quarta-feira, 28 de junho de 2017

Decisão e Vontade


Incerteza parece coisa de pouca monta, mas é assunto de importância fundamental no caminho de cada um.
*
As criaturas entram na instabilidade moral, habituam-se a ela, e passam ao domínio das forças negativas sem perceber.
Dizem-se confiantes pela manhã e acabam indecisas à noite.
Frequentemente rogam em prece:
- Senhor! Eis-me diante de tua vontade!...
Mostra-me o que devo fazer!...
E quando o Senhor lhes revela, através das circunstâncias, o quadro de serviço a expressar-se, conforme as necessidades a que se ajustam, exclamam em desconsolo:
- Quem sou eu para realizar semelhante tarefa?
Não tenho forças.
Ai de mim que sou inútil!...
Sabem que é preciso servir para se renovarem, mas paradoxalmente esperam renovar-se sem servir.
Dispõem de verbo fácil e muitas vezes se proclamam inabilitadas para falar auxiliando a alguém nas construções do Espírito.
Possuem dedos ágeis, quais filtros inteligentes engastados nas mãos; entretanto, costumam asseverar-se inseguras na execução das boas obras.
Ouvem preleções edificantes ou mergulham-se na assimilação de livros nobres, prometendo heroísmo para o dia seguinte, mas, passada a emoção, volvem à estaca zero, à maneira de viajante que desiste de avançar nos primeiros passos de qualquer jornada.
Louvam na rua o equilíbrio e a serenidade e, às vezes, dentro de casa, disputam campeonatos de irritação.
O dever jaz à frente, a oportunidade de elevação surge brilhando, os recursos enfileiram-se para o êxito e realizações chamam urgentes, mas preferem a fuga da obrigação sob o pretexto de que é preciso cautela para evitar o mal, quando o bem francamente lhes bate à porta.

*
Trabalho, ação, aprendizado, melhoria!...
Não te ponhas à espera deles sob a imaginária incapacidade de procurá-los, à vista de imperfeições e defeitos que te marcaram ontem.
Realização pede apoio da fé.
Mãos à obra.
Tudo o que serve para corrigir, elevar, educar e construir, nasce primeiramente no esforço da vontade unida à decisão.
 
Emmanuel
Francisco Cândido Xavier


Perante a Dor


“A dor é uma bênção que Deus nos envia” — diz-nos o verbo iluminado da Codificação Kardequiana, e ousaríamos acrescentar que é também o remédio que solicitamos no limiar da existência terrestre.
Espíritos enfermos e endividados, rogamos, antes do berço, os problemas e as provações suscetíveis de propiciar-nos a alegria da cura e a bênção do resgate.
Entre votos de esperança e lágrimas de angústia, pedimos em prece o reencontro com antigos desafetos de nossa estrada, pedimos as deformidades orgânicas, as moléstias ocultas, as mutilações dolorosas, o pauperismo inquietante, os golpes de calúnia, as desilusões afetivas, a incompreensão dos mais amados e os enigmas do sofrimento junto daqueles que se erigem à posição de nossos credores na Contabilidade Divina; entretanto, em plenitude das energias físicas, quase sempre recuamos ante os cálices de amargura, exigindo conforto imediatista e vantagens materiais, à feição de doentes enceguecidos recusando o medicamento que lhes prodigalizará a recuperação, ou à maneira de alunos preguiçosos e imprudentes fugindo sistematicamente à lição...
Lembremo-nos, pois, de que a luta é concessão celeste e de que a dificuldade é benfeitora do coração.
Aceitamo-las no caminho, não apenas com a noção da justiça que, por vezes, exageramos até a flagelação da secura, nem somente com o bordão da coragem que, em muitas ocasiões, transformamos em perigosa temeridade, mas, acima de tudo, com a humildade da paciência que tudo compreende para tudo ajudar e purificar, na jornada de nossa cruz redentora, pela qual, entre a serenidade e o amor, encontraremos por fim a imortalidade vitoriosa.


