quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

                                                             

                                    

                                                                                                        Por: Janaína Magalhães

459 - Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?

Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto que, de ordinário, são eles que vos dirigem

(KARDEC, 2022, p. 195)

Podemos depreender da resposta acima que a influenciação espiritual em nossas vidas é muito grande e que estamos em constante intercâmbio por meio do pensamento com o Mundo Espiritual. Através da mente, o Espírito encarnado familiariza-se com ideias que lhe são afins, positivas ou negativas conforme o estágio vibratório em que esteja situado.

Se estes indivíduos são portadores de aspirações nobilitantes, onde se fixem, haurem maior impulso para o crescimento. Permanecendo na construção do bem, dificilmente assimilam as induções perversas ou criminosas procedentes dos estagiários das regiões inferiores. (FRANCO, 2019, P. 18)

Se interessados, porém, nas colocações da vulgaridade ou do prazer, da impiedade ou da preguiça, do vício ou da desordem, recebem maior influxo de ondas mentais equivalentes, resvalando para o despenhadeiro da emoção aturdida, do desequilíbrio... (FRANCO, 2019, P. 18)

A obsessão simples atinge a maioria dos encarnados tendo em vista ser um natural intercurso psíquico existente em todas as partes do Universo.

 De acordo com “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. XXVIII, item 81, “a obsessão é a ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diversos, desde a simples influência moral sem perceptíveis sinais exteriores até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais”.

 Durante o sono físico, cada ser fixa-se nas ideias mentais que lhe são próprias vibrando na sintonia da ambição desmedida, dos prazeres desenfreados, dos medos indiscriminados, nas culpas paralisantes, encontrando-se com seres que se caracterizam pelas mesmas aspirações e condições fazendo com que essas cargas emocionais se intensifiquem. Ao despertarem para o novo dia, muitas vezes o fazem trazendo a mente atribulada pelos resquícios da noite mal dormida e dos encontros menos felizes prejudicando a execução das tarefas e o enfrentamento das atividades diárias.

 Surgem como efeito natural, as síndromes da inquietação: as desconfianças, os estados de insegurança pessoal, as enfermidades de pequena monta, os insucessos em torno do obsidiado que soma as angústias, dando campo a incertezas, a mais ampla perturbação interior. (FRANCO, 2019, P. 19)

 A partir daí, o obsidiado se alimenta da psicosfera deletéria que vige em sua volta por não querer se esforçar em sair dela por meio de diversos recursos disponíveis como: ouvir as sugestões dos amigos espirituais que nunca nos abandonam, ler páginas edificantes, auxiliar o próximo, elevar a sintonia por meio da prece, dentre outros.

909 – Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações??

- Sim, e, frequentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade. Ah! Quão poucos dentre vós fazem esforços! (KARDEC, 2022, p. 325).

Conforme a constituição temperamental, faz-se apático, tende à depressão, adentrando-se pela melancolia, em razão da mensagem telepática problemática e dos clichês mentais pessimistas que ressumam do arquivo da inconsciência. No sentido oposto, se é dotado de constituição nervosa excitada, torna-se agressivo, violento, em desarmonia de atitudes expondo a aparelhagem psíquica e os nervos a altas cargas de energias que danificam os sensores e condutores nervosos, com singulares prejuízos para a organização fisiopsíquica. (FRANCO, 2019, P. 20)

 Assim sendo, percebe-se pelo desequilíbrio no comportamento da criatura que ora tende à depressão ora à excitação, a instalação da doença causada pela obsessão.

 Não apenas por processos de desforço pessoal, em que os desafetos se buscam para produzirem-se males e cobranças injustificáveis, como por fatores de variada motivação, assimilam-se ideias e pensamentos pela simples sintonia de onda própria em que se situam as mentes. (FRANCO, 2019, P. 16,17)

 Ou seja, captamos as sugestões vindas da esfera espiritual com as quais sintonizamos. Por falta de vigilância ou vontade, nos atemos às vibrações negativas que nos chegam aceitando ou atraindo a sugestão perturbadora que vitaliza as tendências que já possuímos e relutamos em combater.

 Por estarmos há milênios jungidos ao mal e aos hábitos perniciosos, as ideias negativas são mais fáceis de serem assimiladas e aceitas encontrando ressonância com o pensamento do paciente que não reluta e torna-se presa do monoideísmo que pode produzir quadros de fascinação e subjugação torturantes e de difícil reversibilidade.

