domingo, 19 de fevereiro de 2023

 

A VISÃO ESPÍRITA DAS DROGAS


                                                         Rafaela Paes de Campos


É muito necessário que se traga tal temática à baila e, na mesma proporção, é triste o contexto no qual se inserem aqueles que se deixam levar pela viciação em substâncias que proporcionam fuga da realidade e ilusória sensação de bem-estar que, ao longo do tempo, torna-se cada vez mais difícil de alcançar, levando ao agravamento do quadro.


Quando se fala a respeito das drogas, é comum que automaticamente pensemos naquelas que são tidas como ilícitas pela materialidade do Direito, mas há outras, livremente comercializadas, com alto poder de viciação e de danos na vida daqueles que a consomem e, sim, na das pessoas que convivem e amam o que se deixou levar pelo vício.


Dados do Relatório Mundial sobre Drogas 2022, elaborado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), dão conta de que os jovens estão consumindo mais drogas, sendo que na América Latina e na África, pessoas com menos de 35 anos são a maioria das que se encontram em tratamento decorrente do vício. E informa, ainda, que no ano de 2020, 284 milhões de pessoas com idade entre 15 e 64 anos fizeram uso de drogas, o que corresponde a um aumento de 26% em comparação a 10 anos atrás (SAÚDE DEBATE, 2022, on-line). Esses dados referem-se a drogas ilícitas.


São números alarmantes e, claro, é um quadro gravíssimo vivido pela sociedade contemporânea.


Não há como esquecer do álcool, vendido livremente e socialmente aceito, levando a altos índices de dependência que devastam o alcoolista e suas famílias. Por fim, há os cigarros, também vendidos livremente e, mais recentemente, o advento da ‘moda’ dos cigarros eletrônicos que seguem sendo vendidos apesar da proibição constante na Resolução nº 46, de 28 de agosto de 2009, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).


Sejam ilícitas ou licitas, as drogas destroem a vida daquele que as consome, destroem famílias, fragilizam a todos emocionalmente, além do claro prejuízo trazido à saúde do usuário. São temas ainda tido como tabus pela coletividade, que causam desconforto e tornam dependentes pessoas mal vistas, quando necessitam, na realidade, de amparo, acolhimento e socorro.


Do ponto de vista da Doutrina Espírita, é preciso reconhecer que viver num mundo de provas e expiações traz intenso peso ao caminhar da vida. Bem sabemos que vivemos dificuldades diversas ao longo do tempo, sejam elas, provas a nos testar ou expiações a resgatar, levando algumas pessoas à triste conclusão de que drogas são capazes de aliviar o peso dos acontecimentos.


Estarmos hoje encarnados tem o objetivo primordial de que todos nós alcemos voos maiores com nossos aprendizados e, assim, evoluamos. Entretanto, quando nos deixamos levar pelas pretensas fugas da realidade, estamos apenas agindo de forma a adiar esse processo, numa perda de tempo triste para o Espírito.


Diz-nos Kardec em nota à questão 908 de O Livro dos Espíritos que “toda paixão que aproxima o homem da natureza animal afasta-o da natureza espiritual” (KARDEC, 2022, p. 325). Aquilo que nos leva a priorizar o ‘prazer’ da matéria – como as sensações proporcionadas pelas drogas – nos aproximam de nossa essência material, distanciando-nos da natureza real do Espírito que somos.


São diversos os motivos elencados por aqueles que se inseriram nas realidades viciosas, mas em todos eles houve uma escolha inicial que poderia ter sido outra. Na questão 909 também de O Livro dos Espíritos temos:


909. Poderia o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações?

Sim, e, frequentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade. Ah! Quão poucos dentre vós fazem esforços” (KARDEC, 2022, p. 325).
Obs. Postagem retirada do bolg do Letra Espírita 02/23

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

 



Por: Rodrigo Fonseca

    Abençoados somos nós por termos tido, nesta encarnação, a dádiva do contato e do aprendizado da doutrina Espírita e a possibilidade de trabalhar e empregá-la no nosso cotidiano. Muitos de nós, espíritas, frequentamos o centro assiduamente; fizemos os cursos estabelecidos sobre a doutrina, a mediunidade e a reforma íntima; participamos de eventos de caridade e quando nos perguntam da nossa religião, orgulhosamente respondemos: eu sou espírita. Mas, indo para além de uma mera resposta sobre nossa fé, o que de fato nos torna espíritas e, mais do que isso, um bom espírita?

