Relembrando Allan Kardec
Aos que quiserem adquirir essas noções preliminares (sobre o
Espiritismo)**, pela leitura das nossas obras, aconselhamos que as leiam nesta
ordem:
1º O que é o Espiritismo? Esta brochura, de uma centena de páginas somente,
contém sumária exposição dos princípios da Doutrina Espírita, um apanhado geral
desta, permitindo ao leitor apreender-lhe o conjunto dentro de um quadro
restrito. Em poucas palavras ele lhe percebe o objetivo e pode julgar do seu
alcance. Aí se encontram, além disso, respostas às principais questões ou
objeções que os novatos se sentem naturalmente propensos a fazer. Esta primeira
leitura, que muito pouco tempo consome, é uma introdução que facilita um estudo
mais aprofundado.
2º O Livro dos Espíritos. Contém a doutrina completa, como a ditaram os
próprios Espíritos, com toda a sua filosofia e todas as suas consequências
morais. É a revelação do destino do homem, a iniciação no conhecimento da
natureza dos Espíritos e nos mistérios da vida de além-túmulo. Quem o lê compreende
que o Espiritismo objetiva um fim sério, que não constitui frívolo passatempo.
3º O Livro dos Médiuns. Destina-se a guiar os que queiram entregar-se à prática
das manifestações, dando-lhes conhecimento dos meios próprios para se
comunicarem com os Espíritos. É um guia, tanto para os médiuns, como para os
evocadores, e o complemento de O Livro dos Espíritos.
4º A Revue Spirite***. Variada coletânea de fatos, de explicações teóricas e de
trechos isolados, que completam o que se encontra nas duas obras precedentes,
formando-lhes, de certo modo, a aplicação. Sua leitura pode fazer-se
simultaneamente com a daquelas obras, porém, mais proveitosa será, e,
sobretudo, mais inteligível, se for feita depois de O Livro dos Espíritos. 1
Isto pelo que nos diz respeito. Os que desejem tudo conhecer de uma ciência
devem necessariamente ler tudo o que se ache escrito sobre a matéria, ou, pelo
menos, o que haja de principal, não se limitando a um único autor. Devem mesmo
ler o pró e o contra, as críticas como as apologias, inteirar-se dos diferentes
sistemas, a fim de poderem julgar por comparação.
Por esse lado, não preconizamos, nem criticamos obra alguma, visto não
querermos, de nenhum modo, influenciar a opinião que dela se possa formar.
Trazendo nossa pedra ao edifício, colocamo-nos nas fileiras. Não nos cabe ser
juiz e parte e não alimentamos a ridícula pretensão de ser o único distribuidor
da luz. Toca ao leitor separar o bom do mau, o verdadeiro do falso.
Allan Kardec
1 Nota da Editora FEB: De Kardec são ainda as obras: O Evangelho
segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865), A Gênese (1868). —
Obras Póstumas (1890), ainda não editadas quando da publicação deste texto em O
Livro dos Médiuns, de 1861.
* Título nosso.
** Esclarecimento nosso.
*** Trata-se da Revista Espírita (Revue Spirite Journal D'études
Psychologiques) publicada de 1858 a 1869.
Fonte: KARDEC, Allan. “O Livro dos Médiuns”. 71. ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB.
2003. Primeira Parte. Cap. III – Do Método, item 35.