 

Obsessão por Fascinação

Com o processo de obsessão instalado, o obsidiado começa não apenas a compartilhar suas ideias com o obsessor, como também suas atitudes e formas de ser. Neste momento a pessoa perde a noção do ridículo e passa a agir guiada pelas inspirações vindas do obsessor incorporando-as como diretrizes que se apresentam ilógicas aos outros mas que para ele estão em perfeita coerência e dentro da normalidade.

 Por conhecerem o caráter e as imperfeições morais do ser que perturbam, os Espíritos querem insuflá-lo em seu orgulho para que se distancie das pessoas ou recursos que possam de alguma forma ajudá-lo, fazendo-lhe crer que são seres em missões especiais e tornando joguetes de fácil manipulação desses Espíritos.

 Lembremos aqui que em toda obsessão ou sofrimento é levado em conta o merecimento da criatura e a disposição de que esta se reveste na tentativa de se livrar de tal mal. Por mais injusto que possa parecer, no sofrimento do indivíduo, existe sempre a lei de ação e reação no cerne de todo o problema, juntamente com resquícios de orgulho, egoísmo e personalismo exacerbado que são brechas para a aproximação do antagonista espiritual.

 

Obsessão por Subjugação

 No painel das obsessões, à medida que se agrava o quadro da interferência, a vontade do hospedeiro perde os contatos de comando pessoal, na razão direta em que o invasor assume a governança. Assim, a subjugação pode ser física, psíquica e simultaneamente fisiopsíquica. (FRANCO, 2019, P. 23)

No primeiro caso, não há perda da lucidez intelectual e dá-se diretamente sobre os centros motores podendo causar enfermidades orgânicas, advindas da contaminação por vírus e bactérias, ou mesmo sob a vigorosa ação fluídica dilacerarem-se os tecidos fisiológicos ou perturbar-se o metabolismo geral, causando enormes prejuízos físicos...

 No segundo caso, o paciente chega a perder totalmente a lucidez pelo estado de passividade e dominação mental em que se encontra perdendo temporária ou definitivamente a área da consciência durante sua atual encarnação.

 O espírito encarnado movimenta-se num labirinto que o atemoriza, algemado a um adversário que lhe é impenitente, maltratando-o, aterrando-o com ameaças cruéis, em parasitose firme na desconcertada casa mental.

 Por fim, assenhoreia-se, simultaneamente dos centros do comando motor e domina fisicamente a vítima, que lhe fica inerte, subjugada, cometendo atrocidades sem nome.

Não podemos deixar de afirmar que juntamente com o paciente estão incursas na Lei as pessoas que constituem seu grupo familiar e social, aí situados por necessidade evolutiva e de resgate para todos. Reunidos ou religados pelo parentesco sanguíneo ou através das conjunturas da afetividade, da afinidade, formam os grupos em que são alcançados pelos processos reeducativos, no tentame do progresso. (FRANCO, 2019, P. 24)

 Necessário considerar que não nos referimos aqui, àqueles seres que são portadores de patogenias mais imperiosas em razão de enfermidades graves, da hereditariedade, de distúrbios glandulares e orgânicos, de traumas cranianos e de sequelas de inúmeras doenças outras...

 Queremos deter-nos nas psicogêneses espirituais, sejam as de natureza emocional, pelas aptidões e impulsos que procedem das reencarnações transatas, de que os enfermos não se liberam; sejam pelo impositivo das obsessões infelizes, produzidas por encarnados ou por Espíritos que já se despiram da indumentária carnal, permanecendo, no entanto, nos propósitos inferiores a que se aferram...

 Dando gênese a enfermidades várias, inicialmente imaginárias, que recebe por via telepática, pode transformar-se em males orgânicos de consequências insuspeitadas, ao talante do agente perseguidor que induz a vítima que o hospeda a situações lamentáveis. (FRANCO, 2019, P. 8)

 

Recursos terapêuticos como tratamento à obsessão

· Tratar o Espírito desencarnado como um enfermo que necessita de ajuda e não como um inimigo ferrenho, auxiliando-o na sua renovação íntima mesmo não concordando com suas atitudes e buscando à luz do Evangelho demovê-lo da ação no mal. (FRANCO, 2019, P. 25)

· Paralelamente, estimular junto ao ser encarnado que sofre a injunção obsessora o hábito da oração e da leitura edificante, ao mesmo tempo em que trabalha seu caráter tornando-o maleável ao bem e refratário ao vício.

