domingo, 17 de julho de 2016

COMO ORAS?


        A oração é recurso iluminativo de que todos nos devemos utilizar, no transcurso da jornada evolutiva. No entanto, a maioria dos aprendizes das variadas escolas de fé, recorre-lhe ao concurso, objetivando conseguir favores da Vida Mais Alta com os quais se desobrigaria mais facilmente os seus compromissos de redenção.
        Orar é ato de abrir-se a Deus, apresentando-se em estado de receptividade para poder plenificar-se com s superiores aspirações, alimentando-se com as forças que fluem do Seu amor.
        Jesus ensinou-nos, na prece dominical — a oração perfeita — a louvar, agradecer e pedir.
        Na singeleza e profundidade da sua formulação  encontram-se expressos os mais importantes anseios do homem e as raízes vigorosas da sua origem que são exaltadas em cântico de graças ao Criador. Entretanto, repedidas vezes, o Mestre nos conclamou a rogar auxílio, apoio e orientação.
        João, no Capítulo dezesseis, versículo vinte e quatro do Evangelho, anotou esta sábia assertiva, que merece meditada, informando: Até agora, nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo se cumpra.
        Há pessoas que se apresentam desiludidas com o resultado das suas orações, em face das respostas recebidas.
        Rogaram tranquilidade e viram-se a braços com lutas continuadas.
        Pediram saúde e as enfermidades se sucederam no lar.
        Solicitaram comodidades e foram conduzidas a problemas e testemunhos.
        Apresentaram planos de riqueza e os mesmos foram dissolvidos, renteando com as necessidades mais ásperas.
        Propuseram construir um ninho de ternura e receberam animosidades e asperezas.
        Afervoraram-se nas preces e morte não foi impedida de entrar-lhes no recinto doméstico, roubando-lhes entes queridos.
     Resolveram deixar de elevar-se nas rogativas, porque os resultados foram decepcionantes e dolorosos.
        O Pai não se nos apresenta, porém, como um servo que deve atender as paixões subalternas dos enganados filhos terrestres.
        As respostas, aparentemente diversas, dos pedidos insensatos constituem prova do supremo amor, que atende conforme é de melhor para o peticionário e não de acordo com o capricho deste.
        Quem anela por tranquilidade, que não se recuse à peleja.
        Quem deseja saúde, que produza bens do espírito, superando os desajustes orgânicos.
        Quem aspira comodidades, que estabeleça um programa de harmonia íntima.
        Quem busca riqueza, que entesoure paz no coração e sabedoria na conduta.
        Quem procura afeto, que desdobre os valores morais no campo do amor sem fronteira.
        Quem confia na vida, jamais se rebele com a transitória mudança física ante a presença da morte.
        Orar é dispor de entendimento para compreender e aceitar a divina vontade que nos impele ao crescimento espiritual, fazendo-nos galgar os degraus da evolução com passo firme e sentimento renovado.
        Quando te entregares à bênção da prece, observa o que pedes, como pedes e para que pedes.
        Nem tudo quanto te parece bom, representa o melhor para ti.
        Verifica se o que solicitas constitui uma necessidade legítima para o teu ser imortal ou uma aspiração vaidosa para a tua apresentação no mundo.
        Não imponhas o teu querer como se o Senhor tivesse obrigação de servir-te.
        Abre-Lhe a alma com humildade e confia no resultado da tua rogativa.
        Acima de tudo, observa para que desejas aquilo cuja falta te atormenta e, desde que se prenda ao quadro de valores terra-a-terra que ficarão, supera esta inquietação e acalma-te no refrigério da oração, sabendo pedir em nome de Jesus, a fim de que tudo quanto te seja concedido se transforme em plenitude e gozo.


Joanna de Ângelis

(De “A PRECE SEGUNDO OS ESPÍRITOS” (Coletânea Mediúnica Ilustrada), de Divaldo Pereira Franco – Diversos Espíritos — Org. por Washington Luiz Nogueira Fernandes)