Emmanuel

TRÊS ATITUDES



(Questão nº 226 – O Livro dos Médiuns)

         Entendendo-se que o egoísmo e o orgulho são qualidades negativas na personalidade mediúnica, obscurecendo a palavra da Esfera superior, e compreendendo-se que o bem é a condição inalienável para que a mensagem edificante seja transmitida sem mescla, examinemos essas três atitudes, em alguns dos quadros e circunstâncias da vida.

         Na sociedade:
         O egoísmo faz o que quer.
         O orgulho faz como quer.
        O bem faz quanto pode, acima das próprias obrigações.

         No trabalho:
         O egoísmo explora o que acha.
         O orgulho oprime o que vê.
         O bem produz incessantemente.

         Na equipe:
         O egoísmo atrai para si.
         O orgulho pensa em si.
         O bem serve a todos.

         Na amizade:
         O egoísmo utiliza situações.
         O orgulho clama por privilégios.
         O Bem renuncia ao bem próprio.

         Na fé:
         O egoísmo aparenta.
         O orgulho reclama.
         O bem ouve

         Na responsabilidade:
         O egoísmo foge.
         O orgulho tiraniza.
         O bem colabora.

         Na dor alheia:
         O egoísmo esquece.
         O orgulho condena.
         O bem ampara.
         No estudo:
         O egoísmo finge que sabe.
         O orgulho não busca saber.
         O bem aprende sempre, para realizar o melhor.
                                                               *
         Médiuns, a orientação da Doutrina Espírita é sempre clara.
         O egoísmo e o orgulho são dois corredores sombrios, inclinando-nos, em toda a parte, ao vício, a delinquência, em angustiantes processos obsessivos, e só o bem é capaz de filtrar com lealdade a Inspiração Divina, mas, para isso, é indispensável não apenas admirá-lo e divulgá-lo: acima de tudo, é preciso querê-lo e praticá-lo com todas as forças do coração.

Emmanuel

Francisco Cândido Xavier 

Dissertações e ensinos espíritas


Dissertações e ensinos espíritas, pelo Espírito de Jean-Jacques Rousseau.
(MÉDIUM, SRA. COSTEL)

NOTA: A médium estava ocupada com problemas muito estranhos ao Espiritismo. Dispunha-se a escrever sobre assuntos pessoais, quando uma força invisível a constrangeu a escrever o que segue, apesar de seu desejo de continuar o trabalho começado. É o que explica o começo da comunicação.

“Eis-me aqui, embora não me chames. Venho falar-te de coisas muito estranhas às tuas preocupações. Sou o Espírito de Jean-Jacques Rousseau. Há muito esperava ocasião de comunicar-me contigo. Escuta, pois.
“Penso que o Espiritismo é um estudo puramente filosófico das causas secretas dos movimentos interiores da alma, pouco ou nada definidos até agora. Ele explica, mais ainda do que descobre, horizontes novos. A reencarnação e as provas sofridas antes de atingir o fim supremo, não são revelações, mas uma confirmação importante. Estou comovido pelas verdades que esse meio põe à luz. Digo meio com intenção, porque, a meu ver, o Espiritismo é uma alavanca que afasta as barreiras da cegueira. A preocupação com as questões morais está inteiramente por criar. Discute-se a política que move os interesses gerais; discutem-se os interesses privados; apaixona-se pelo ataque ou pela defesa das personalidades; os sistemas têm partidários e detratores, mas as verdades morais, que são o pão da alma, o pão da vida, são deixadas no pó acumulado pelos séculos. Todos os aperfeiçoamentos são úteis aos olhos da multidão, salvo os da alma. Sua educação, sua elevação são quimeras, boas só para encher os lazeres dos sacerdotes, dos poetas, das mulheres, quer como moda, quer como ensinamento.
“Se o Espiritismo ressuscitar o Espiritualismo, devolverá à Sociedade o impulso que dá a uns dignidade interior, a outros resignação, a todos a necessidade de elevar-se para o Ser Supremo, esquecido e desprezado por suas ingratas criaturas.


