quinta-feira, 31 de julho de 2014

SALVE KARDEC


Sobre a Terra de sombra e de amargura
A treva espessa e triste se fizera
A Ciência e a fé nas asas da quimera
Mais se afundavam pela noite escura
A alma humana de então se desespera
E eis que das luzes místicas da altura
Desce outra luz confortadora e pura
De que o mundo infeliz se achava à espera
E Kardec recebe-a, sobre o abismo
Espalhando as lições do Espiritismo
Em claridade de consolação.
Emissário da luz e da verdade
Entrega ao coração da Humanidade
A doutrina de amor e redenção


Casimiro Cunha

AMAI-VOS


Diante do mal quantas vezes!...
Censuramos o próximo...
Desertamos do testemunho da paciência...
Criticamos sem pensar...
Abandonamos companheiros infelizes à própria sorte...
Esquecemos a solidariedade...
Fugimos ao dever de servir...
Abraçamos o azedume...
Queixamo-nos uns dos outros...
Perdemos tempo em lamentações...
Deixamos o campo das próprias obrigações...
Avinagramos o coração...
Desmandamo-nos na conduta...
Agravamos problemas...
Aumentamos os próprios débitos...
Complicamos situações...
Esquecemos a prece...
Desacreditamos a fraternidade...
E, às vezes, olvidamos até mesmo a fé viva em Deus...
Entretanto a fórmula da vitória sobre o mal ainda e sempre é aquela senha de Jesus:
AMAI-VOS UNS AOS OUTROS COMO EU VOS AMEI!!...


Bezerra de Menezes

ORAÇÃO DE UM SOFREDOR


Meu Deus és soberanamente justo, todo sofrimento, neste mundo, há, pois,
de ter a sua causa e a sua utilidade.
Aceito a aflição que acabo de experimentar como expiação de minhas faltas passadas
e como prova para o meu futuro.
Bons Espíritos que me protegeis daí-me para suportá-la sem lamentos.
Fazei que ela me seja um aviso salutar; que me acresça a experiência que abata em
mim o orgulho, a ambição, a tola vaidade e o egoísmo, e que contribua assim para o meu
adiantamento.
Ó meu Deus, dá-me forças para suportar as provações que te aprouve destinar-me. Submeto-me resignado, ó meu Deus, mas a criatura é tão fraca, que temo sucumbir, se me não amparares.
Não me abandones Senhor, que sem ti nada posso.
Deus onipotente, que vês as nossas misérias, digna-te de escutar, benevolente, a súplica
que nesse momento te dirijo.
Se é desarrazoado o meu pedido, perdoa-me; se é justo e conveniente segundo as tuas vistas, que os bons espíritos, executores das tuas vontades, venham em meu auxílio para
que ele seja satisfeito. Como quer que seja, meu Deus, faça-se a tua vontade.
Se os meus desejos não forem atendidos, é que está nos teus desígnios experimentar-me
e eu me submeto sem me queixar.
Faze que por isso nenhum desânimo me assalte e que nem a minha fé nem a minha
resignação sofram qualquer abalo.


Terezinha Oliveira

RECONFORTO


Por mais longo o caminho
Confia, luta e ama.
Mantém acesa a chama do teu ideal
Não temas o mal
Só o bem permanece

Conduz sempre teus passos
Aos clarões da prece
Vem sorrir, vem cantar
Deixa a esperança te agasalhar
Vem cantar, vem sorrir
Que um novo dia vai surgir

Recebe com alegria a dor que te renova
Porque a tua prova é tua alforria
O teu pranto é luz
Erguendo-o ao lar celeste
Cercado pelas rosas do bem que fizeste

E segue pela estrada
Que o bom mestre seguiu
Erguendo a cada passo o irmão que caiu
Amando sempre mais, te envolverás em luz
E encontrarás a paz nos braços de tua cruz.


Auta de Souza

SINTONIA ESPIRITUAL


A questão de como nos manter receptivos às inspirações que recebemos dos Espíritos protetores e familiares relaciona-se à questão da sintonia espiritual.
Temos a faculdade de escolher com que faixa desejamos sintonizar, através da escolha de nossos pensamentos. Dessa forma, se escolhemos e mantemos pensamentos de tristeza e desânimo, Espíritos na mesma faixa vibratória sintonizarão conosco, dificultando-nos a recepção de outra faixa, a dos Espíritos protetores que desejam nos animar e incentivar ao bem. Por outro lado, quando escolhemos pensamentos de paz, de alegria, de esperança e otimismo, juntamo-nos, por sintonia, a outros pensamentos semelhantes, e colocamo-nos em faixa apropriada para a recepção dos bons conselhos e orientações daqueles que nos protegem.
Emmanuel, na obra “Roteiro” [1], esclarece que: “Somos obsidiados por amigos desencarnados ou não e auxiliados por benfeitores, em qualquer plano da vida, de conformidade com a nossa condição mental. Daí, o imperativo de nossa constante renovação para o bem infinito.”
O benfeitor finaliza a mensagem, lembrando-nos da importância de trabalhar, servir, aprender e amar, iluminando, assim, a nossa vida íntima.
Entendendo o mecanismo em que se processa o fenômeno da sintonia espiritual, cabe a nós, para que estejamos receptivos às boas orientações, buscá-las, através dos meios disponíveis para tanto, que são: a prece, a boa leitura, a música harmoniosa, a conversa que edifica, a ação no bem, entre outros.