· Aplicação dos recursos fluídicos, seja através do passe ou da água magnetizada, da ação intercessória com que se vitalizam os núcleos geradores de forças, estimulantes da saúde com o poder de desconectarem a ligação entre obsessor e obsidiado e fazer com que possam se reabilitar perante a Consciência Cósmica pela aplicação de valores e serviços dignificadores. (FRANCO, 2019, P. 26)

Referências:

1- FRANCO, Divaldo. Nas fronteiras da loucura. Ditado pelo espírito Manoel Philomeno de Miranda. 16 ed. Salvador: LEAL, 2019)

2- KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 14. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002.

3 - KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes: Letra Espírita, 2022.

 

 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

 


Marisa Fonte

 

No item 8 do capítulo 14 (Honrai teu pai e tua mãe) de O Evangelho Segundo o Espiritismo, encontramos o seguinte ensinamento, “Há, portanto, dois tipos de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. As primeiras, duráveis, fortalecem-se pela depuração, e se perpetuam no mundo dos espíritos, através das diversas migrações da alma. As segundas, frágeis como a matéria, extinguem-se com o tempo e, muitas vezes, dissolvem-se moralmente já na vida atual” (KARDEC, 2019, p. 153). Isso demonstra que os laços de sangue não criam, obrigatoriamente, vínculos entre os seres. No entanto, são oportunidades para que durante determinada encarnação estejamos junto dessas pessoas.

Sobre o tema Família encontramos o seguinte na questão 205 de O livro dos Espíritos, “Fundando-se o parentesco em afeições anteriores, menos precários são os laços existentes entre os membros de uma mesma família. Essa doutrina amplia os deveres da fraternidade, porquanto, no vosso vizinho, ou no vosso servo, pode achar-se um Espírito a quem tenhais estado presos pelos laços da consanguinidade” (KARDEC, 2022, p. 113).

Ainda em O Evangelho segundo o Espiritismo, vemos que, “os espíritos formam no espaço grupos ou famílias unidos pelo afeto, simpatia e semelhança. Esses Espíritos, felizes de estarem juntos, procuram-se. A encarnação só os separa momentaneamente, porque, após sua reentrada na erraticidade, reencontram-se, como amigos no retorno de uma viagem. Muitas vezes até se acompanham na encarnação, na qual são reunidos em uma mesma família, ou em um mesmo círculo, trabalhando juntos para o mútuo progresso” (KARDEC, 2019, p. 55).

Sabemos que a família representa a grande oportunidade para que possamos desenvolver diversas virtudes e aprimorar outras tantas. Por outro lado, é dentro do ambiente familiar que geralmente mostramos as nossas garras, a nossa pouca educação e grosseria. André Luiz, no capítulo 8 do livro Sinal Verde, diz que, “A paisagem social da Terra se transformaria imediatamente para melhor se todos nós, na condição de Espíritos encarnados, nos tratássemos, dentro de casa, pelo menos com a cortesia que dispensamos aos nossos amigos.

Sem nos darmos conta do que estamos fazendo, perdemos, muitas vezes, a chance de aprendermos a ser mais pacientes, sentir empatia e compaixão pelos que estão mais próximos de nós. E, por outro lado, aqueles que são a causa da insatisfação que se sente no lar, não colaboram para que haja alguma mudança nesse sentido. Ainda no livro Sinal Verde, capítulo 7, André Luiz adverte, “Não exija dos familiares diferentes de você um comportamento igual ao seu, porquanto cada um de nós se caracteriza pelas vantagens ou prejuízos que acumulamos na própria alma”.

As festas de fim de ano

Com base nas relações familiares citadas acima, pensemos no que representam as festas de fim de ano para algumas pessoas. Muitas vezes ouvimos estas dizerem que não gostam das festas de fim de ano por terem de encontrar desafetos nestas ocasiões. Outras, ainda, sentem aversão às reuniões familiares por já poderem prever o que acontecerá no decorrer das mesmas. Segundo tais relatos, sempre alguém falará mal de alguém e outro discutirá com um dos presentes – quase sempre por um motivo irrelevante. Um último motivo para que muitos desgostem dessas ocasiões é o fato de que muitos comparecem às reuniões e bebem além da conta; aí passam mal, e criam confusão e situações constrangedoras.