Ando devagar porque já tive pressa


Ando devagar porque já tive pressa... Pressa de ter tantas coisas, de chegar a tantos lugares, pressa do ter, do parecer.
Mas hoje ando a passo lento, pois já entendo que a vida é uma busca de si mesmo, do ser: Ser melhor, ser amável, ser amigo, ser sensível, ser compassivo, ser caridoso...
Hoje compreendo que é preciso paz para poder sorrir, pois o sorriso verdadeiro, a felicidade autêntica, vem da paz de espírito, a paz de consciência, de quem segue o caminho do bem a todo custo.
Entendo também que as chuvas são bem-vindas, e que sem elas não há floradas, pois é preciso chuva para florir.
A dor nos esculpe a alma, quando bem entendida, quando bem absorvida nos passos diários da lida.
Ando devagar porque já tive pressa... Pressa do sucesso a qualquer custo, pressa de ser popular, de ser o primeiro, de agradar a todos...
Mas hoje ando tranquilo, percebendo mais as manhas e as manhãs, o sabor das massas e das maçãs, absorvendo a vida em toda sua plenitude.
O viver pode ser o mesmo, as circunstâncias podem permanecer inalteradas, mas minhas lentes são outras. Enxergo tudo de outra forma.
E o mais importante de tudo: descobri que para cumprir a vida, para cumprir meu papel, minha missão aqui, preciso compreender minha própria marcha.
Sêneca, antigo sábio, afirmou que nenhum vento é a favor para quem não sabe para onde ir. Então, compreender a marcha é fundamental. Precisamos saber para onde estamos indo, precisamos saber o que é nossa marcha, nossa vida.
Só então posso ir tocando em frente, com simplicidade e devoção, com alegria e coração.
Pois todos temos talento, todos carregamos o dom de ser capaz e ser feliz.
A felicidade não é para poucos, não, é para todos. E cada um a vai encontrando no seu tempo, no seu momento, da sua forma.
Ando devagar porque já tive pressa... Pressa de partir, já quis desistir de tudo, em alguns momentos, mas hoje ando como que em câmera lenta, com a coragem de quem quer ficar e ver tudo até o fim.
Carrego esse sorriso porque já chorei demais, mas isso não quer dizer que não voltarei a derramar alguma gota dos olhos. Significa apenas que os sorrisos serão a regra. A lágrima, exceção.
Ando devagar no passo curto dos meus filhos, pois se resolver andar acelerado os deixarei para trás.
Ando devagar para perceber o sabiá cantador, pois se torno minha vida uma bomba-relógio, passo a não perceber a vida que passa ao largo de meus passos, e assim, os sabiás passam a não existir mais.
Ando devagar para ainda conseguir olhar onde piso, e não esmagar nada, nem ninguém com minha desatenção ou deselegância.
Ando devagar para pensar um tanto mais antes de agir, para escolher as palavras certas, para digerir uma ideia nova, para escolher um caminho, para silenciar a mim mesmo por alguns instantes.
Ando devagar... Porque já tive pressa.

*   *   *
A vida é especialmente rica para que se passe por ela, às pressas, sem atentar para os detalhes.
O mundo é pleno de belezas para que se o percorra aos saltos, sem nos determos a descobrir as belezas das flores, o segredo das matas, o encanto das fontes.
Pensemos nisso!

 Redação do Momento Espírita, com base na canção Tocando em frente, de Almir Sater

PERDOA-TE


A palavra evangélica adverte que se deve ser indulgente para com as faltas alheias e severo em relação às próprias.
Somente com uma atitude vigilante e austera no dia-a-dia o homem consegue a autorealização.
Compreendendo que a existência carnal é uma experiência iluminativa, é muito natural que diversas aprendizagens ocorram através de insucessos que se transformam em êxitos, após repetidas, face aos processos que engendram.
A tolerância, desse modo, para com as faltas alheias, não pode ser descartada no clima de convivência humana e social.
Sem que te acomodes à própria fraqueza, usa também de indulgência para contigo.
Não fiques remoendo o acontecimento no qual malograste, nem vitalizes o erro através da sua incessante recordação.
Descobrindo-te em gravame, reconsidera a situação, examinando com serenidade o que aconteceu, e regulariza a ocorrência.
És discípulo da vida em constante crescimento.
Cada degrau conquistado se torna patamar para novo logro.
Se te contentas, estacionando, perdes oportunidades excelentes de libertação.
Se te deprimes e te amarguras porque erraste, igualmente atrasas a marcha.
Aceitando os teus limites e perdoando-te os erros, mais facilmente treinarás o perdão em referência aos demais.
Quando acertes, avança, eliminando receios.
Quando erres perdoa-te e arrebenta as algemas com a retaguarda, prosseguindo.
O homem que ama, a si mesmo se ama, tolerando-se e estimulando-se a novos e constantes cometimentos, cada vez mais amplos e audaciosos no bem.

Joanna de Ângelis
Divaldo Pereira Franco
Livro: Filho de Deus

Amarás servindo


Ainda mesmo quando te vejas absolutamente a sós, no trabalho do bem, sob a zombaria dos que se tresmalham temporariamente da navegação e do egoísmo, não esmorecerás. Crendo na misericórdia da Providência Divina e nas infinitas possibilidades de renovação do homem, seguirás Jesus, o Mestre e Senhor, que, entre a humildade e a abnegação, nos ensinou a todos que o amor e o serviço ao próximo são as únicas forças capazes de sublimar a inteligência para que o Reino de Deus se estabeleça em definitivo nos domínios do coração.