Carla e Hendrio
Referência:
1. XAVIER, Francisco Cândido. “Roteiro”. Pelo Espírito Emmanuel. 7.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB. 1986. Capítulo 26 – Finalidades.

Fonte: Lições dos Espíritos

Oração de São Francisco


Senhor fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

 São Francisco de Assis

Atmosfera Espiritual




Relembrando Allan Kardec 

          O Espiritismo nos ensina que os Espíritos constituem a população invisível do globo, que estão no espaço e entre nós, nos vendo e nos acotovelando sem cessar, de tal sorte que, quando nos acreditamos sós, temos constantemente testemunhas secretas de nossas ações e de nossos pensamentos. Isto pode parecer incômodo para certas pessoas, mas uma vez que assim é, não se pode impedir que o seja; cabe a cada um fazer como o sábio que não tinha medo de que sua casa fosse de vidro. Sem dúvida nenhuma, é a esta causa que é preciso atribuir à revelação de tantas torpezas e más ações que se cria enterradas na sombra.
          Além disso, sabemos que, além dos assistentes corpóreos, há sempre ouvintes invisíveis; que sendo a permeabilidade uma das propriedades do organismo dos Espíritos, estes podem se encontrar em número ilimitado num espaço dado. Frequentemente, nos foi dito que, em certas sessões, estavam em quantidades inumeráveis. Na explicação dada ao Sr. Bertrand a propósito das comunicações coletivas que obteve, foi dito que o número dos Espíritos presentes era tão grande, que a atmosfera estava, por assim dizer, saturada de seus fluidos. Isto não é novo para os Espíritas, mas não se deduziu disto talvez todas as consequências.
          Sabe-se que os fluidos emanado dos Espíritos são mais ou menos salutares segundo o grau de sua depuração; conhece-se o seu poder curativo em certos casos, e também seus efeitos mórbidos de indivíduo a indivíduo. Ora, uma vez que o ar pode estar saturado desses fluidos, não é evidente que. Segundo a natureza dos Espíritos que proliferam em um lugar determinado, o ar ambiente se acha carregado de elementos salutares ou malsãos, que devem exercer uma influência sobre a saúde física tão bem quando sobre a saúde moral? Quando se pensa na energia da ação que um Espírito pode exercer sobre um homem, pode-se admirar daquela que deve resultar de uma aglomeração de centenas ou de milhares de Espíritos? Esta ação será boa ou má conforme os Espíritos derramem no meio dados um fluido benfazejo ou malfazejo, agindo à maneira das emanações fortificantes ou dos miasmas deletérios, que se esparramam no ar. Assim podem se explicar certos efeitos coletivos produzidos sobre as massas de indivíduos, o sentimento de bem-estar ou de mal-estar que se sente em certos meios, e que não têm nenhuma causa aparente conhecida, o arrastamento coletivo para o bem ou o mal, os impulsos gerais, o entusiasmo ou o desencorajamento, por vezes espécie de vertigem que se apodera de toda uma assembleia, de todo um povo mesmo. Cada indivíduo, em razão do grau de sua sensibilidade, sofre a influência dessa atmosfera viciada ou vivificante. Por este fato, que parece fora de dúvida, e que confirmam, ao mesmo tempo, a teoria e a experiência, encontramos nas relações do mundo espiritual com o mundo corpóreo, um novo princípio de higiene que a ciência, sem dúvida um dia fará entrar em linha de conta. Podemos, pois, subtrair-nos a essas influências emanando de uma fonte inacessível aos meios materiais? Sem nenhuma dúvida; porque do mesmo modo que saneamos os lugares insalubres destruindo-lhes a fonte dos miasmas pestilentos, podemos sanear a atmosfera moral que nos cerca, subtraindo-nos às influências perniciosas dos fluidos espirituais malsãos, e isto mais facilmente do que não podemos escapar às exalações pantanosas, porque isto depende unicamente de nossa vontade, e ali não estará um dos menores benefícios do Espiritismo quando for universalmente compreendido e, sobretudo praticado.
          Um princípio perfeitamente averiguado por todo Espírita, é que as qualidades do fluido perispiritual estão em razão direta das qualidades do Espírito encarnado ou desencarnado; quanto mais seus sentimentos são elevados e livres das influências da matéria, mais seu fluido é depurado. Segundo os pensamentos que dominam num encarnado, ele irradia raios impregnados desses mesmos pensamentos que os viciam ou os saneiam, fluidos realmente materiais, embora impalpáveis, invisíveis para os olhos do corpo, mas perceptíveis para os sentidos perispirituais, e visíveis para os olhos da alma, uma vez que impressionam fisicamente e tomam aparências muito diferentes para aqueles que estão dotados da visão espiritual.