Levando tudo isso em conta, é fácil entender a razão pela qual, muitas reuniões de fim de ano tornaram-se um verdadeiro pesadelo para um número de pessoas que não encontra sentido nesses encontros, nos quais o que menos importa é a confraternização e o motivo da comemoração.

A falta de entendimento, ou até da lembrança do significado dessas datas, aliada ao descaso e à falta de reflexão à qual o momento convida, pode ser a causa do que se vê comumente entre os seres, quando o assunto são as comemorações de final de ano.

Uma das primeiras providências que se tomam é o sorteio do amigo secreto, e a organização da confraternização, que certamente contará com alimentos – e geralmente, – muitas bebidas alcoólicas, como se nada pudesse acontecer de bom ou pudesse haver alegria sem a presença do álcool. Bem, mas esse é outro tema que fica para uma próxima conversa, talvez.

Infelizmente, a organização das comemorações pára por aí, e não é comum que alguém se lembre de sugerir um momento de reflexão, ou uma interrupção das celebrações, a fim de fazer uma prece, por exemplo. A não ser pela eventual doação de cestas de alimentos, brinquedos ou de material escolar, o evento se torna uma grande orgia consumista, que incentivada pelo comércio, ao seu término deixa vários indivíduos endividados e não mais felizes.

Naturalmente, os presentes fazem parte das comemorações, e é justo que o comércio aproveite as datas festivas para lucrar. No entanto, aqui a ideia é mencionar os exageros, pois por vezes a pessoa nem mesmo tem condições financeiras de arcar com o custo de tantos presentes que acaba comprando. Para não se sentir inferiorizada por presentear algo simples, a criatura se obriga a arcar com custos muitas vezes fora da sua realidade econômica, gerando assim um problema para ser resolvido nos meses seguintes.     

Todas essas considerações têm por objetivo demonstrar o quanto nos afastamos da essência verdadeira, e do propósito das festas de fim de ano, que convidam à meditação e à reflexão, uma vez que tal época deveria ser lembrada pelo nascimento de Jesus, que veio à Terra para deixar seus preciosos ensinamentos, e posterior encerramento de um ciclo na vida de todos, quando acontece a passagem de ano.

Podemos sempre, na medida que nos seja permitido pelas pessoas interessadas, sugerir que elas também meditem sobre assuntos relacionados a algo além de consumir exageradamente, mas, lembremo-nos sempre de respeitar o livre arbítrio alheio, pois não nos é lícito interferir nas decisões do nosso irmão de caminhada.

Conheci certa vez uma senhora, que contou que na sua infância ela e a família comemoravam o Natal de maneira bastante especial. Ela, na sua ingenuidade, pedia para que a mãe fizesse brigadeiros e um bolo para comemorar o aniversário de Jesus, ao que a mãe atendia prontamente.

Assim, à meia noite do dia 24 de dezembro, a família reunida em torno da mesa orava e depois, encorajados pela menina, todos cantavam parabéns a você para o aniversariante. Essa era a maneira como a menina entendia a data, e era dessa forma que ela homenageava o Mestre.    

Voltando ao nosso tema, naturalmente não podemos – nem devemos pretender – modificar o comportamento das pessoas que nos cercam, mas neste ano podemos fazer diferente, e agir de outro modo, sem que tenhamos de nos privar da alegria das festas e das reuniões. Nós podemos agir com mais cautela na hora de comprar, gastando o que está realmente dentro do nosso orçamento, alimentarmo-nos sem exageros, e, acima de tudo, aproveitarmos a ocasião para fazer um balanço sobre o ano que está se despedindo.

Preparação para o final do ano

Comece a se preparar para o fim do ano. Faça desse um momento de reflexão, no qual você consiga de fato conectar-se a si mesmo/a, e faça bilhar a sua própria luz a fim de iluminar aqueles que estão ao seu lado.  

Busquemos a alegria junto ao Divino Mestre, e embriaguemo-nos de Suas boas palavras e da Sua luz. Que cada um de nós viva de fato o amor ensinado por Jesus, mas sem prestar tanta atenção às possíveis más ações praticadas por outros, uma vez que cada qual possui seu livre arbítrio e responde pelos próprios atos. Façamos a nossa parte, cuidando de nós mesmos com sincero empenho. Quem sabe, tal atitude possa inspirar outros a fazê-lo também.  

