóstolos: “Nos últimos tempos, disse o Senhor, derramarei o meu espírito sobre toda a carne; os vossos filhos e filhas profetizarão, os mancebos terão visões, e os velhos, sonhos.” (Atos, cap. II, vv. 17,18.) Ela não proveio de nenhum culto especial, a fim de servir um dia, a todos, de ponto de ligação.

Nota 1 - O nosso papel pessoal, no grande movimento de ideias que se prepara pelo Espiritismo e que começa a operar-se, é o de um observador atento, que estuda os fatos para lhes descobrir a causa e tirar-lhes as consequências. Confrontamos todos os que nos têm sido possível reunir, comparamos e comentamos as instruções dadas pelos Espíritos em todos os pontos do globo e depois coordenamos metodicamente o conjunto; em suma, estudamos e demos ao público o fruto das nossas indagações, sem atribuirmos aos nossos trabalhos valor maior do que o de uma obra filosófica deduzida da observação e da experiência, sem nunca nos considerarmos chefe da doutrina, nem procurarmos impor as nossas ideias a quem quer que seja. Publicando-as, usamos de um direito comum e aqueles que as aceitaram o fizeram livremente. Se essas ideias acharam numerosas simpatias, é porque tiveram a vantagem de corresponder às aspirações de avultado número de criaturas, mas disso não colhemos vaidade alguma, dado que a sua origem não nos pertence. O nosso maior mérito é a perseverança e a dedicação à causa que abraçamos. Em tudo isso, fizemos o que outro qualquer poderia ter feito como nós, razão pela qual nunca tivemos a pretensão de nos julgarmos profeta ou messias, nem, ainda menos, de nos apresentarmos como tal.


Allan Kardec
KARDEC, Allan. “A Gênese – Os milagres e as predições segundo o Espiritismo”. 34ª.

Ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB. Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita. Item 45 e nota.

Alguém te menospreza?


Alguém te menospreza?
Permanece com Deus.
Ante a voz que te acusa,
Silencia com Deus.
Não te desculpes. Segue
Trabalhando com Deus.
Quem te fere ou persegue
É doente de Deus.
Mais ofensas e golpes?
Não descreias de Deus.
Esquece todo mal.
A justiça é de Deus.

Emmanuel
Chico Xavier

Livro: Busca e Acharás.

DESAPEGO



O apego é a causa de todo o sofrimento humano. Diante disso, sabemos que precisamos nos desapegar, mas o que isso significa e como alcançamos isso?
Antes de mais nada, é preciso entender que o desapego maior que precisamos ter não é em relação à matéria ou a relacionamentos com outras pessoas, mas sim nos desapegarmos do nosso ego, da nossa personalidade, de ideias e crenças limitadoras, de emoções e sentimentos de baixa vibração e de pensamentos negativos. Se conseguirmos isso, seremos livres e serenos em todas as situações; capazes de ver as circunstâncias como elas são realmente, sem ilusões ou expectativas fantasiosas. Portanto, sem apego não teremos nenhuma ansiedade em relação a nada. Não esperaremos nada de ninguém, nenhum resultado pressuposto, nenhum reconhecimento alheio, seremos apenas o que somos, parte sagrada do Todo e só isso nos trará imensa paz e felicidade.
Na verdade, somos apegados ao nosso ego, às ideias criadas pela nossa mente, conceitos baseados em crenças, medos e anseios, geralmente uma imagem bastante distorcida do que seria o nosso Eu, uma imagem muito cristalizada e difícil de ser dissipada.
Todas as características da nossa personalidade foram criadas por projeções daquilo que imaginamos ser uma pessoa ideal para que ela seja aprovada pela sociedade, pelos nossos pais, amigos e outras pessoas importantes para nós. Pensamos que para “vencer na vida” temos que ser parecidos com esta ou aquela pessoa que se “deu bem”, deixando de lado a nossa real natureza, os nossos dons e as nossas virtudes divinas, causando-nos transtornos internos e externos. Estamos sempre nos comparando a alguém, desejando ser como outra pessoa e competindo com os outros; resumindo, nunca estamos satisfeitos com o que somos. A grande maioria tem a ilusão de que só será feliz se for bonito ou rico. Assim nos tornamos pessoas carentes e confusas, sem saber quem realmente somos, com muito medo de sermos rejeitados e de ficarmos sozinhos e sermos infelizes. Com isso, vamos criando máscaras e mais máscaras para nos defendermos da solidão e da insatisfação que temos conosco.
Bem, a primeira coisa a ser feita para nos desapegarmos do ego é abrir o coração e a mente para admitirmos que essa imagem não corresponde à realidade, pois o nosso Verdadeiro Eu é simplesmente Consciência e não tem nenhuma pretensão de ser algo, além disso, pois já é completo em si mesmo. A missão do nosso verdadeiro Eu é ser o Amor em plenitude, alcançando assim a felicidade plena na União Consciente com o Todo. Na verdade, a nossa Consciência está apenas adormecida e precisa passar pela experiência da vida para despertar e se autorrealizar.
De fato, é o desapego ao ego que irá dissipar a falsa imagem de nós mesmos, trazendo alívio para os nossos conflitos ao nos revelar a nossa verdadeira identidade. Precisamos, porém de coragem para enxergar a nossa própria sombra, humildade para admiti-la e determinação para não nos deixarmos influenciar por ela novamente. É necessário silenciar a nossa mente para apagarmos as imagens que criamos, abandonarmos os aspectos negativos e fantasiosos de nós mesmos e deixarmos aflorar do nosso coração o nosso verdadeiro Eu.
Concluindo, somente através do desapego real poderemos nos enxergar, assumir quem realmente somos e assim nos tornarmos seres realizados e felizes.


Fonte: Márian - Marta Magalhães