JEAN-JACQUES ROUSSEAU.

CONSCIÊNCIA E CONVENIÊNCIA


As boas soluções nem sempre são as mais fáceis e as manifestações corretas nem sempre as mais agradáveis...
A trilha do acerto exige muito mais as normas do esforço maior que as saídas circunstanciais ou os atalhos do oportunismo.
Nos mínimos atos, negócios, resoluções ou empreendimentos que você faça, busque primeiro a substância "post-mortem" de que se reveste, porquanto, sem ela, seu tentame será superficial e sem consequências produtivas para o seu espírito.
Hoje como ontem, a criatura supõe-se em caminho tedioso tão só quando lhe falta alimento espiritual aos hábitos.
Alegria que dependa das ocorrências do terra a terra não tem duração.
Alegria real dimana da intimidade do ser.
Não há espetáculo externo de floração sem base na seiva oculta.
Meditação elevada, culto à prece, leitura superior e conversação edificante constituem adubo precioso nas raízes da vida.
Ninguém respira sem os recursos da alma.
Todos carecemos de espiritualidade para transitar no cotidiano, ainda que a espiritualidade surja para muitos, sob outros nomes, nas ciências psicológicas de hoje que se colocam fora dos conceitos religiosos para a construção de edifícios morais.
À vista disso, criar costumes de melhoria interior significa segurança, equilíbrio, saúde e estabilidade à própria existência.
Debaixo de semelhante orientação, realmente não mais nos será possível manter ambiguidade nas atitudes.
Em cada ambiente, a cada hora, para cada um de nós, existe a conduta reta, a visão mais alta, o esforço mais expressivo, a porta mais adequada.
Atingido esse nível de entendimento, não mais é lícita para nós a menor iniciativa que imponha distinção indevida ou segregação lamentável, porque a noção de justiça nos regerá o comportamento, apontando-nos o dever para com todos na edificação da harmonia comum.
Estabelecidos por nós, em nós mesmos, os limites de consciência e conveniência, aprendemos que felicidade, para ser verdadeira, há de guardar essência eterna.
Constrangidos a encontrar a repercussão de nossas obras, além do plano físico, de que nos servirá qualquer euforia alicerçada na ilusão? De que nos vale o compromisso com as exterioridades humanas, quando essas exterioridades não se fundamentam em nossas obrigações para com o bem dos outros, se a desencarnação não poupa a ninguém? Cogitemos de felicidade, paz e vitória, mas escolhamos a estrada que nos conduza a elas sob a luz das realidades que norteiam a vida do Espírito, de vez que receberemos de retorno, na aduana da morte, todo o material que despachamos com destino aos outros, durante a jornada terrestre.
Não basta para nenhum de nós o contentamento de apenas hoje.
É preciso saber se estamos pensando, sentindo, falando e agindo para que o nosso regozijo de agora seja também regozijo depois.

André Luiz
Francisco Cândido Xavier

Do livro "Estude e Viva"

quarta-feira, 10 de maio de 2017

AVE MARIA, PSICOGRAFADA POR CHICO XAVIER



Ave Maria! Senhora
Do amor que ampara e redime,
Ai do mundo se não fora
A vossa missão sublime!


Cheia de graça e bondade,
É por vós que conhecemos
A eterna revelação
Da vida em seus dons supremos.

O Senhor sempre é convosco,
Mensageira da ternura,
Providência dos que choram
Nas sombras da desventura.

Bendita sois vós, Rainha!
Estrela da Humanidade,
Rosa mística da fé,
Lírio puro da humildade!

Entre as mulheres sois vós
A Mãe das mães desvalidas,
Nossa porta de esperança,
E Anjo de nossas vidas!

Bendito o fruto imortal
Da vossa missão de luz,
Desde a paz da Manjedoura,
Às dores, além da Cruz.