Costumamos fazer listas, às vezes enormes, e quase sempre pouco realistas, a respeito do ano que vai chegar. O grande número do que não foi realizado causa frustração, e de certa forma faz com que deixemos de confiar em nós mesmos, como se não fôssemos capazes de cumprir com aquilo que de certo modo combinamos com nós mesmos.

A sugestão é que se escreva em uma folha o que gostaríamos de ter feito, mas deixamos de fazer, e analisar o motivo, ou motivos, pelos quais não realizamos tais planos, planejando as nossas ações para o ano que terá início em breve. Porém, é melhor encurtar a lista e ter os pés na realidade ao fazer tais planos.

Lembremo-nos, também, de fazer um balanço em relação à nossa conduta no que diz respeito a nós mesmos e àqueles que nos cercam. Meditemos sobre as nossas aquisições no campo das relações humanas, sobre a renovação moral que fomos capazes de realizar, sobre o bem que fizemos quando tivemos oportunidade, sobre as vezes em que nos encolerizamos sem motivo, ou, ainda, sobre as ocasiões em que julgamos o nosso próximo sem compaixão, ou sem buscar entender o que levou tal pessoa a agir da maneira como o fez.

Enfim, que nesse fim de ano possamos refletir sobre as nossas próprias ações, e em como podemos agir daqui em diante, para que ao fazermos esse balanço no final do próximo ano vejamos a balança pender muito mais para o lado positivo do que para o negativo – ou concluirmos que nada fizemos durante todo o ano por não termos agido conforme o necessário para realizar alguma coisa.

Enfim, façamos todo o bem que pudermos, sem economizar generosidade, esbanjando boas ações pelo caminho, a fim de realizarmos todo o bem possível e nos reconciliarmos com desafetos enquanto ainda caminhamos lado a lado, como recomendado por Jesus. Que as festas de fim de ano possam ter um novo significado para você e aqueles que lhe são caros.

 

Referências:

1- KARDEC, Allan, O Evangelho Segundo o Espiritismo. 44ª reimp. 2019 – Capivari/SP: Editora EME.

2- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 1ª ed. 2022. Campos dos Goytacazes: Editora Letra Espírita.

3- LUIZ, André. Sinal verde, psicografado por Francisco Cândido Xavier. 49ª edição. Uberaba, MG. CEC Editora, 1910.  

 

 

sábado, 4 de novembro de 2023

 

 

                                        RIQUEZA OU POBREZA




Por: Simara Cabral

“E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.” (Mateus, 19:24)

Todos os dias vemos muitas pessoas jogando na loteria, outras trabalhando exaustivamente até o limite de suas forças, outras cometem atos ilícitos, todos em busca da riqueza e abundância dos bens terrenos, como se um grande patrimônio pudesse trazer a solução de todos os problemas. Mas será que uma grande soma em dinheiro realmente resolve os infortúnios ou será a riqueza uma tentação capaz de trazer maiores transtornos do que os que a pessoa tinha antes?

A desigualdade social existe em todos os lugares do mundo mas em alguns países ela é mais acentuada. De acordo com o IBGE, em 2018 o rendimento mensal dos 1% mais ricos do Brasil era quase 34 vezes maior do que o rendimento da metade mais pobre da população. Durante a pandemia, essa desigualdade aumentou. De um lado vemos pessoas ostentando todo tipo de luxo: viagens, carros importados, mansões, roupas de grife enquanto a maior parte da população luta diariamente para ter acesso aos direitos básicos: alimentação, educação, saúde, direito à moradia, ao trabalho dentre outros.

O psicólogo norte americano Abraham H. Maslow criou um conceito chamado “A Pirâmide de Maslow” que determina as condições para que cada pessoa alcance sua satisfação pessoal, ou seja, se sinta feliz e realizada. Na base da pirâmide estão as necessidades básicas para a felicidade e elas vão se modificando até atingir o topo da pirâmide que seria a realização pessoal completa conforme a imagem abaixo.