    O bom espírita é, a priori, aquele que não apenas conhece o Espiritismo, mas tenta inserir seus aprendizados no dia a dia em casa com a família, no trabalho com os colegas, na vida social com os amigos e na sociedade com as demais pessoas. É aquele que respeita as leis de Deus e as leis do homem por naturalidade, não por temor. É aquele que traz o amor e a caridade como lemas de norte de sua vida de maneira pura, sem o sentimento de fardo e obrigação.

    O bom espírita frequentemente se questiona sobre sua própria conduta, se não está prejudicando a si mesmo ou ao próximo com algum comportamento inadequado, se não violou alguma lei divina em suas relações interpessoais, se há algo mais que pode fazer pelos outros, como ajudar o próximo e como melhorar a si mesmo. Além disso, busca constantemente a expansão de sua consciência através do estudo contínuo da doutrina em seu tríplice aspecto: religioso, filosófico e científico.

    O bom espírita sabe que não é feito de aço, por isso certamente às vezes se entristece, se isola, chora. Porém, passado o mau momento, reergue-se e segue em frente com plena convicção de que Deus, em sua infinita bondade, justiça e sabedoria, nunca desampara seus filhos e, justamente por isso, confia-Lhe suas angústias e problemas.

    Nos tempos conturbados que estamos atravessando, muitos já perderam a fé no mundo e na humanidade. O bom espírita segue alimentando a fé no futuro, pois acredita veemente que os bens espirituais estão acima dos bens efêmeros e de que a luz sempre há de vencer as trevas. Os problemas, as dores, as decepções que atravessamos são nos dadas como lições para o nosso crescimento espiritual e amadurecimento emocional. Como dizia Chico Xavier: “tudo passa”. O que é bom, passa. O que é ruim, também passa.

    Allan Kardec já dizia que “Fora da caridade, não há salvação”. Portanto, o bom espírita está sempre pensando e cultivando o sentimento de caridade, de fazer o bem sem esperar nada em troca e, não titubeia a participar de eventos de caridade. Quando testado fora do ambiente religioso e familiar, não hesita em estender a mão àquele que lhe pede ajuda. A caridade para o bom espírita é imensa alegria para o seu coração.

    Ainda sobre caridade e amor ao próximo, o bom espírita não faz distinção quanto a raças, classes sociais, crenças, ideologias políticas, times de futebol e demais categorias que muitos teimam em se enquadrar e enquadrar os outros. Na hora de prestar auxílio, o bom espírita enxerga a todos os seus semelhantes como irmãos e lhes presta ajuda sem rancor nem estresse. Pois, compreende que cada um tem o direito de ter suas convicções e defender o que lhe parece bom, belo e justo.

    Não faz parte da conduta do bom espírita prejudicar quem quer que seja com palavras agressivas, de comprar briga a troco de nada, de cultivar o ódio, a raiva e a mágoa contra seu irmão em Cristo. Ao contrário, procura na medida do possível, perdoar e deixar para lá os dissabores que de vez em quando sucedem.

    O bom espírita busca sempre ser humilde, pois tal como Jesus havia dito que os cristãos seriam reconhecidos por sua humildade, esta é uma lição a ser colocada em prática dentro e fora do centro espírita. Logo, não é do feitio do bom espírita ser soberbo e se sentir melhor do que os outros por suas posses materiais ou por seus dons mediúnicos. Sabendo que o orgulho e a vaidade podem ser a pedra onde o médium é testado pela espiritualidade, procura realizar seu trabalho espiritual de maneira respeitosa, empática e tranquila.

    Por fim, podemos resumir o bom espírita como aquele que é respeitoso à Deus, aos ensinamentos de Jesus, à doutrina Espírita e, acima de tudo, aquele que não apenas prega o que crê, mas pratica o que prega. N’outras palavras, o que nos torna bons espíritas é colocar a passagem do livro Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, que nos aponta o que é o homem de bem, em prática. Fica então resumido, o caminho que devemos tomar no esforço contínuo, no intuito de nos tornarmos quiçá um dia, bons espíritas.