          Unicamente pelo fato da presença dos encarnados numa assembleia, os fluidos ambientes serão, pois, salubres ou insalubres, segundo os pensamentos dominantes sejam bons ou maus. Quem traz consigo pensamentos de ódio, de inveja, de ciúme, de orgulho, de egoísmo, de animosidade, de cupidez, de falsidade, de hipocrisia, de maledicência, de malevolência, em uma palavra, pensamentos hauridos na fonte das más paixões, espalha ao seu redor eflúvios fluídicos malsãos, que reagem sobre aqueles que o cercam. Numa assembleia, ao contrário, onde todos não trouxessem senão sentimentos de bondade, de caridade, de humildade, de devotamento desinteressado, de benevolência e de amor ao próximo, o ar estará impregnado de emanações saudáveis no meio das quais sente-se viver mais comodamente.
          Se se considera agora que os pensamentos atraem os pensamentos da mesma natureza, que os fluidos atraem os fluidos similares, compreende-se que cada indivíduo conduz consigo um cortejo de Espíritos simpáticos, bons ou maus, e que assim o ar está saturado de fluidos em relação com os pensamentos predominantes. Se os maus pensamentos estão em minoria, eles não impedirão as boas influências de se produzirem, mas as paralisam. Se eles dominam, enfraquecem a irradiação fluídica dos bons Espíritos, ou mesmo por vezes, impedem os bons fluidos de penetrar nesse meio, como o nevoeiro enfraquece ou detém os raios do sol.
          Qual é, pois, o meio de se subtrair à influência dos maus fluidos? Este meio ressalta da própria causa que produz o mal. Que se faz quando se reconheceu que um alimento é contrário à saúde? É rejeitado, e se o substitui por um alimento mais sadio. Uma vez que são os maus pensamentos que engendram os maus fluidos e os atraem, é preciso se esforçar de deles não ter senão bons, repelindo tudo o que é mau, como se repele um alimento que pode nos tornar doentes, em uma palavra, trabalhar pela sua melhoria moral, e, para nos servir de uma comparação do Evangelho, "não só limpar o vaso por fora, mas limpá-lo, sobretudo, por dentro."
          A Humanidade, em se melhorando, verá se depurar a atmosfera fluídica no meio da qual ela vive, porque não a rodeará senão de bons fluidos, e que estes últimos oporão uma barreira à invasão dos maus. Se um dia a Terra chegar a não ser povoada senão por homens praticando entre eles as leis divinas, de amor e de caridade, ninguém duvida que não se encontrem nas condições de higiene física e moral diferentes daquelas que existem hoje.
          Esse tempo está ainda longe, sem dúvida, mas em esperando-o, estas condições podem existir parcialmente, e é nas assembleias espíritas que cabe dar-lhe o exemplo. Aqueles que tiverem possuído a luz serão um tanto mais repreensíveis quanto terão tido entre as mãos os meios de se esclarecer; incorrerão na responsabilidade dos atrasos que seu exemplo e sua má vontade terão levado na melhoria geral.
          Isto é uma utopia, uma má declamação? Não; é uma dedução lógica dos próprios fatos que o Espiritismo nos revela a cada dia. Com efeito, o Espiritismo nos prova que o elemento espiritual, que, até o presente, foi considerado como antítese do elemento material, tem, com este último, uma conexão íntima, de onde resulta uma multidão de fenômenos inobservados ou incompreendidos. Quando a ciência tiver assimilado os elementos fornecidos pelo Espiritismo, ela nele haurirá novos e importantes recursos para a própria melhoria material da Humanidade. Assim, cada dia vemos se estender o círculo das aplicações da doutrina que está longe, como alguns o creem ainda, de estar restrita ao pueril fenômeno das mesas girantes ou outros efeitos de pura curiosidade. O Espiritismo, realmente, não foi tomado em seu voo, senão do momento em que entrou na via filosófica; é menos divertido para certas pessoas, que nele não procuravam senão uma distração, mas é melhor apreciado pelas pessoas sérias, e o será ainda mais, à medida que for melhor compreendido em suas consequências.


Allan Kardec

“REVISTA ESPÍRITA”. Jornal de Estudos Psicológicos . Ano X. Maio de 1867. Tradução de Salvador Gentile. Araras, SP: IDE, 2000. p. 1-3.