Fonte: https://www.significados.com.br/piramide-de-maslow/

Conforme pode-se observar, para ter acesso à base da pirâmide é necessário que se tenha uma condição financeira que propicie acesso à alimentação, água e moradia, o que deveria ser um direito básico do ser humano. Em seguida, segurança do corpo, do emprego e de recursos, o que também depende do dinheiro. A partir daí as necessidades não são mais relacionadas aos bens materiais, e sim às boas relações sociais, amizades, desenvolvimento da auto estima, aceitação perante as dificuldades da vida entre outras. Portanto, de acordo com a psicologia o dinheiro pode trazer a segurança necessária para se obter um certo grau de satisfação, no entanto a felicidade plena não é atingida através de uma grande fortuna, luxo ou satisfação das vaidades.

De acordo com a Doutrina Espírita, a prova da riqueza e a da pobreza são difíceis porém necessárias ao aprimoramento moral, pois enquanto na pobreza o ser humano precisa desenvolver a resignação, a paciência e a humildade, na riqueza ele precisa praticar a caridade, evitar abusos e tentações que aparecem das mais variadas formas. É preciso lembrar que as duas provas são situações temporárias que podem ser alternadas na mesma ou na próxima encarnação.

No livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Lacoirdaire (Constantina, 1863) diz: “Sabei contentar-vos com pouco. Se sois pobres, não invejeis os ricos, pois a fortuna não é necessária à felicidade. Se sois ricos, não esqueçais que esses bens vos foram confiados e que tendes de justificar o emprego deles, como uma prestação de contas de tutela. Não sejais administradores infiéis, fazendo-as servir à satisfação do vosso orgulho e vossa sensualidade. Não vos julgueis no direito de dispor exclusivamente em vosso favor daquilo que não é senão um empréstimo, e não uma doação. Se não sabeis restituí-lo, não tendes mais o direito de pedir. E recordai que aquele que dá aos pobres, quita-se da dívida que contraiu com Deus.” Por isso quando a prova da miséria chega até o homem, ele deve enfrentá-la com confiança e resignação, e caso a prova da riqueza venha a aparecer, deve-se recordar das palavras do Mestre Jesus no Evangelho de Mateus 6:19-21: “Não acumulem tesouros sobre a terra, onde as traças e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntem tesouros no céu, onde as traças e a ferrugem não corroem, e onde ladrões não escavam, nem roubam. Porque, onde estiver o seu tesouro, aí estará também o seu coração.”

Em “O livro dos Espíritos”, nas questões de 814 a 816, é explicado que Deus concede a riqueza a uns e a miséria a outros para experimentar os espíritos de formas diferentes e é dito que as duas provas apresentam graus elevados de dificuldade: “A alta posição do homem neste mundo e a autoridade sobre os seus semelhantes são provas tão grandes e tão escorregadias como a miséria, porque, quanto mais rico e poderoso é ele, tanto mais obrigações tem que cumprir e tanto mais abundantes são os meios de que dispõe para fazer o bem e o mal. Deus experimenta o pobre pela resignação e o rico pelo emprego que dá aos seus bens e ao seu poder. A riqueza e o poder fazem nascer todas as paixões que nos prendem à matéria e nos afastam da perfeição espiritual. Por isso foi que Jesus disse: “Em verdade vos digo que mais fácil é passar um camelo por um fundo de agulha do que entrar um rico no reino dos céus.” Lembrando apenas que na tradução do hebraico, a mesma palavra era usada para “camelo” e “cabo” e o mais provável é que “cabo” fosse a tradução correta, pois faria mais sentido. Desta frase dita por Jesus, pode-se compreender que a prova da riqueza é mais perigosa para o homem pois a tentação de abusar dos recursos e de apegar-se aos bens materiais é quase irresistível para o homem comum, caso ele não esteja focado na vida futura e no seu desenvolvimento moral.

Deste modo aquele que acredita ser a riqueza uma solução para as dificuldades da vida terrena ignora o real objetivo de sua encarnação, que é a evolução espiritual e não a aquisição de bens materiais ou a satisfação dos desejos fugazes da carne. Quando se deixa levar pelas paixões materiais e busca apenas os prazeres efêmeros, o homem perde de vista a vida futura e se afasta do seu aprimoramento moral. Por isso, a despeito de que qualidade seja a provação que esteja enfrentando, o importante é que se empenhe para alcançar o desenvolvimento das virtudes da alma, seja a paciência, a resignação ou a submissão à vontade de Deus, e sempre que possível que o homem lembre-se de trabalhar ativamente no auxílio ao próximo e na construção de um mundo melhor, onde todos possam ter dignidade para viver. E como disse Chico Xavier: “Você nem sempre terá o que deseja mas enquanto estiver ajudando os outros, encontrará os recursos de que precisa”.