 

sábado, 26 de novembro de 2022



Por: Jéssica Cavallotti Araújo

"Pobre raça humana, cujo egoísmo corrompeu todas as sendas, toma novamente coragem, apesar de tudo. Em sua misericórdia infinita, Deus te envia poderoso remédio para os teus males, um inesperado socorro à tua miséria. Abre os olhos à luz: aqui estão as almas dos que já não vivem na Terra e que te vêm chamar ao cumprimento dos deveres reais. Eles te dirão, com a autoridade da experiência, quanto as vaidades e as grandezas da vossa passageira existência são mesquinhas a par da eternidade. Dir-te-ão que, lá, o maior é aquele que haja sido o mais humilde entre os pequenos deste mundo; que aquele que mais amou os seus irmãos será também o mais amado no céu; que os poderosos da Terra, se abusaram da sua autoridade, ver-se-ão reduzidos a obedecer aos seus servos; que, finalmente, a humildade e a caridade, irmãs que andam sempre de mãos dadas, são os meios mais eficazes de se obter graça diante do Eterno. – Adolfo, bispo de Argel. (Marmande, 1862.)"

O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap.VII,item 12.


A vaidade saudável é aquela que nos atenta a ter mais aceitação e amor próprio, cuidarmos do nosso primeiro templo, o nosso corpo físico.

Porém, a vaidade exacerbada, sem limites e que infelizmente é uma cólera na sociedade atual interfere na evolução da humanidade.

Satisfazer a vaidade é um perigo, pois o poder, o status envaidece o ser, e se despreparado a moral é deixada de lado pois o que conta é o sucesso às custas da própria paz.

O ser se sente perante o todo como insubstituível, uma grande ilusão terrena, pois somos aqui passageiros, nossa missão é a própria evolução moral e espiritual.

Um espírito vaidoso não possui discernimento, não consegue ouvir o próximo, não assume seus erros mesmo evidentes, a soberba faz o menosprezar todos a sua volta. No livro O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. 5, item 4, veremos os males que a vaidade ocasiona no todo:

“De duas espécies são as vicissitudes da vida, ou, se o preferirem, formam duas fontes bem diferentes, que importa distinguir. Algumas têm sua causa na vida presente; outras, fora desta vida.”

Remontando-se à origem dos males terrestres, reconhecer-se-á que muitos são consequência natural do caráter e do proceder dos que os suportam.

Quantos homens caem por sua própria culpa! Quantos são vítimas de sua imprevidência, de seu orgulho e de sua ambição!

Quantos se arruínam por falta de ordem, de perseverança, pelo mau proceder, ou por não terem sabido limitar seus desejos!

Quantas uniões infelizes, porque resultaram de um cálculo de interesse ou de vaidade e nas quais o coração não tomou parte alguma!

Quantas dissensões e funestas disputas se teriam evitado com um pouco de moderação e menos suscetibilidade!

Quantas doenças e enfermidades decorrem da intemperança e dos excessos de todo gênero!

Quantos pais são infelizes com seus filhos, porque não lhes combateram desde o princípio as más tendências! Por fraqueza, ou indiferença, deixaram que neles se desenvolvessem os gérmens do orgulho, do egoísmo e da tola vaidade, que produzem a secura do coração; depois, mais tarde, quando colhem o que semearam, admiram-se e se afligem da falta de deferência com que são tratados e da ingratidão deles."


Vemos acima que muitas das aflições e dores experienciadas são resultados do seu livre arbítrio, observe quantas pessoas ou você mesmo já passou ou passa por momentos difíceis, tristes e observe, reveja seus atos e escolhas enquanto há tempo.

Uma das maiores vaidades entre os seres humanos é o orgulho, a soberba, querer sempre estar acima de qualquer coisa e pessoas, pois apenas sua verdade importa, e assim errar ou pedir desculpas é um ato humilhante, esse espírito não evolui pois não consegue se desprender de sentimentos tão negativos e terrenos, a consciência maior anseia a evolução e o bem maior a todos, sem diferenças.

Mude seu modo de ver a vida, mude seus hábitos e seja melhor a cada dia!



Referência:

Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo, São Paulo - 1º edição eletrônica editora EME.
Latra Espírita nov/22