Emmanuel

Amanhã


“Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã.”
Diz o preguiçoso: “amanhã farei”.
Exclama o fraco; “amanhã, terei forças”.
Assevera o delinquente: “amanhã, regenero-me”.
É imperioso reconhecer, porém, que a criatura, adiando o esforço pessoal, não alcançou, ainda, em verdade, a noção real do tempo.
Quem não aproveita a bênção do dia, vive distante da glória do século.
Alma sem coragem de avançar cem passos, não caminhará vinte mil.
O lavrador que perde a hora de semear, não consegue prever as consequências da procrastinação do serviço a que se devota, porque, entre uma hora e outra, podem surgir impedimentos e lutas de indefinível duração.
Muita gente aguarda a morte para entrar numa boa vida, contudo, a lei é clara quanto à destinação de cada um de nós.
Alcançaremos sempre os resultados a que nos propomos.
Se todas as aves possuem asas, nem todas se ajustam à mesma tarefa, nem planam no mesmo nível.
A andorinha voa na direção do clima primaveril, mas o corvo, de modo geral, se consagra, em qualquer tempo, aos detritos do chão.
Aquilo que o homem procura agora surpreenderá amanhã, à frente dos olhos e em torno do coração.
Cuida, pois, de fazer, sem delonga, quanto deve ser feito a benefício de tua própria felicidade, porque o Amanhã será muito agradável e benéfico somente para aquele que trabalha no bem, que cresce no ideal superior e que aperfeiçoa, valorosamente, nas abençoadas horas de Hoje.


Emmanuel

Amor pela dor


Em nome do amor há crianças desamparadas, velhinhos sem teto, doentes sitiados em rudes
privações, e almas feridas entre pesadelos e aflições irremediáveis...
Em nome do amor, há quem abandone o santuário doméstico, relegando os vínculos da sua redenção a temporário esquecimento...
Em nome do amor, há quem se confie a tragédias passionais, investindo contra o objeto da própria devoção afetiva, através da delinquência e da morte...
Em nome do amor, há quem provoque separação e desespero, portas a dentro do lar, convertendo-o em inferno de lágrimas a quatro paredes...
Em nome do amor, há quem menospreze o próprio corpo, arrojando-se a despenhadeiros de remorso e sofrimento, pelo desvão do suicídio...
Em nome do amor, há crianças desamparadas, velhinhos sem teto, doentes sitiados em rudes
privações, e almas feridas entre pesadelos e aflições irremediáveis...
Entretanto, semelhantes delitos, em nome da luz que equilibra o Universo, são perpetrados pela violência e pelo ciúme, pela cegueira e pela incompreensão do egoísmo - o apego desvairado a nós mesmos - , em cuja concha de trevas habitualmente nos ocultamos, fugindo à
excelsitude do amor genuíno pelo amor de sofrer.
Aceitemos a luta por instrutora de nossa existência, como quem sabe que nada existe sem preço. Adquiramos o tesouro do amor pelo aproveitamento da dor.
Recebamos as lições da renúncia e o próprio sacrifício por jorros de claridade celeste, nas sombras de nosso "eu", e, aprendendo que mais vale dar que receber, o amor transformará a face de nossos destinos, porque tomará nosso coração por trono de sua glória e, ensinando-nos a entender e ajudar a todos, fará de nossa vida o santuário resplandecente e sublime da Vontade Justa e Misericordiosa de Deus.

Emmanuel

Aos quase Suicidas


Sim. É a dor fulminativa, a dor largamente suportada, aquela que se te acumulou no coração, qual represa de fogo e fel, e aquela outra que sempre temeste e que chegou, e por fim, à maneira de tempestade, arrasando-te as forças. São elas essas agonias indizíveis, para as quais os dicionários humanos não te fornecem palavras adequadas à necessária definição, que, muitas vezes, te fazem desejar a morte, antes do momento em que a morte aparece a cada criatura terrestre, à feição de anjo libertador.
Ainda assim, compreendendo-te os ápices de angustia, em nome de todos aqueles que te
amam, aquém das fronteiras de cinzas, dos quais te despedistes na grande separação, rogamos-te paciência e coragem.
Ergue-te, acima dos escombros das próprias ilusões, e contempla os caminhos novos que a
infinita Bondade de Deus te reserva.
Se amarguras te azedaram os sonhos, espera pelo tempo cujos filtros não funcionam debalde; se desenganos te buscaram, observa que ensinamentos te trazem; se dificuldades repontaram da estrada, estuda com elas qual a melhor solução aos teus problemas de paz e segurança; se provações surgiram, atribulando-te as horas, enumeras as lições de que se façam portadoras, em teu beneficio; se prejuízos te dilapidaram a existência, recorda que o trabalho nunca nos cerra as portas; e se alguém te deixou a alma vazia de afeição, pensa no amor infinito que sustenta o universo, na certeza de que outras almas te virão ao encontro, abençoando-te o dom de amor e de servir.
Nunca esmoreças, ante as dificuldades que te surjam no caminho para a vanguarda.
Quando estiveres a ponto de ceder à pior rendição de todas – aquela de recusar o dom da vida- detém-te a refletir em Deus que te criou para a sabedoria e para o amor. E Ele, cujo poder arranca a erva da semente sepultada no chão para o esplendor solar, te arrebatará igualmente a qualquer tribulação, a fim de que sobrepaires, além de todos os fracassos e de todas as crises, de modo a que brilhes e avances para a frente, aprendendo e trabalhando, servindo e amando, em plenitude de vida imperecível.


Emmanuel