Portanto, ao buscar o aperfeiçoamento moral além da melhoria das condições materiais, o homem estará desenvolvendo suas próprias virtudes e simultaneamente, levando todo a humanidade a progredir, elevando a categoria do planeta a um patamar onde não exista a miséria, a fome e a violência e onde todos tenham a oportunidade de viver e não apenas de tentar sobreviver. O progresso da humanidade depende do esforço de cada um dos habitantes do planeta, desde que abdiquem de seus desejos egoístas, sua ambição, seu orgulho e deixem predominar o amor ao próximo, a caridade e a benevolência dado que somente assim as injustiças sociais não terão mais vez e a fraternidade, a solidariedade e o amor reinarão na Terra.

Referências:

1. Bíblia Online. Disponível em: <https://www.bibliaonline.com.br>. Acessado em 10 de Julho de 2021.

2. Desigualdade social. Disponível em < https://www.politize.com.br/desigualdade-social/>. Acesso em 08 de Julho de 2021.

3. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Matheus Rodrigues de Carvalho. 43ª reimpressão. Capivari, SP: Editora EME, 2018.

4. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Matheus Rodrigues de Carvalho.24ª reimpressão. Capivari, SP: Editora EME, 2019.

5. Pirâmide de Maslow. Disponível em: <https://www.significados.com.br/piramide-de-maslow>. Acesso em 14 de Julho de 2021.



 

terça-feira, 5 de setembro de 2023

 

                      A Codificação Espírita






 

Por: Sílvio Cardoso Mesquita


Quando o assunto é a Codificação Espírita, impossível não lembrar daquele sujeito de olhar introspecto, semblante firme, testa levemente franzida, postura física ereta e marcante ao qual estamos acostumados a ver em estampas por trás de frases de sua autoria, que nos fazem pensar e ter novas perspectivas em relação a vida, seja ela material, onde estamos aqui e agora vivendo, ou espiritual, destino inquestionável a quem se propõe a tarefa, nada fácil (diga-se de passagem) de estudar e absorver tudo quanto possível da obra deste estimado homem chamado Hippolyte Léon Denizard Rivail, que dedicou sua vida dos 53 aos 64 anos (idade com a qual desencarnou) ao trabalho árduo de transformar em livros os ensinamentos passados por espíritos, que fundamentariam a Doutrina Espírita.

A história da codificação pode ser contada, a partir, especialmente das décadas de 1840 e 1850, onde se tornaram populares os fenômenos das mesas girantes, entre alguns lugares, mas especialmente na França, em Paris, cidade de Rivail. Este grande professor, discípulo do conhecido e grande educador suíço Johann Heinrich Pestalozzi desde sua juventude, além de ser, segundo o biógrafo Marcel Souto Maior (2013, p. 16), “católico e seguidor de Descartes, filósofo que exaltava a ciência refutando o que ficava a margem da mesma”.

Tais circunstâncias, é claro, não seriam obra do acaso, pois foi dentro deste contexto que na sala da casa da senhora Plainemaison, após muito ouvir falar sobre o assunto que se tornara famoso, que Rivail presenciou o tão falado fenômeno das mesas que giravam, deste momento em diante o cético professor e escritor (de várias obras já publicadas, especialmente sobre pedagogia) adentrou a realidade até então desconsiderada sobre os espíritos.

As mesas “inteligentes” que atendiam a comandos das pessoas presentes, serviram claramente para chamar atenção do público e aproximar aquele que, após contato com os que posteriormente seriam chamados de “médiuns”, e conhecer o espírito guia que se apresentou como o Espírito de Verdade, tomaria conhecimento de sua missão de transcrever as obras que iriam compor a codificação espírita. Rivail passou a usar o pseudônimo Allan Kardec para a autoria das obras espíritas, nome este que foi próprio de uma encarnação anterior como um druida (sacerdote, encarregado de questões educacionais e jurídicas além de influência jurídica na sociedade celta).

A codificação kardequiana ficou composta por cinco obras básicas, também referidas como o “pentateuco espírita”, as quatro últimas originárias a partir da primeira, O Livro dos Espíritos, que é seguido cronologicamente por: O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese.