Assim seja para sempre,
Oh! Divina Soberana,
Refúgio dos que padecem
Nas dores da luta humana.

Ave Maria! Senhora
Do amor que ampara e redime,
ai do mundo se não fora,
A vossa missão sublime!


quinta-feira, 20 de abril de 2017

Ano Novo


    Hoje é o dia que dá início a um novo ano.
    É o dia primeiro. Todos queremos iniciar mais um ano com esperanças renovadas. É um momento de alegria e confraternização.
    As rogativas, em geral, são para que se tenha muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender.
    Mas será que se tivermos tudo isso teremos a garantia de um ano novo cheio de felicidade?
    Se Deus nos dá saúde, o que normalmente ocorre é que tratamos de acabar com ela em nome das festas. Seja com os excessos na alimentação, bebidas alcoólicas, tabaco, ou outras drogas não menos prejudiciais à saúde.
    Não nos damos conta de que a nossa saúde depende de nós.
    Dessa forma, se quisermos um bom ano, teremos que fazer a nossa parte.
    Se pararmos para analisar o que significa a passagem do ano, perceberemos que nada se modifica externamente.
    Tudo continua sendo como na véspera. Os doentes continuam doentes, os que estão no cárcere permanecem encarcerados, os infelizes continuam os mesmos, os criminosos seguem arquitetando seus crimes, e assim por diante.
    Nós, e somente nós podemos construir um ano melhor, já que um feliz ano novo não se deseja, se constrói.
    Poderemos almejar por um ano bom se desde agora começarmos um investimento sólido, já que no ano que se encerra tivemos os resultados dos investimentos do ano imediatamente anterior e assim sucessivamente.
    Poderemos construir um ano bom a partir da nossa reforma moral, repensando os nossos valores, corrigindo os nossos passos, dando uma nova direção à nossa estrada particular.
    Se começarmos por modificar nossos comportamentos equivocados, certamente teremos um ano mais feliz.
    Se pensarmos um pouco mais nas pessoas que convivem conosco, se abrirmos os olhos para ver quanta dor nos rodeia, se colocarmos nossas mãos no trabalho de construção de um mundo melhor, conquistaremos, um dia, a felicidade que tanto almejamos.
    Só há um caminho para se chegar à felicidade. E esse caminho foi mostrado por quem realmente tem autoridade, por já tê-lo trilhado. Esse alguém nós conhecemos como Jesus de Nazaré, o Cristo.
    No ensinamento Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo está a chave da felicidade verdadeira.
            Jesus nos coloca como ponto de referência. Por isso recomenda que amemos o próximo como a nós mesmos nos amamos.
    Quem se ama preserva a saúde. Quem se ama não bombardeia o seu corpo com elementos nocivos, nem o Espírito com a ira, a inveja, o ciúme etc.
    Quem ama a Deus acima de todas as coisas, respeita Sua criação e Suas leis. Respeita seus semelhantes porque sabe que todos fomos criados por Ele e que Ele a todos nos ama.
    Enfim, quem quer um ano novo repleto de felicidades, não tem outra saída senão construí-lo.
    Importa que saibamos que o novo período de tempo que se inicia, como tantos outros que já passaram, será repleto de oportunidades. Aproveitá-las bem ou mal, depende exclusivamente de cada um de nós.
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    O rio das oportunidades passa com suas águas sem que retornem nas mesmas circunstâncias ou situação.
    Assim, o dia hoje logo passará e o chamaremos ontem, como o amanhã será em breve hoje, que se tornará ontem igualmente.
    E, sem que nos demos conta, estaremos logo chamando este ano que se inicia de ano passado e assim sucessivamente.
    Que todos possamos aproveitar muito bem o tesouro dos minutos na construção do amanhã feliz que desejamos, pois a eternidade é feita de segundos.

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(Redação do Momento Espírita, com pensamentos extraídos dos verbetes Oportunidade e Tempo, do livro Repositório de sabedoria, v. 2, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal)