quarta-feira, 18 de maio de 2016

SEQUÊNCIA


          Se desejas alcançar a caridade e a ciência nos cimos do progresso, observa a produção da árvore sábia e simples.
          De início, a sementeira.
          Mais tarde, o crescimento.
          Depois, a floração.
          No fim, a frutescência.
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          Não pedirás, assim, à roseira nascitura que se cubra de flores, simplesmente porque surja a teus olhos. Oferecer-lhe-ás água e adubo, carinho e defesa, para que te possa retribuir na tela das horas com o ramo perfumado a enriquecer-te o jardim.
***
          Não reclamarás da criança a interpretação da cultura clássica, apenas porque demonstre vivacidade e inteligência. Dotá-la-ás, como é justo, com os talentos da escola e da educação, para que, no curso dos dias, te satisfaça a exigência.
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   Lembra-te da casa nobre começando nos alicerces, e não te desmandes na pressa, a fim de que a tua existência se ajuste à gloriosa sinfonia da vida.
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          Ninguém trairá os imperativos do tempo, no campo da evolução.
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          As próprias constelações e os próprios átomos obedecem à lei do ritmo e procedem segundo as disposições da ordem no seu mecanismo certo.
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          Recordemos, desse modo, quanto temos recebido dos Benfeitores da Vida Mais Alta, em tolerância e renúncia, até abordarmos a faixa de entendimento em que hoje nos situamos e, endereçando à retaguarda as mãos incansáveis e amigas, saibamos ajudar e socorrer, perdoar e amparar, infatigavelmente, na certeza de que, apenas assim, repetindo indefinidamente as lições do roteiro, sob a inspiração da bondade e da paciência, é que atingiremos, por nós mesmos, a auréola da sabedoria e do amor que nos aguarda ante a luz dos sóis sublimados e infinitos.


 Pelo Espírito Emmanuel
Francisco Cândido Xavier

Em Momentos Difíceis


Quando você se observe à beira da impaciência, capaz de arrojar-lhe o coração ao espinheiro da angústia, conte as vantagens de que dispõe, de modo a imunizar-se contra o assalto das trevas.
Desentendimento em família...
Recorde aqueles que desejariam encontrar alguém, até mesmo para simples discussão, na soledade crônica em que se identificam.
Amigos que se afastam...
Reflita na provação daqueles que nunca os tiveram.
Agressões...
Pense no cérebro equilibrado de que você está munido para agir em apoio aos companheiros doentes da alma.
Criaturas queridas em problemas graves do sentimento...
Medite na sua tranquilidade e segurança, pelas quais, por enquanto, consegue permanecer livre de obsessões.
Tarefas em sobrecarga, compelindo você a desânimo e cansaço...
Gaste alguns momentos, examinando a luta dos irmãos sem qualquer possibilidade de emprego na garantia da própria sustentação.
Aborrecimentos...
Avalie a importância de algumas frases de reconforto que você pode levar a companheiros enfermos ou compreensivelmente abatidos pelo sofrimento que os subjuga.
Lar em desajuste...
Um olhar para os irmãos que caminham sem teto.
Some as bênçãos de sua vida e vacine-se contra o desespero, porque o desespero é um vulcão de fogo e sombra, cuja extensão nos domínios do desequilíbrio e da morte ninguém pode calcular.

Espírito: André Luiz
Psicografia de Francisco Cândido Xavier 

Do Livro: Aulas da Vida 

FERMENTO ESPIRITUAL



"Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?”
- Paulo. (I Coríntios, 5:6).

O fermento é uma substância que excita outras substâncias, e nossa vida é sempre um fermento espiritual com que influenciamos as existências alheias.
Ninguém vive só.
Temos conosco milhares de expressões do pensamento dos outros e milhares de outras pessoas nos guardam a atuação mental, inevitavelmente.
Os raios de nossa influência entrosam-se com as emissões de quantos nos conhecem direta ou indiretamente, e pesam na balança do mundo para o bem ou para o mal.
Nossas palavras determinam palavras em quem nos ouve, e, toda vez que não formos sinceros, é provável que o interlocutor seja igualmente desleal.
Nossos modos e costumes geram modos e costumes da mesma natureza, em torno de nossos passos, mormente naqueles que se situam em posição inferior à nossa, nos círculos da experiência e do conhecimento.
Nossas atitudes e atos criam atitudes e atos do mesmo teor, em quantos nos rodeiam, porquanto aquilo que fazemos atinge o domínio da observação alheia, interferindo no centro de elaboração das forças mentais de nossos semelhantes.
O único processo, portanto, de reformar edificando é aceitar as sugestões do bem e praticá-las intensivamente, por intermédio de nossas ações.
Nas origens de nossas determinações, porém, reside a ideia.
A mente, em razão disso, é a sede de nossa atuação pessoal, onde estivermos.
Pensamento é fermentação espiritual. Em primeiro lugar estabelece atitudes, em segundo gera hábitos e, depois, governa expressões e palavras, através das quais a individualidade influencia na vida e no mundo.
Regenerado, pois, o pensamento de um homem, o caminho
que o conduz ao Senhor se lhe revela reto e limpo.

Pelo espírito de Emmanuel

Psicografia de Chico Xavier
Do Livro: Fonte Viva

Oração à Mulher


Missionária da vida.
Ampara o homem para que o homem te ampare.
Não te conspurques no prazer, nem te mergulhes no vício.
A felicidade na Terra depende de ti, como o fruto depende da árvore.
Mãe sê o anjo do lar.
Esposa auxilia sempre.
Companheira acende o lume da esperança.
Irmã sacrifica-te e ajuda.
Mestra orienta o caminho.
Enfermeira compadece-te
Fonte sublime, se as feras do mal te poluíram as águas, imita a corrente cristalina que no serviço infatigável a todos, expulsa do próprio seio a lama que lhe atiram.
Por mais te aflija a dificuldade, não te confies à tristeza ou ao desânimo.
Lembra os órfãos, os doentes, os velhos e os desvalidos da estrada que esperam por teus braços e sorri com serenidade para a luta.
Deixa que o trabalho tanja as cordas celestes do teu sentimento para que não falte a música da harmonia aos pedregosos trilhos da existência terrestre.
Teu coração é uma estrela encarcerada.
Não lhe apagues a luz para que o amor resplandeça sobre as trevas.
Eleva-te, elevando-nos.
“Não te esqueças de que trazes nas mãos a chave da vida porque a chave da vida é a Glória de Deus...”

Meimei

Chico Xavier

NA FORMAÇÃO DOS FILHOS


Inúmeros são os irmãos que rogam, em suas vinculações com os Espíritos ou com os companheiros da luta humana um pouco mais experimentados, orientação ou sugestões para a tarefa-missão de conduzir a prole.
Muitos admitem seja a lide mais difícil da vida do lar a formação dos rebentos para os trilhos do bem, da firmeza moral.
Indiscutivelmente, não constitui trabalho simples o conduzimento dos filhos com vistas ao encontra com Deus, por meio da saúde moral, por meio do amor.
Entretanto, diante das dificuldades que se alevantam, descobrimos a acomodação ou a má vontade com que muitos progenitores ou responsáveis outros por crianças e adolescentes demonstram, no que diz respeito à necessidade de aprender, de esforçar-se por crescer, de ampliar as próprias condições, de modo que acompanhe o progresso dos filhos, tanto quanto lhes seja possível.
***
Em muitos casos torna-se mais fácil aceitar o que dizem parentes e vizinhos, nem sempre sintonizados com responsabilidades, com as quais já tomamos contato.
Diversos preferem entregar ao deus-dará a educação dos pequeninos, deixando-os a mercê dos vídeos, das amas e de outros dispositivos. Eles, os pais, infelizmente, continuam espiritualmente ausentes.
A criança se assemelha a uma esponja, capaz de absorver facilmente o que lhe entregamos à alma, seja conteúdo de nobreza ou de perversão.
***
Para uma equilibrada orientação dos filhos, sem qualquer intenção de apostilar comportamentos ou de determinar isso ou aquilo, será de validade atentarmos para alguns pontos importantes, tais como: a consciência da presença de Deus em nossa vida; o respeito à vida atual, estendendo ao corpo os cuidados necessários; o respeito a si mesmo como integrante e atuante no processo social, conscientização que se esboça pouco a pouco; desprezo às vacuidades, transformando o consumismo avassalador e indevido em rota de assistência para com os que carecem mais ao nosso redor; o hábito salutar de estudar serenamente, sem o olvido de que, para a criança, são importantes o brinquedo, a descontração dos folguedos infantis e a convivência no seu grupo, sadiamente.
***
Enquanto substituirmos a presença nossa junto aos filhos por dinheiro e presentes; enquanto encobrirmos nossos descuidos com passeios caros, fingindo bem-querer; enquanto permitirmos que os ídolos fabricados pelos veículos comunicadores ocupem, na mente infantil, o lugar que não tenhamos tempo para ocupar, é natural que a sociedade siga de queda em queda, antevendo os excessos do mal, ao que se reportam os Espíritos do Senhor, a fim de que todos sintamos a necessidade do bem e das reformulações. Entretanto, se já somos iluminados pelo conhecimento, por que esperamos o sofrimento e a derrota?
Amemos as nossas crianças, impondo-nos regime de progresso geral, a fim de que melhor possamos orientá-las, para que cumpram os seus deveres na Terra, rumando como Espíritos imortais para os seus destinos de luz.

Pelo Espírito Thereza de Brito
José Raul Teixeira.

"Vereda Familiar". Cap. 15, pág. 96. 6ª edição 2012. Ed. Fráter.

O Dever das Mães (Segundo Emmanuel)


 

          189?Que deve fazer a mãe terrestre para cumprir evangelicamente os seus deveres, conduzindo os filhos para o bem e para a verdade?
          - No ambiente doméstico, o coração maternal deve ser o expoente divino de toda a compreensão espiritual e de todos os sacrifícios pela paz da família.
          Dentro dessa esfera de trabalho, na mais santificada tarefa de renúncia pessoal, a mulher cristã acende a verdadeira luz para o caminho dos filhos através da vida.
          A missão materna resume-se em dar sempre o amor de Deus, o Pai de Infinita Bondade, que pôs no coração das mães a sagrada essência da vida. Nos labores do mundo, existem aquelas que se deixam levar pelo egoísmo do ambiente particularista; contudo, é preciso acordar a tempo, de modo a não viciar a fonte da ternura.
          A mãe terrestre deve compreender antes de tudo, que seus filhos, primeiramente, são filhos de Deus.
          Desde a infância, deve prepara-los para o trabalho e para a luta que os esperam.
          Desde os primeiros anos, deve ensinar a criança a fugir do abismo da liberdade, controlando lhe as atitudes e concentrando-lhe as posições mentais, pois que essa é a ocasião mais propícia à edificação das bases de uma vida.
          Deve sentir os filhos de outras mães como se fossem os seus próprios, sem guardar, de modo algum, a falsa compreensão de que os seus são melhores e mais altamente aquinhoados que os das outras.
          Ensinará a tolerância mais pura, mas não desdenhará a energia quando seja necessária no processo da educação, reconhecida a heterogeneidade das tendências e a diversidade dos temperamentos.
          Sacrificar-se de todos os modos ao seu alcance, sem quebrar o padrão de grandeza espiritual de sua tarefa, pela paz dos filhos, ensinando-lhes que toda dor é respeitável, que todo trabalho edificante é divino, e que todo desperdício é falta grave.
          Ensinar-lhes-á o respeito pelo infortúnio alheio, para que sejam igualmente amparados no mundo, na hora de amargura que os espera, comum a todos os espíritos encarnados.
          Nos problemas da dor e do trabalho, da provação e da experiência, não deve dar razão a qualquer queixa dos filhos, sem exame desapaixonado e meticuloso das questões, levantando-lhes os sentimentos para Deus, sem permitir que estacionem na futilidade ou nos prejuízos morais das situações transitórias do mundo.
          Será ele no lar o bom conselho sem parcialidade, o estímulo do trabalho e a fonte de harmonia para todos.
          Buscará na piedosa Mãe de Jesus o símbolo das virtudes cristãs, transmitindo aos que a cercam os dons sublimes da humildade e da perseverança, sem qualquer preocupação pelas gloriosas efêmeras da vida material.
          Cumprindo esse programa de esforço evangélico, na hipótese de fracassarem todas as suas dedicações e renúncias, compete às mães incompreendidas entregar o fruto de seu labores a Deus, prescindindo de qualquer julgamento do mundo, pois que o Pai de Misericórdia saberá apreciar os seus sacrifícios e abençoarão as suas penas, no instituto sagrado da vida familiar.


Emmanuel
  

Esquizofrenia


Embora seja discutida como se fosse uma doença única, a esquizofrenia pode ser considerada como uma síndrome heterogênea, ou ainda como um grupo de transtornos com causas heterogêneas. A sua, pode ser considerada a história da própria psiquiatria, uma vez que a quantidade de estudiosos desta enfermidade é vasta. Neste contexto, pois, o psiquiatra francês Bénédict Morel (1809-1873) foi quem primeiro se utilizou do termodémence précoce, o qual seria latinizado, mais tarde, por Emil Kraepelin (1856-1926) comodementia precox. Caberia, porém, ao suíço Eugen Bleuler (1857-1939), em 1911, a criação do termo “esquizofrenia”, que indica a presença de um cisma entre pensamento, emoção e comportamento (esquizo = cisão, frenia = mente).
Muito embora, pense-se ser ela um achado raro, atualmente se sabe que a sua prevalência é algo em torno de 1% em todo mundo, entretanto, apenas uma pequena parcela desta população recebe o tratamento adequado.
Como há de se convir, não existem características patognomônicas da doença, ou seja, os sinais e os sintomas não são exclusivos da esquizofrenia, podendo-se, assim, encontrá-los em outros distúrbios psiquiátricos e/ou neurológicos. Dessa maneira, a sintomatologia esquizofrênica se apresenta demasiado abrangente. É interessante notar, no entanto, a presença importante das alucinações – alteração da percepção em que o indivíduo percebe algo na ausência do objeto e, por conseguinte, da sensação (delírios): há sensação e objeto, mas a percepção da realidade é alterada, fantasiada.
[...]
Há de se considerar, no entanto, sempre, a complexidade desta enfermidade. Sendo assim, imperioso é lembrar das palavras de Bleuler, quando concluiu ser a esquizofrenia “uma afecção fisiógena, mas com ampla superestrutura psicógena”. Dessa forma, apesar das grandes descobertas, do ponto de vista fisiológico, já realizadas até aqui no campo dos mecanismos etiopatogênicos, é preciso convir que o arsenal ainda não se esgotou. Isso porque, afora as contribuições psicossociais, há que se levar em consideração o Espírito imortal, agente causal fundamental.
Não são de espantar, portanto, as palavras do sábio grego Sócrates, quando dissera: “Se os médicos são malsucedidos, tratando da maior parte das moléstias, é que tratam do corpo, sem tratarem da alma. Ora, não se achando o todo em bom estado, impossível é que uma parte dele passe bem”.
Neste ínterim, a Doutrina Espírita identificando o indivíduo real como sendo o Espírito, ser pensante do Universo; estudando profundamente as relações deste com o corpo material, através do seu envoltório, ou perispírito, no dizer de Allan Kardec; comprovando a imortalidade da alma, através das comunicações mediúnicas, e a capacidade que os desencarnados têm de influenciar os ditos vivos; mostrando a reencarnação e explicando os mecanismos evolutivos da lei de ação e reação; mostrando a loucura por outro prisma; e destrinchando os mecanismos das obsessões, vem, por isso mesmo, abrir novos rumos ao entendimento desta importante doença.
Desse modo, como já dissera o Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, “nessa estrutura psicógena”, falada pelo eminente psiquiatra suíço supracitado, situam-se, igualmente, “os fatores cármicos, de procedência anterior ao berço que pesam na consciência culpada…”. Isso porque, também, o paciente esquizofrênico é um Espírito imortal em processo de evolução.
Neste contexto, pois, observa-se que a esquizofrenia guarda a sua origem profunda no Espírito que delinque. Este fica atormentado pela consciência de culpa, devido aos erros de vidas transladas, os quais, provavelmente, passaram despercebidos pela justiça terrena, mas não foram capazes de ludibriar as leis do Criador, porque inscritas dentro do ser. Consequentemente, tal sentimento impregna o perispírito e, mais cedo ou mais tarde, em uma nova vida, vai trazer à tona no corpo físico, desde antes da concepção, os fatores necessários para a predisposição à síndrome e necessária reparação dos crimes cometidos.
Não se trata, portanto, de uma cisão do pensamento, conforme lhe indica o nome, mas de uma dificuldade em exteriorizá-lo, em face do processo complexo supra-explicado que constitui para o esquizofrênico um impositivo expiatório, uma vez que em outras tentativas provacionais, em outras existências, ele foi malsucedido.
Dessa maneira, com as contribuições da ciência espírita, pode-se entender a esquizofrenia como sendo uma síndrome que tem no seu fundamento um transtorno espiritual. Este gera no corpo os meios fisiológicos necessários à sua exteriorização, sendo influenciado por diversos fatores psicossociais. Além disso, é preciso levar em conta a influência negativa, através da obsessão, gerada pela(s) antiga(s) vítima(s) do atual doente, o que contribui para o agravamento do quadro e surgimento de outras disfunções características do transtorno. Por isso mesmo, é preciso vê-la como sendo um processo misto de natureza espiritual, fisiológica, obsessiva, e com fortes influências psicossociais.
Mister se faz anotar, ainda, que todas essas etiologias atualmente explicadas pela Ciência são, na verdade, “causas–consequências” e não as origens reais, uma vez que estas se encontram no ser causal e não na sua cópia material. Afora isso, a complexidade sintomatológica e causal está, certa e diretamente, ligada às intricadas e complexas tramas do Espírito e do destino. Outrossim, aquilo que muitos têm na cota de alucinações e de delírios são, em reiteradas oportunidades, contatos mediúnicos; não se ignorando, entretanto, que podem ser, também, reflexos da consciência turbilhonada que traz, de quando em vez, sensações do passado; ou, ainda, originadas pela desorganização do soma.
Portanto, por se tratar de uma síndrome com grandes componentes fisiológicos, o tratamento farmacológico com os antipsicóticos, proposto pela Psiquiatria, se faz urgente, tanto para reprimir os sintomas, quanto para tratar aquilo que preferimos chamar de “causas–consequências”. No entanto, visando ir além, não se deve furtar aos benefícios das diversas abordagens psicoterápicas vigentes.
Observando-se, porém, as contribuições do Espiritismo o qual vislumbra o ser integral, imprescindível se faz, com o objetivo de remontar às causas fundamentais da esquizofrenia, não ignorar a terapêutica espiritual em que figuram a desobsessão, a fluidoterapia pela imposição das mãos e pela água, a oração e, primordialmente, a psicoterapia oferecida pela Doutrina Espírita, que se baseia nos ensinos de Jesus sobre o amor e a caridade, e que, um dia não muito longínquo, estará impregnando os conceitos das academias.
Nada obstante, não se deve esperar resultados exageradamente rápidos em se tratando de tão grave enfermidade, que tem raízes fincadas em vidas passadas, vez que outra, multimilenares. Além do mais, seres imortais que todos são, os homens não devem vislumbrar apenas o momento fugidio, mas, sobretudo, o relógio do futuro.
Sendo assim, como ser imortal que vive no presente cuidando do porvir, o indivíduo, Espírito que é, deve procurar o trabalho da profilaxia. Neste contexto, como se pode deduzir, o Evangelho de Jesus é ainda, e sempre será, a melhor alternativa. A sua mensagem de vida abundante deve hoje, e deverá amanhã, penetrar a vida de todos em busca da saúde integral. O amor, terapêutico e profilático, é, e sempre será, o divino remédio. Neste sentido, pois, mister se faz lembrar destas palavras do Mestre, as quais são, ao mesmo tempo, claras e simbólicas: “Reconciliai-vos o mais depressa possível com o vosso adversário, enquanto estais com ele a caminho, para que ele não vos entregue ao juiz, o juiz não vos entregue ao ministro da justiça e não sejais metidos em prisão”. E esta prisão, muitas vezes, vem em forma de uma estrutura nervosa desajustada, qual a que ocorre em um paciente esquizofrênico.

Bibliografia: 
KAPLAN, Harold I.; SADOCK, Benjamin J.;GREBB, Jack A. Compêndio de psiquiatria: ciências do comportamento e psiquiatria clínica. Trad. Dayse Batista. 7. ed. 6ª reimpressão. Porto Alegre: Artmed, 1997. Cap. 13, p. 439-466.
DENNIS, L. Kasper [et al.]. Harrison medicina interna. 16. ed. Rio de Janeiro: McGraw-Hill Interamericana do Brasil Ltda., 2006. Cap. 371, p. 2684-2865.
FRANCO, Divaldo P. Entre os dois mundos. Pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda. Bahia: LEAL, 2005. Cap. 13, p. 142-145.______. Loucura e obsessão. Pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda. 1o. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Cap. 4, p. 49-52.
KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. 90. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007.______. O evangelho segundo o espiritismo. 126. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. “Introdução”, item IV, p. 46. Mateus, 5:23-26.

Leonardo Machado

Fonte: Reformador – Agosto/2007