O Livro dos Espíritos, primeira das cinco obras, é composto de perguntas e respostas, estilo literário usado na Grécia antiga, popularmente por Platão, onde se estabelecem diálogos. Nele estão descritos os princípios da Doutrina Espírita, informações sobre a imortalidade da alma, bem como a relação existente entre encarnados e desencarnados, curiosidades inerentes ao ser humano em respeito à vida, e muito mais, que pode vir a ser de importante a nossa existência, como vida futura ou mesmo contemporânea dentro, é claro, de parâmetros de relevância e importância estabelecidos por espíritos superiores e minuciosamente organizados por Kardec. O Livro dos Espíritos conta com 1019 questões na sua última edição escrita por Kardec.

O segundo, O livro dos Médiuns, foi escrito com objetivo de esclarecimento de espíritas ou pessoas simpáticas a doutrina, sobre os fenômenos mediúnicos, deixando claro o caráter investigativo e científico dos Espiritismo, norteando interessados quanto aos eventos que podem ocorrer relacionados a médiuns, espíritos e o universo que os envolve, tal como exemplo, efeitos físicos.

O terceiro livro, não mais, nem menos importante, mas possuinte de características especiais e particulares por se tratar de caráter não somente religioso, mas de destaque moral, pautando questões éticas e comportamentais com base no evangelho de Jesus, deixando clara a importância da caridade como meio de evolução para alcanço da felicidade pura e verdadeira, exemplo disto foi escrito nesta obra por Kardec (2009, p. 64): “A felicidade não é deste mundo”.

O Céu e o Inferno a quarta obra, possui duas partes, sendo a primeira uma análise crítica de Kardec, pondo em confronto pontos do Catolicismo com o Espiritismo no que diz respeito as contradições e incoerências científicas da primeiramente citada, mencionando o objetivo de seguimento de uma fé raciocinada por parte dos espíritos, baseando-se é claro no modelo científico. Na segunda parte do livro dos Espíritos encontram-se diálogos do codificador com espíritos, por meio de médiuns, onde os desencarnados relatam sobre o além tumulo, desencarne e possibilidades deste evento que variam conforme condições de cada indivíduo.

O quinto e último dos cinco livros, A Gênese, aborda a visão da Doutrina Espírita a respeito dos milagres e das predições, onde o ponto de partida para observação se baseia nas novas perspectivas obtidas por meio dos conhecimentos trazidos e interpretados por Kardec e o movimento espírita, fundamentado em seu foco científico, filosófico e religioso.

Allan Kardec também escreveu outras obras espíritas: O que é o Espiritismo, Introdução Prática Sobre as Manifestações Espíritas, O Espiritismo em Sua Expressão Mais Simples, Viajem Espírita, Catálogo Racional de Obras para se Fundar uma Biblioteca Espírita, Obras Póstumas, O Principiante Espírita, A Obsessão, e o periódico A Revista Espírita. Importante ressaltar que essas obras possuem caráter secundário, por se basearem nas obras da codificação.

Como podemos perceber, a codificação do Espiritismo funciona como um mapa para nós que somos viajantes ou visitantes deste plano “submerso” no espaço tempo, e podemos usar este mapa nos guiarmos e ao final da jornada termos méritos, condições para entrar pela porta estreita (referida no evangelho de Mateus 7:13), que nos leva ao caminho da verdadeira felicidade.

Contudo, para isso é preciso estarmos atentos, pois do mesmo modo que existem espíritas que seguem os princípios da codificação, baseados no compromisso com a verdade estabelecido por Kardec, podem aparecer o que a dois mil anos seriam chamados os falsos profetas, sem comprometimento com a causa do Cristo, de espalhar a caridade de forma humilde e sincera sem esperar algo em troca. No livro Mediunidade, Herculano Pires (p.25), faz uma observação dizendo que, “A obra de Kardec é a bussola em que podemos confiar. Ela é a pedra de toque que podemos usar para aferir a legitimidade ou não das pedras aparentemente preciosas que os garimpeiros de novidades nos querem vender”.

 

 

Referências:

MAIOR, Marcel Souto. Kardec: a biografia. Rio de Janeiro: Editora Record, 2013.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 365a Edição, São Paulo: Ide Editora, 2009.

PIRES, Herculano. Mediunidade: conceituação de mediunidade e analise geral dos seus problemas atuais. Editora Record, 2005.